segunda-feira, 4 de junho de 2018

As primeiras córneas humanas impressas em 3D


Um novo estudo da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, imprimiu com sucesso as primeiras córneas humanas em 3D.

Isso significa que a técnica pode ser usada no futuro para garantir um suprimento ilimitado de córneas para transplante.

A falta de córneas
A córnea é a camada mais externa do olho humano e tem um papel importante no enfoque da visão.

Atualmente, 10 milhões de pessoas em todo o mundo necessitam de cirurgia para prevenir cegueira da córnea como resultado de doenças, incluindo o tracoma, uma infecção ocular.

Além disso, quase 5 milhões de pessoas sofrem de cegueira total devido a cicatrizes na córnea causadas por queimaduras, lacerações, abrasão ou doença.

Por outro lado, há uma escassez significativa de córneas disponíveis para transplante. A nova pesquisa é uma prova de conceito de que podemos imprimir esse tecido em 3D de forma segura e eficaz, e utilizá-lo para suprir essa demanda.

O conceito
Os pesquisadores criaram uma mistura de alginato e colágeno para servir como uma espécie de “bio-tinta”.

Demorou menos de 10 minutos para que uma simples bioimpressora 3D de baixo custo usasse essa tinta, junto com células-tronco (células estromais da córnea humana) retiradas de um doador saudável, para imprimir o formato de uma córnea.

Os pesquisadores demonstraram em seguida que as células-tronco cresceram bem na córnea impressa.

“Muitas equipes em todo o mundo têm perseguido a bio-tinta ideal para tornar este processo viável. Nosso gel exclusivo – uma combinação de alginato e colágeno – mantém as células-tronco vivas enquanto produz um material que é rígido o suficiente para manter sua forma, mas macio o suficiente para ser impresso pelo bocal de uma impressora 3D”, explicou Che Connon, professor de engenharia de tecidos na Universidade de Newcastle.

Personalização
O trabalho baseou-se pesquisas anteriores da mesma equipe em que os cientistas mantiveram as células vivas por semanas à temperatura ambiente dentro de um hidrogel semelhante.

O novo estudo representou um avanço: agora os pesquisadores têm uma bio-tinta pronta que permite que a impressão de tecidos seja iniciada sem ter que se preocupar com o crescimento das células separadamente.

Os cientistas também demonstraram que é possível imprimir uma córnea que corresponda a especificações exclusivas de um paciente.

As dimensões do tecido impresso foram originalmente retiradas de uma córnea real. Ao examinar os olhos de um paciente, os pesquisadores podem usar esses dados para imprimir rapidamente uma córnea que tenha o tamanho e a forma desejados.

Próximos passos
Enquanto a pesquisa é extremamente promissora, as córneas impressas em 3D ainda precisam passar por diversos outros testes antes de poderem realmente ser usadas em transplantes, o que deve levar anos.

“No entanto, o que mostramos é que é possível imprimir córneas usando coordenadas tiradas do olho de um paciente e que essa abordagem tem potencial para combater a escassez mundial [desse tecido para transplante]”, concluiu Connon.

Um artigo detalhando a pesquisa foi publicado na revista científica Experimental Eye Research. [ScienceDaily]

fonte
por Natasha Romanzoti
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

domingo, 3 de junho de 2018

Risco de transmissão de dengue é medido com base no número de fêmeas do Aedes

Índice desenvolvido por pesquisadores da Famerp e da USP também está sendo testado para medir risco de Zika e chikungunya (foto: Muhammad Mahdi Karim / Wikipedia)

Um novo índice que permite medir o risco de transmissão de dengue em uma cidade ou região com base no nível de infestação por fêmeas adultas do mosquito Aedes aegypti foi descrito por pesquisadores brasileiros na revista Acta Tropica.

A metodologia foi desenvolvida por Maisa Carla Pereira Parra e colaboradores, sob a supervisão de Maurício Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), e Francisco Chiaravalloti-Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

O estudo faz parte do Projeto Temático “Epidemiological study of dengue (serotypes1-4) in a cohort of São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil, during 2014-2018”, apoiado pela FAPESP.

Na avaliação dos pesquisadores, o novo método seria mais prático e confiável do que o chamado Índice de Breteau – valor numérico que corresponde à razão entre o número de larvas de Aedes encontrado e a quantidade total de residências inspecionadas por agentes de saúde. Esse é o sistema atualmente usado pela vigilância epidemiológica para determinar o nível de infestação pelo mosquito transmissor da dengue.

“O Índice de Breteau calculado em São José do Rio Preto no início de 2018 foi o maior de todos os tempos. Foi superior inclusive ao índice de 2013, quando a região passou pela pior epidemia de dengue de sua história, com 18 mil casos. No entanto, em 2018 foram notificados apenas 44 casos da doença até o momento. Ou seja, pelo menos em nossa região, o Índice de Breteau não guarda mais relação com a prevenção da dengue”, disse Nogueira.

A explicação para tamanha disparidade, na avaliação do pesquisador, pode estar relacionada com a imunidade adquirida por parte da população durante as epidemias recentes.

“O problema do Índice de Breteau é que ele é uma medida da quantidade de larvas do mosquito, fase em que esse inseto vive na água. Mas o que realmente interessa é a fase adulta. Somente as fêmeas adultas transmitem o vírus após o acasalamento, quando buscam sangue humano para produzir e botar ovos”, explicou Chiaravalloti-Neto.

Foi a partir dessa constatação que surgiu a ideia de desenvolver um novo índice que levasse em conta apenas o número de fêmeas adultas. “Achávamos que seria mais fidedigno e mais fácil de calcular. A lógica por trás é que, quanto maior a quantidade de fêmeas adultas no ambiente, maior será a quantidade de pessoas infectadas”, disse Nogueira.

Metodologia
No caso do Índice de Breteau, agentes de saúde precisam visitar todas as casas da região que se quer aferir, verificar todos os reservatórios em busca de larvas de mosquito e somar o total encontrado. O trabalho tem que ser repetido com regularidade, mobilizando uma grande força de trabalho a um custo elevado.

Já para calcular o novo índice foram espalhadas em São José do Rio Preto 56 armadilhas especiais, que liberam no ambiente um odor semelhante ao da pele humana – capaz de atrair as fêmeas de mosquito sedentas por sangue. Ao entrar no dispositivo, ficam aprisionadas e morrem.

“As armadilhas eram posicionadas com um espaçamento de 200 a 400 metros, que é a metade do raio de voo do mosquito. Recolhíamos no dia seguinte para a contagem das fêmeas adultas”, contou Nogueira.

O experimento foi feito duas vezes por semana, permitindo reunir dados de até 62 residências por semana, ao longo de um ano – entre a 36ª semana de 2012 e a 19ª semana de 2013.

“Ao final do trabalho de campo, reunimos dados de mais de 1,5 mil armadilhas. Além de coletar as fêmeas, também verificamos via análise molecular quais eram positivas ou negativas para dengue", contou Chiaravalloti-Neto.

Com base no número de fêmeas adultas capturadas por armadilha foi calculado um índice entomológico, que corresponde ao número de fêmeas de Aedes aegypti por 100 residências (aquelas vizinhas ao local da armadilha) ao longo de uma semana.

"A quantidade de fêmeas coletadas em uma única armadilha em uma residência pode ser pequena, mas serve de amostragem para calcularmos o tamanho da infestação na vizinhança", disse Chiaravalloti-Neto.

Desse modo, o grupo construiu um mapa da região de São José do Rio Preto, com índices da quantidade de fêmeas adultas por bairro durante as 52 semanas do ano. Ao todo, as armadilhas capturaram 1.333 mosquitos do gênero Aedes (536 machos e 797 fêmeas) e 4.691 do gênero Culex (3.325 machos e 1.366 fêmeas) – somando 6.024 insetos.

Os espécimes de Aedes foram agrupados em 893 tubos e testados para a presença do vírus da dengue. O sorotipo 4 do patógeno (DENV-4) foi encontrado em 25 mosquitos (ou 2,8% dos tubos), dos quais 19 eram fêmeas e seis machos.

“Criamos bancos de dados com informações sobre a armadilha e sobre os casos de dengue: endereço, data de instalação, data de coleta, número de espécimes, espécies de mosquitos e resultado da análise molecular. O banco de dados de casos de dengue incluiu os endereços das notificações de dengue, a data de início dos sintomas, tipo e resultados de análises laboratoriais”, explicou Nogueira.

Por fim, o resultado do índice entomológico foi confrontado com os dados da vigilância epidemiológica para casos de dengue na cidade entre a 36a semana de 2012 e a 19a semana de 2013.

“Ao obter todos os casos notificados, fizemos uma modelagem para verificar se haveria uma relação entre o número de casos e a quantidade maior ou menor de fêmeas", disse Chiaravalloti-Neto.

Mais de 2,5 mil casos suspeitos de dengue foram relatados na área de estudo. Destes, 1.137 casos foram registrados como confirmados. Houve 820 casos que testaram positivo para DENV (72,1%) e 317 que combinaram com critérios epidemiológicos clínicos (27,9%). Como controle, foram usados 1.450 casos que testaram negativo para DENV.

Segundo Chiaravalloti-Neto, o resultado da modelagem não poderia ter sido melhor. “Quando aumentou o número de fêmeas, observou-se um correspondente aumento no risco de incidência de dengue”, contou.

“Nosso índice entomológico correlaciona-se positivamente com a incidência de dengue, particularmente durante os intervalos em que as medidas de controle de vetores foram aplicadas de forma menos intensiva”, disse Nogueira.

Os pesquisadores estão agora repetindo o experimento em uma outra vizinhança com o objetivo de validar os resultados do primeiro trabalho e mostrar que, de fato, o novo método é uma alternativa confiável ao Índice de Breteau.

“O estudo atual é mais amplo que o primeiro. Além de dengue, estamos testando o novo método para medir o risco de transmissão de Zika e chikungunya. Mas os resultados ainda devem demorar”, disse Nogueira.

O artigo Using adult Aedes aegypti females to predict areas at risk for dengue transmission: A spatial case-control study, de Maisa Carla Pereira Parra, Eliane Aparecida Fávaro, Margareth Regina Dibo, Adriano Mondini, Álvaro Eduardo Eiras, Erna Geessien Kroon, Mauro Martins Teixeira, Mauricio Lacerda Nogueira e Francisco Chiaravalloti-Neto, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001706X17312020?via%3Dihub.

por Peter Moon - Agência FAPESP
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sábado, 2 de junho de 2018

Evitar carne e laticínios é a melhor maneira de reduzir seu impacto no planeta


Segundo um novo estudo liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, evitar carne e produtos lácteos é a maneira mais eficaz de reduzirmos nosso impacto ambiental no planeta.

Os pesquisadores realizaram a análise mais abrangente dos danos que a agricultura causa no planeta e os resultados mostraram que, sem o consumo de carne e laticínios, o uso agrícola global poderia ser reduzido em mais de 75% – uma área equivalente aos EUA, China, União Europeia e Austrália juntos.

O estudo também mostrou que a perda de áreas selvagens para a agricultura é a principal causa da atual extinção em massa da vida selvagem.

Outra pesquisa compreensiva recente sobre a biomassa do planeta apontou ainda que 86% de todos os mamíferos terrestres existentes hoje são humanos ou animais de pastoreio (gado, aves e suínos criados para fornecer alimento a humanos).

Carne e laticínios: o pior custo-benefício
Os resultados provêm de um enorme conjunto de dados baseado em quase 40.000 fazendas em 119 países e cobrindo 40 produtos alimentícios que representam 90% de tudo o que é comido no mundo.

Os pesquisadores avaliaram o impacto total desses alimentos, do campo ao garfo, no uso da terra, nas emissões de gases que causam mudanças climáticas, no uso de água doce, na poluição da água (eutrofização) e na poluição do ar (acidificação).

A nova análise mostrou que, enquanto carne e laticínios fornecem apenas 18% das nossas calorias totais e representam 37% da nossa ingestão de proteína, seu cultivo usa a maior parte das terras agrícolas – 83% – e produz 60% das emissões de gases de efeito estufa provenientes da agricultura.

Os cientistas também descobriram que mesmo os produtos lácteos e de carne de menor impacto ainda causam muito mais danos ambientais do que o cultivo menos sustentável de vegetais e cereais.

O ideal
“Uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir seu impacto no planeta Terra, não apenas nos gases de efeito estufa, mas na acidificação global, eutrofização, uso da terra e uso da água”, disse o principal autor do estudo, Joseph Poore, da Universidade de Oxford.

Essa mudança de estilo de vida tem um impacto muito maior do que voar menos ou comprar um carro elétrico, por exemplo, já que estas ações cortam apenas as emissões de gases do efeito estufa.

“A agricultura é um setor que abrange todos os problemas ambientais. Realmente são produtos animais que são responsáveis por muitos [desses problemas]”, completou.

Dito isso, está claro que toda a população se tornar vegana é algo bastante utópico neste momento. Isso não significa que não há nada que possamos fazer.

Subsídios
A análise também revelou uma enorme variabilidade entre diferentes formas de produzir o mesmo alimento. Por exemplo, bovinos criados em terras desmatadas resultam em 12 vezes mais gases de efeito estufa e usam 50 vezes mais terra do que aqueles que são criados em pastagens naturais.

Apesar disso, a comparação de carne bovina com proteína vegetal, como ervilha, é bem mais gritante: até mesmo a carne bovina de menor impacto é responsável por seis vezes mais gases de efeito estufa e 36 vezes mais uso de terra.

Essa grande variabilidade no impacto ambiental de diferentes fazendas apresenta uma oportunidade para reduzirmos os danos sem precisar que a população mundial inteira se torne vegana. Se a metade mais prejudicial da produção de carne e leite fosse substituída por alimentos à base de plantas, isso ainda levaria a cerca de dois terços dos benefícios de se livrar de toda a produção de carne e laticínios.

Obviamente, cortar o impacto ambiental da agricultura não é fácil. De acordo com Poore, existem mais de 570 milhões de fazendas no mundo todo, que precisam de maneiras ligeiramente diferentes para reduzir seu impacto. É um desafio ambiental como nenhum outro no setor da economia, mas, tendo em vista que pelo menos US$ 500 bilhões são gastos todos os anos em subsídios agrícolas, “há muito dinheiro para fazermos algo realmente bom”, alertou o pesquisador.

Medidas
Por exemplo, as autoridades poderiam exigir que os produtos tivessem etiquetas revelando o seu impacto no meio ambiente, de forma que os consumidores pudessem escolher as opções menos prejudiciais.

Subsídios para alimentos sustentáveis e saudáveis no setor de carne e laticínios provavelmente também seriam necessários.

Uma surpresa do estudo foi o grande impacto da criação de peixes de água doce, que fornece dois terços dos peixes na Ásia e 96% na Europa. Esse tipo de criação era considerado relativamente sustentável, mas, de acordo com Poore, muitos excrementos de peixes e alimentos não consumidos ficam no fundo das lagoas, onde quase não há oxigênio, o que o torna o ambiente perfeito para a produção de metano, um potente gás de efeito estufa.

A pesquisa também descobriu que a carne bovina alimentada com pasto, considerada de impacto relativamente baixo, ainda é responsável por impactos muito maiores do que os alimentos à base de plantas. “Converter grama em [carne] é como converter carvão em energia. Vem com um imenso custo em emissões ”, disse Poore.

Conclusão
Segundo o professor Tim Benton, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, este é um estudo extremamente útil. Ele reúne uma enorme quantidade de dados, o que torna suas conclusões muito robustas.

“A maneira como produzimos, consumimos e desperdiçamos alimentos é insustentável do ponto de vista planetário. Dada a crise global da obesidade, mudar nossas dietas – comer menos gado e mais verduras e frutas – tem o potencial de tornar tanto os humanos quanto o planeta mais saudáveis”, argumentou.

O professor Peter Alexander, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, concorda. Ele também ficou impressionado com os resultados, mas observou: “Minha opinião pessoal é que devemos interpretar esses resultados não como a necessidade de nos tornarmos veganos do dia para a noite, mas sim de moderar nosso consumo [de carne]”.

Um artigo detalhando o estudo foi publicado na revista científica Science. [TheGuardian]

por Natasha Romanzoti
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.

A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.

Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.

Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.

Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.

“Mostramos pela primeira vez que porções de sinapses são literalmente comidas por astrócitos por causa da perda de sono”, conta Bellesi.

Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).

Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.

Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Segundo os pesquisadores, a maioria das sinapses que estavam sendo comidas nos dois grupos de camundongos privados de sono eram as maiores, que tendem a ser as mais antigas e mais usadas, o que provavelmente é uma coisa boa. “Elas são como móveis antigos e, portanto, provavelmente precisam de mais atenção e limpeza”, diz Bellesi.

Mas quando a equipe checou a atividade das células microgliais nos quatro grupos, eles descobriram que ela também aumentara no grupo cronicamente privado de sono. E isso é uma preocupação, porque a atividade microglial desenfreada está associada a doenças cerebrais como Alzheimer e outras formas de neurodegeneração.

“Descobrimos que a fagocitose astrocítica, principalmente de elementos pré-sinápticos em grandes sinapses, ocorre após a perda de sono aguda e crônica, mas não após a vigília espontânea, sugerindo que pode promover a limpeza e reciclagem de componentes desgastados de sinapses fortes e muito usadas”. os pesquisadores relatam.

“Por outro lado, apenas a perda crônica de sono ativa as células da micróglia e promove sua atividade fagocítica, sugerindo que a interrupção prolongada do sono pode estimular a microglia e talvez predispor o cérebro a outras formas de danos”.

Muitas questões permanecem. Não sabemos o que aconteceria se esse processo fosse replicado em cérebros humanos, nem se recuperar o sono pode reverter o dano. Mas o fato de que as mortes por Alzheimer aumentaram em incríveis 50% desde 1999, juntamente com a luta que muitos de nós têm para ter uma boa noite de sono, significa que isso é algo que precisamos entender logo. [Science Alert, New Scientist]

por Jéssica Maes
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

Qual é o limite? Inteligência artificial agora detecta câncer melhor do que médicos


Uma das nossas maiores esperanças em relação à inteligência artificial é que um dia ela possa prevenir doenças, ou ao menos nos avisar sobre elas de maneira precoce. Parece que este dia está chegando. Um computador acaba de se sair melhor do que dermatologistas humanos na detecção de câncer de pele em um estudo que colocou humanos contra máquinas na busca por um diagnóstico melhor e mais rápido.

Uma equipe da Alemanha, dos Estados Unidos e da França ensinou um sistema de inteligência artificial a distinguir lesões perigosas da pele das benignas, mostrando mais de 100.000 imagens. A máquina – uma rede neural convolucional de aprendizagem profunda, ou CNN – foi então testada contra 58 dermatologistas de 17 países. Médicos e IA foram apresentados a fotos de melanomas malignos e manchas benignas.

Pouco mais da metade dos dermatologistas estava no nível “especialista” – com mais de cinco anos de experiência, enquanto 19% tinham entre dois e cinco anos de experiência e 29% eram iniciantes com menos de dois anos de experiência.

“A maioria dos dermatologistas foi superada pela CNN”, escreveu a equipe de pesquisa em um artigo publicado na revista Annals of Oncology. Em média, os dermatologistas de carne e osso detectaram com precisão 86,6% dos cânceres de pele das imagens, em comparação com 95% da CNN.

“A CNN deixou passar menos melanomas, o que significa que tem uma sensibilidade maior do que os dermatologistas”, diz o autor do estudo, Holger Haenssle, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.Além disso, a inteligência artificial diagnosticou menos manchas benignas como melanoma maligno, o que diminuiria o número de cirurgias desnecessárias.

O desempenho dos dermatologistas melhorou quando eles receberam mais informações sobre os pacientes e suas lesões na pele. A equipe disse que a IA pode ser uma ferramenta útil para um diagnóstico mais rápido e fácil do câncer de pele, permitindo a remoção cirúrgica antes que ele se espalhe. Há cerca de 232.000 novos casos de melanoma e 55.500 mortes no mundo a cada ano.

Mas mesmo este sendo um avanço significativo, é improvável que uma máquina substitua inteiramente os médicos humanos. Elas devem, sim, ser desenvolvidas ainda mais para funcionarem como uma ajuda. O melanoma em algumas partes do corpo, como nos dedos e no couro cabeludo, é difícil de visualizar e a IA pode ter dificuldade em reconhecer lesões “atípicas” ou aquelas que os próprios pacientes desconhecem.

Auxílio prático
Os especialistas Victoria Mar, da Universidade Monash, em Melbourne, e Peter Soyer, da Universidade de Queensland, escreveram um editorial sobre o estudo pontuando o que ainda precisa ser feito para que a inteligência artificial seja útil dentro do consultório médico.

“O uso de IA promete um nível mais padronizado de precisão diagnóstica, de tal forma que todas as pessoas, independentemente de onde morem ou que médicos visitem, serão capazes de acessar uma avaliação diagnóstica confiável”, escrevem eles. O texto destaca que os benefícios de melhores resultados diagnósticos são bastante importantes. Esses benefícios incluem menos procedimentos desnecessários, menor mortabilidade para os pacientes e menor custo para o sistema de saúde.

Porém, também afirma que as principais questões que precisam ser resolvidas antes que os médicos possam transferir os benefícios da IA ​​para a prática clínica incluem a identificação dos pacientes que devem ser alvo de acompanhamento e os pacientes que podem necessitar de acompanhamento vitalício.

Formas de usar a inteligência artificial para permitir que os próprios pacientes participem do acompanhamento ainda precisam ser desenvolvidas, mas podem incluir a adição de inteligência artificial a aplicativos de smartphones, sugerem os editorialistas.

Algumas perguntas ainda estão sem respostas, segundo eles. Por exemplo, ainda não se sabe como a IA se sairá no diagnóstico de melanomas atípicos, o que pode ser difícil de imaginar. Além disso, não está claro como a IA pode ajudar em um exame completo da pele, que utiliza os sentidos da visão e do tato e é um componente crítico da detecção do câncer de pele.

Apesar dessas e de outras barreiras, Mar e Soyer prevêem que a IA seja integrada à prática clínica de rotina. Eles vêem isso se tornando uma ferramenta para ajudar os médicos a tomar decisões de gestão apropriadas. “Há alguma preocupação de que o uso da IA ​​leve à desqualificação da força de trabalho. No entanto, muito da habilidade vem de saber que imagem fazer, como interpretar os resultados e qual o próximo passo mais apropriado”, ressaltam.

“Desde que as lesões mais preocupantes sejam selecionadas para as imagens, as imagens capturem as características diagnósticas dentro de uma lesão (por exemplo, padrão vascular), e o algoritmo de diagnóstico possa interpretá-las corretamente, a IA será sem dúvida uma excelente ferramenta de apoio”, acreditam.

Porém, os especialistas concluem que, por enquanto, nada substitui a capacidade médica de um exame mais minucioso. “Atualmente, não há substituto para um exame clínico completo”. [Yahoo, MedScape]

por Jéssica Maes
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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Assustador: um vírus raro, fatal e sem cura surgiu na Índia


Pelo menos nove pessoas morreram em casos ligados a um surto do raro e mortal vírus Nipah, no sul da Índia.

O Nipah é considerado um vírus recém-emergente. Os cientistas só descobriram que ele pode ser transmitido de morcegos para outras espécies, incluindo porcos e humanos, nos últimos 20 anos.

A doença é atualmente incurável e pode ser transmitida de pessoa para pessoa também. O vírus causa problemas respiratórios e cerebrais e normalmente é fatal para 40% a 75% dos pacientes infectados durante um surto.

Essas estatísticas indicam que o Nipah tem o potencial de causar uma pandemia mortal, e por isso foi listado como uma prioridade urgente de pesquisa pela Organização Mundial de Saúde, ao lado de outros vírus como ebola e SARS.

Surto atual
Das nove pessoas que morreram até agora na cidade de Kozhikode, em Kerala, três casos de Nipah foram confirmados. Os resultados dos testes das outras seis vítimas ainda não saíram.

Pelo menos mais 25 pessoas já foram hospitalizadas.

Os sintomas da doença variam dependendo do surto. Muitos pacientes primeiro experimentam febre e dor de cabeça, seguidas por sonolência e confusão. Alguns pacientes também apresentam sintomas respiratórios semelhantes à gripe. Em outros casos, os sintomas podem evoluir para um coma dentro de um dia ou dois.

As pessoas que sobrevivem à infecção inicial podem ter problemas de saúde duradouros, incluindo alterações de personalidade e convulsões persistentes. Em algumas ocorrências, o vírus foi reativado em pacientes meses ou anos após a exposição, causando doença e morte.

Transmissão
O contato próximo com animais ou pessoas doentes pode espalhar a doença – no surto atual, pelo menos uma das pessoas falecidas era uma enfermeira que atendeu pacientes doentes.

Um estudo sobre a transmissão do Nipah sugeriu que a saliva dos infectados é o que provavelmente dissemina o vírus.

Por enquanto, a prioridade é identificar os casos restantes de Nipah para garantir que a doença não continue a se espalhar na Índia.

O que aprendemos até agora
O Nipah apareceu pela primeira vez na Malásia em 1998, quando 265 pessoas foram infectadas com uma doença estranha que causou encefalite, ou inflamação do cérebro, depois de entrar em contato com porcos ou pessoas doentes.

Nesse surto, 105 pessoas morreram, uma taxa de mortalidade de 40%. Desde então, tem havido uma série de pequenos surtos na Índia e em Bangladesh, com cerca de 280 infecções e 211 mortes – uma taxa média de fatalidade de 75%.

Quando as primeiras infecções saltaram de porcos para humanos, as autoridades mataram mais de um milhão de porcos para tentar impedir a propagação da doença.

Desde então, contudo, os pesquisadores identificaram várias espécies de morcegos frugívoros como os hospedeiros naturais do vírus. Por exemplo, seres humanos foram infectados depois de beber seiva de uma palmeira chamada tamareira contaminada por morcegos portadores de Nipah.

No surto mais recente, mangas mordidas por morcegos foram encontradas na casa onde viviam três dos pacientes falecidos. [ScienceAlert]

por Natasha Romanzoti
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Comer um ovo por dia diminui o risco de doença cardíaca


Ovos têm um histórico complicado na mídia. Quem não se lembra de ler e ouvir que comer ovos demais aumenta o colesterol ruim? Esta informação era veiculada por causa da descoberta que os ovos têm alto índice desse tipo de colesterol, mas pesquisas mais recentes apontaram que na verdade eles ajudam a melhorar o colesterol bom (LDH), que é um componente importante das nossas células.

Agora um estudo recém publicado na revista Heart comprova os resultados positivos dos ovos na nossa saúde cardíaca. Um grupo de pesquisadores da China e do Reino Unido quis ver na prática a ligação entre consumo frequente de ovos e desenvolvimento de doenças cardíacas e circulares.

Para isso, eles usaram dados de um estudo anterior, que incluiu quase meio milhão de adultos com idades entre 30 a 79 anos de 10 regiões diferentes da China.

Cerca de 416 mil participantes com boa saúde e livres de problemas como câncer, doença cardíaca e diabetes foram escolhidos. Eles foram questionados sobre a frequência em que consumiam ovos, e foram acompanhados por quase 9 anos.

Cerca de 13% dos participantes informaram que consumiam ovos todos os dias, enquanto 9% disseram que nunca ou apenas raramente comiam ovos.

Ao final do período de acompanhamento, 83.977 deles desenvolveram doenças cardíacas, sendo que 9.985 morreram. Aconteceram 5.103 grandes eventos coronários como derrames e ataques cardíacos.

Os resultados mostram que pessoas que comiam ovos diariamente tinham menos risco de ter doenças cardíacas em geral.

Quem comia até um ovo por dia teve 26% menos chance de ter derrame, 18% menos chance de morrer de doenças cardiovasculares, além de 12% menos chance de ter doenças cardíacas isquêmicas quando comparado com pessoas que comiam ovos raramente.

Ovos são alimentos ricos em proteína, vitamina e fosfolipídios. Um ovo contém 35% da quantidade diária de colina, um nutriente importante para a função cognitiva e que pode proteger contra o mal de Alzheimer. [Science Alert]

por Juliana Blume
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