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sexta-feira, 23 de março de 2018

Terapia com células-tronco permitiu que pacientes lessem novamente


Dois pacientes britânicos com perda severa de visão conseguiram ler normalmente depois de receberem uma terapia com células estaminais embrionárias humanas.

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Biotechnology.


Sucesso

Os pacientes que receberam o tratamento foram um homem de 80 anos e uma mulher de 60 anos, ambos com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma condição que leva a uma rápida perda de visão central.

Ambos passaram de não conseguir ler para ler 60 a 80 palavras por minuto com óculos de leitura normais.

Os pacientes foram monitorados por 12 meses após o procedimento, e não relataram efeitos colaterais graves.

“Os resultados sugerem que esta nova abordagem terapêutica é segura e proporciona bons resultados visuais. Os pacientes que receberam o tratamento apresentavam DMRI muito grave, e sua visão aprimorada contribuirá de alguma forma para aumentar sua qualidade de vida”, disse Lyndon da Cruz, consultor de oftalmologia do Moorfields Eye Hospital, do Serviço Nacional de Saúde britânico.

O problema
Nossos olhos possuem uma camada chamada de epitélio pigmentário retinal (EPR), essencial para sustentar e nutrir as células da retina que capturam luz para visão.

Em um tipo de DMRI, um vazamento de fluidos danifica o EPR, levando à morte de células sensíveis à luz e por consequência à perda de visão.

Da Cruz e sua equipe cultivaram células da EPR através de células-tronco embrionárias humanas em laboratório, antes de transplantá-las na parte de trás dos olhos dos pacientes.

A nova camada reabasteceu a saúde das células sensíveis à luz da retina, melhorando a visão de ambos os pacientes.

Células-tronco
Um estudo semelhante com células da EPR criadas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, que são células adultas transformadas em células-tronco, também demonstrou certo sucesso no ano passado.

Uma mulher com DMRI recebeu uma nova camada de EPR cultivada a partir de células de sua própria pele e implantada ao lado de sua retina. O tratamento não melhorou a nitidez de sua visão, mas impediu maior deterioração.

Os tratamentos usando células-tronco induzidas são preferíveis aos que utilizam células-tronco embrionárias, pois não envolvem a destruição de embriões humanos.

No entanto, existe uma preocupação de que transformar células adultas em células-tronco possa levar a mutações genéticas causadoras de câncer.

Próximos passos
No caso das duas técnicas, são necessários mais ensaios clínicos para confirmar sua viabilidade e eficácia. As terapias são muito promissoras, entretanto.

De acordo com Pete Coffey, da Universidade College London, que fez parte da equipe do novo estudo, os resultados representam um progresso real na medicina regenerativa e abrem novas opções de tratamento para pessoas com degeneração macular relacionada à idade.

“Esperamos que isto leve a uma terapia acessível que possa ser disponibilizada aos pacientes do Serviço Nacional de Saúde [britânico] nos próximos cinco anos”, disse. [NewScientist]

por Natasha Romanzoti
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segunda-feira, 20 de março de 2017

Três mulheres ficam cegas após tratamento com células-tronco

Terapia não-comprovada para tratar doença ocular acabou cegando idosas na Flórida

O procedimento alegava usar células-tronco derivadas de tecido adiposo para restaurar a visão (Photo.com/Thinkstock/VEJA/VEJA)

Três mulheres, com idade entre 72 e 88 anos, ficaram cegas após um tratamento com células-tronco para combater a degeneração macular, uma doença ocular progressiva. O caso, que aconteceu nos Estados Unidos, foi apontado em artigo publicado no periódico científico New England Journal of Medicine nesta quarta-feira. Ele alerta para os riscos de terapias com eficácia não comprovada, cada vez mais comuns em clínicas particulares.

O tratamento foi feito em 2015 por uma clínica particular na Flórida, não identificada na publicação. O procedimento envolveu a extração de células de gordura do abdome que, depois de processadas com enzimas, possibilitaram a obtenção de células-tronco. Esse material teria sido misturado a um plasma rico em plaquetas e injetado nos olhos das mulheres.

As pacientes pensaram que estavam se inscrevendo em um estudo clínico legítimo, já que constava do site do governo americano ClinicalTrials.gov, sob o título: “Estudo para avaliar a segurança e os efeitos das células por injeção intravítrea na degeneração macular seca”. No entanto, sofreram complicações, incluindo o desprendimento de retina e hemorragia, que causaram perda total da visão.

Os autores afirmam que não havia nenhuma evidência para sugerir que o procedimento ajudaria a restaurar a visão, visto que há poucos estudos sobre a transformação de células-tronco derivadas de tecido adiposo em células da retina envolvidas na degeneração macular.

“Há muita esperança para as células-tronco, e esse tipo de clínicas atraem pacientes desesperados que acreditam que as células-tronco sejam a resposta. Mas, neste caso, essas mulheres participaram de um empreendimento clínico muito perigoso “, afirmou Thomas Albini, professor de oftalmologia clínica na Universidade de Miami e um dos autores do artigo.

Além do risco, as pacientes receberam injeções em ambos os olhos ao mesmo tempo, ao contrário do recomendável que seria testar primeiro o procedimento em um dos olhos para ver como reagem. Além disso, as pacientes tiveram que pagar, cada uma, cinco mil dólares pelo procedimento, o que é um sinal de fraude, visto que ensaios clínicos não cobram pela participação dos pacientes.

Jeffrey Goldberg, coautor do estudo e presidente de oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, descreveu o artigo como um “chamado à conscientização dos pacientes, médicos e agências reguladoras dos riscos desse tipo de pesquisa minimamente regulamentada e financiada por pacientes”.

“Embora numerosas terapias com células-tronco estejam sendo investigadas em instituições de pesquisa com supervisão regulatória apropriada, muitas clínicas de células-tronco estão tratando os pacientes com pouca supervisão e sem prova de eficácia”, alertou a publicação.

Para garantir que um teste clínico ou tratamento é confiável, o paciente deve verificar se ele está registrado nos órgãos governamentais que regulam a qualidade e uso de medicamentos. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (ANVISA) disponibiliza em sua página a relação de ensaios clínicos aprovados.

(Com AFP)
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Genes de células-tronco conseguem rejuvenescer animal idoso

Estudos como esse mostram que o envelhecimento não é um fenômeno necessariamente irreversível, mas um fenômeno biológico controlável


As células-tronco, além de poderem se diferenciar em qualquer tipo de células, exibem outra propriedade marcante: a capacidade de permanecerem jovens. Para compreender como isso ocorre é necessário entender que a estrutura dos cromossomos, que contêm os genes, sofre alterações com o decorrer do tempo, ou seja, assim como acontece com a nossa pele ou cabelos, os cromossomos também envelhecem.

Este envelhecimento é devido, em boa parte, a modificações do material cromossômico que é remodelado, das proteínas nas quais o DNA se encontra enrolado (essas proteínas são as histonas) e dos próprios genes que recebem radical metila que modificam seu potencial de expressão.

Estas modificações não acontecem na estrutura dos genes propriamente ditos, isto é, não são mutações. Conforme a alteração que ocorra numa determinada região do cromossomo, o DNA estará enrolado de forma mais justa ou mais frouxa, dificultando ou facilitando a atividade dos genes. Portanto, essas modificações que vão se acumulando ao longo da vida, tecnicamente denominadas como marcas ou modificações epigenéticas, têm a capacidade de modificar a eficiência do trabalho dos nossos genes.

Há mais de duas décadas se sabe que as marcas epigenéticas têm um papel relevante no envelhecimento. O que foi descoberto mais recentemente, é que a reativação de quatro genes que estão ativos apenas em células embrionárias é capaz de erradicar as marcas epigenéticas de células envelhecidas transformando-as em células jovens.

Em 2011, Laure Lapasset do Instituto de Genomica funcional de Montpellier reproduziu este experimento utilizando células humanas provenientes de indivíduos centenários, demonstrando que a ativação destes genes também rejuvenescia células humanas de qualquer idade. Até aqui, são experimentos feitos em células no laboratório.

Para verificar se a ativação controlada destes genes teria um efeito rejuvenescedor em um ser vivo inteiro, Izpisua Belmonte e colaboradores do Instituto Salk da Califórnia utilizaram camundongos portadores de Progeria.

A Progeria é uma doença rara, que também existe em seres humanos, caracterizado por um envelhecimento precoce e acelerado. Humanos quando acometidos por Progeria falecem de doença cardiovascular antes dos 20 anos de idade. O que os pesquisadores verificaram é que a ativação destes genes teve o efeito de retardar o envelhecimento destes animais aumentando seu tempo de vida em 33%.

Como, à medida que envelhecemos, nossa capacidade de reparar os tecidos declinam, os pesquisadores testaram a técnica em animais saudáveis de meia idade nos quais as células beta, responsáveis pela produção de insulina, haviam sido removidas e também em animais com lesão muscular provocada por veneno de cobra. Novamente, os pesquisadores demonstraram que a ativação desse conjunto de genes embrionários provocou uma melhor recuperação dos distúrbios metabólicos e uma recuperação mais rápida do tecido muscular.

Deste modo, essa pesquisa publicada na prestigiosa revista Cell no dia 15 de dezembro de 2016, estabelece uma prova de conceito pela qual, a ativação controlada de genes embrionários, levando à erradicação parcial das marcas epigenéticas pode provocar o rejuvenescimento de pelo menos, alguns órgão e tecidos.

É importante, contudo, lembrar que a erradicação das marcas epigenéticas pode reverter as células às suas características embrionárias e modificar sua capacidade reprodutiva, aumentando a possibilidade de ocorrência de tumores, notadamente os teratomas.

Apesar de estarem longe de poderem ser aplicadas como tratamento em seres humanos, estas pesquisas provam de maneira contundente que o envelhecimento não é um fenômeno necessariamente irreversível, mas sim um fenômeno biológico controlável. Pesquisas sobre os mecanismos de regulação do envelhecimento é que nos trarão as informações para que no futuro possamos realizar o sonho de prolongar a vida com qualidade.

Por Freddy Eliaschewitz
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Novo tratamento com células tronco “desliga” diabetes tipo 1

Célula beta originada de célula tronco, encapsulada em alginato para protegê-la do sistema imunitário do hospedeiro

Quem tem diabetes tipo 1 e precisa usar injeções de insulina não vê a hora de surgir um tratamento novo para a doença. Afinal de contas, essa forma de terapia não avançou muito nas últimas décadas. Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) trazem uma ótima notícia: um estudo mostra que células beta produtoras de insulina feitas a partir de células tronco humanas podem “desligar” a diabetes em ratos por até seis meses.

No pâncreas de uma pessoas saudável, conjuntos de células beta produzem insulina para balancear os níveis de açúcar no sangue. Quem tem o tipo 1 da doença tem essas células atacadas pelo próprio sistema imunológico e não consegue produzir o hormônio. Assim, esta é uma doença autoimune e atualmente incurável.

Em 2014, uma pesquisa anterior, da Universidade de Harvard (EUA), conseguiu criar novas células beta a partir das células tronco humanas. Essas células funcionaram perfeitamente em ratos diabéticos, mas logo o sistema imunológico deles destruía as células, assim como havia feito originalmente.

Avanço
Os pesquisadores do Instituto decidiram então tentar esconder as novas células beta do sistema imunológico do paciente. Para fazer isso, eles usaram cápsulas feitas de alginato, material que vem das algas marrons, para proteger as células. O escudo, porém, não durava muito tempo e logo era atacado.
Fizemos variações de alginato ao anexar diferentes pequenas moléculas à cadeia maior”, explica o pesquisador principal, Arturo Vegas. A equipe esperou que pelo menos uma das 800 variações poderia camuflar as células beta do sistema imunológico.

Por sorte, uma variante mostrou-se eficaz tanto em ratos quanto em primatas, e as novas células beta começaram a produzir insulina apenas alguns dias depois do transplante. Os níveis de açúcar no sangue dos animais continuaram normais por 174 dias.
O próximo passo é testar a técnica em humanos, mas isso só deve acontecer depois de mais testes em outros primatas. Se tudo der certo (e torcemos para que dê), injeções de insulina podem se tornar uma coisa do passado. [MIT News, IFL Science]

fonte:http://hypescience.com/novo-tratamento-com-celulas-tronco-desliga-diabetes-tipo-1
por: Juliana Blume
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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Nova descoberta muda todo o conhecimento existente sobre a produção do sangue no corpo humano!


Cientistas pesquisadores de células-tronco mudaram o conhecimento atual sobre a produção do sangue humano dentro do corpo, abrindo o caminho para novos estudos e tratamentos.

As conclusões do pesquisador principal, John Dick, e sua equipe da Universidade de Toronto, no Canadá, desafiam ideias que estão em vigor desde 1960.

A nova pesquisa, publicada na revista Science, sugere que o sangue é formado em menos etapas do que se acreditava anteriormente. Evidências anteriores indicaram que células-tronco passam por várias etapas intermediárias antes de se tornarem células adultas brancas ou vermelhas. Dick e sua equipe acreditam que o processo é muito mais rápido e mais simples, embora seus resultados ainda precisem ser confirmados por pesquisadores independentes.

“Uma série de experimentos foi capaz de resolver definitivamente como os diferentes tipos de células do sangue formam-se rapidamente a partir da célula-tronco, a célula sanguínea mais potente no sistema. Seria como passar do mundo da televisão em preto-e-branco para o de alta definição", disse Dick.

A equipe de pesquisadores também provou que o sistema de sangue possui dois níveis, variando entre o desenvolvimento humano precoce e a idade adulta. Até agora, acreditava-se que o sistema permanecia estável uma vez formado. Cerca de 3.000 células diferentes foram analisadas ​​como parte da pesquisa, feita por voluntários de várias idades, e os resultados poderiam abrir o caminho para terapias personalizadas e tratamentos no futuro. "A nossa descoberta significa que poderemos compreender muito melhor uma grande variedade de doenças humanas de sangue e outras, como anemia, onde não há células sanguíneas suficientes e leucemia, onde há muitas células sanguíneas", explicou o pesquisador.

Como o processo parece diferir quando os bebês ainda estão no útero, a pesquisa também pode ajudar a desvendar as causas de alguns tipos de câncer infantil e outras mutações biológicas. Além do mais, as descobertas poderiam, um dia, nos permitir fabricar glóbulos em um laboratório, podendo, em última análise, salvar as vidas de pacientes à espera de transfusões de sangue, caso nenhum doador humano adequado possa ser encontrado a tempo. A pesquisa baseia-se em trabalhos anteriores de Dick, de 25 anos.

“Se este trabalho for replicado por outros grupos, os livros serão reescritos”, disse Larry Goldstein, da Universidade de San Diego, nos EUA, que não esteve envolvido no estudo. "Em primeiro lugar, há uma grande mudança na forma como as células do sangue são construídas, do feto ao estágio adulto, e as relações da linhagem adulta são completamente diferentes do que pensávamos. É o tipo certo de análise e depende de marcadores de superfície. O que a gente conhecia sempre pareceu suspeito, e a metodologia parece boa, de um grupo com uma excelente reputação”, acrescentou Goldstein.

Science Alert Foto: Reprodução / Site do Bem
fonte:jornalciencia.com
por Bruno Rizzato
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Grupo investiga genes que dão às células tumorais características de células-tronco

Pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) estão estudando um grupo de genes humanos que, quando expressos em tumores malignos, conferem às células tumorais propriedades semelhantes às de células-tronco, tornando-as mais agressivas e resistentes ao tratamento.

Experimentos in vitro foram feitos com linhagens de meduloblastoma, o tipo de câncer cerebral mais comum em crianças. Resultados recentes foram publicados nas revistas Stem Cells and Development e Cancer Science. (imagem: Wikimedia Commons)

“Esses genes, quando expressos, não são simples marcadores de um pior prognóstico. Eles contribuem ativamente para a agressividade tumoral. São, portanto, alvos terapêuticos a serem explorados”, afirmou Oswaldo Keith Okamoto, professor do IB-USP e membro do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEHG-CEL), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.

O grupo coordenado por Okamoto tem se dedicado a investigar o papel de quatro genes que codificam fatores relacionados à pluripotência: OCT4, L1TD1, LIN28 e miR-367. Este último, em vez de uma proteína, codifica um microRNA (pequeno pedaço de RNA que não contém informação para a produção de proteína mas tem papel regulatório no genoma).

De acordo com o pesquisador, esses quatro genes deveriam estar predominantemente expressos em células-tronco embrionárias existentes na primeira semana após a fecundação.

“Nesta fase, o embrião é formado por uma estrutura conhecida como blastocisto e, dentro dela, existe uma massa de células-tronco embrionárias que expressam fatores relacionados à pluripotência importantes para essa etapa do desenvolvimento”, explicou.

No entanto, análises de bancos de dados de expressão revelaram que esses mesmos genes frequentemente encontram-se expressos em amostras de meduloblastoma, conferindo às células tumorais algumas propriedades de células-tronco, como alta capacidade de autorrenovação (gerar novas células-tronco semelhantes) e de disseminação pelo corpo.

Estudos anteriores do grupo de Okamoto já haviam mostrado que a presença desse tipo de célula-tronco tumoral está correlacionada a uma menor sobrevida do paciente e a um maior risco de metástase.

“Diversos estudos foram feitos nos últimos 15 anos para compreender o papel dessas células-tronco tumorais, que já foram observadas em diversos tipos de câncer, entre eles mama e próstata. Elas são relevantes do ponto de vista clínico, pois são mais tumorigênicas, têm maior capacidade de autorrenovação, grande capacidade de se espalhar pelo corpo e colonizar sítios a distância e são mais resistentes ao tratamento”, disse Okamoto.

Segundo o pesquisador, ainda não se sabe ao certo como as células-tronco tumorais surgem. Existe a possibilidade de elas serem resultado da transformação maligna de uma célula-tronco normal. Outra hipótese é a de que uma célula já maligna ganhe novas alterações genéticas que lhe conferem características típicas de célula-tronco.

“Para alguns tumores de origem embrionária, como é o caso do meduloblastoma, acredita-se que ao longo do processo de maturação dos órgãos alguns genes que estão ativos nas células-tronco embrionárias e deveriam ser desligados ao longo do desenvolvimento do embrião, por algum motivo, não são. Isso impediria que essas células se diferenciassem de maneira adequada. Se elas se tornarem instáveis geneticamente, podem dar origem a um tumor. É uma hipótese plausível”, disse Okamoto.

Experimentos

Durante o pós-doutorado de Márcia Cristina Teixeira dos Santos, realizado com Bolsa da FAPESP, foi investigado mais profundamente o papel do gene L1TD1.

Usando uma técnica conhecida como RNA de interferência, que consiste em usar pequenas moléculas de RNA não codificadoras de proteínas capazes de se ligar ao RNA mensageiro do gene-alvo e interromper sua expressão, o grupo silenciou em duas linhagens de meduloblastoma o L1TD1 para ver se o procedimento afetava alguma propriedade importante para a agressividade tumoral.

Cerca de 48 horas após o silenciamento, sem qualquer outro tipo de intervenção, apenas 50% das células tumorais ainda permaneciam viáveis. Após 96 horas, cerca de 80% das células já estavam mortas.

A capacidade de migração e de invasão celular, essencial para a geração de metástase, caiu para menos da metade nesse período. Também foi observada redução nas taxas de proliferação e na resistência à morte por apoptose (uma espécie de suicídio celular).

Em outro ensaio, os pesquisadores observaram que o silenciamento do L1TD1 tornou as células tumorais mais sensíveis ao tratamento com quimioterápicos. Uma dose que normalmente seria suficiente para matar 40% das células em cultura conseguiu matar cerca de 70% após o procedimento.

Na avaliação de Okamoto, porém, o resultado mais interessante foi o obtido no ensaio de geração de neuroesferas.

“Quando isolamos células-tronco neuronais normais e as cultivamos em laboratório, elas crescem formando estruturas conhecidas como neuroesferas. Normalmente, o mesmo acontece quando cultivamos as células-tronco tumorais de meduloblastoma. Mas, quando silenciamos o L1TD1, a capacidade de gerar as neuroesferas diminuiu cerca de 75%”, contou o pesquisador.

Estudos anteriores já haviam mostrado que, quanto maior é a capacidade de células tumorais gerarem neuroesferas, mais agressivo é o tumor e menor é a sobrevida do paciente.

“Observamos ainda que o silenciamento do gene diminuiu a expressão de proteínas que são marcadores típicos de células-tronco neuronais, como a CD133 e a nestina. Existe, portanto, uma correlação direta entre a expressão desse gene com a aquisição de propriedades típicas de células-tronco. Por inferência, acreditamos que esse gene é importante para a proliferação do tumor e para a resistência às drogas quimioterápicas”, disse Okamoto.

Em outro trabalho, realizado durante o mestrado de Carolini Kaid Dávila, também com apoio da FAPESP, o foco foi o microRNA miR-367. Mas desta vez, em vez de silenciar o gene, os pesquisadores induziram uma superexpressão.

“Nas linhagens de meduloblastoma com as quais trabalhamos, o miR-367 é pouco expresso. Silenciá-lo provavelmente não teria muito impacto. A superexpressão, por outro lado, ajuda a ressaltar seu efeito e torná-lo visível”, explicou Okamoto.

Para isso, o grupo injetou diretamente nas células tumorais moléculas de microRNA sintéticas que mimetizam a sequência de nucleotídeos encontrada no miR-367.

“Esse microRNA sintético tem a mesma sequência do original, mas algumas pequenas alterações químicas que tornam a molécula mais estável dentro da célula, então ela permanece tempo suficiente para observarmos o efeito”, explicou.

O método foi aplicado em quatro linhagens de meduloblastoma e em todas, em maior ou menor grau, foi observado aumento na proliferação e na capacidade de invasão de tecidos.

Para Okamoto, no entanto, o resultado mais significativo foi novamente a capacidade de geração de neuroesferas. “Variou de linhagem para linhagem, mas em alguns casos chegou a dobrar. Essas neuroesferas expressavam os marcadores típicos de células-tronco neuronais, como as proteínas CD133 e nestina”, disse.

O pesquisador ressalta que em nenhum dos trabalhos do grupo foi alterada a expressão de mais de um gene simultaneamente.

“Modificar a expressão de um único gene relacionado à pluripotência foi o suficiente para alterar significativamente o potencial agressivo do tumor. Portanto, acreditamos que interferir em L1TD1 ou qualquer outro desses seria uma boa estratégia para diminuir a resistência a drogas e inibir recidivas tumorais”, concluiu.

O artigo Embryonic Stem Cell-Related Protein L1TD1 Is Required for Cell Viability, Neurosphere Formation, and Chemoresistance in Medulloblastoma (DOI: 10.1089/scd.2015.0052) pode ser lido por assinantes da Stem Cells and Development em online.liebertpub.com/doi/10.1089/scd.2015.0052http://online.liebertpub.com/doi/10.1089/scd.2015.0052.

O artigo miR-367 promotes proliferation and stem-like traits in medulloblastoma cells (DOI: 10.1111/cas.12733), pode ser lido por assinantes da Cancer Science em onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cas.12733/abstract;jsessionid=28951E53F5B1818717BE479F7D4A3AB1.f01t02.

fonte:agencia.fapesp.br
por Karina Toledo | Agência FAPESP
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Transplante de células tronco é esperança contra diabetes tipo 1


Várias pessoas que se submeteram ao tratamento de transplante de células tronco conseguiram sobreviver sem injeções de insulina por até dois anos e meio. Depois o tratamento tradicional teve que ser retomado.
A técnica foi usada em 23 pessoas até agora – diagnosticadas com o tipo 1 de diabetes.
Após o transplante de células-tronco, 20 dos 23 pacientes tornaram-se livres da insulina por, pelo menos, alguns meses ou anos. A média foi de 31 meses.

E, apesar do que pode parecer, essa não é uma pesquisa (pelo menos não completamente) estrangeira. Todos os transplantes foram feitos em um hospital brasileiro.

De acordo com Richar Burt, um dos pesquisadores, os resultados são muito encorajadores. “Mas é necessário um estudo maior. Eu nunca disse a palavra ‘cura’ relacionada a diabetes, mas temos que esperar para ver os resultados no final das pesquisas” explica Burt.
Há aqueles que não aprovam o tratamento. Como o Dr. Mohamed El-Shahawy, um nefrologista, que afirma que o tratamento é muito arriscado. “Os pacientes são expostos a um tipo de tratamento cuja eficácia não foi comprovada” afirma.

A afirmação do médico vem da possibilidade de que, quando é feito um transplante de células tronco da própria pessoa, o sistema imunológico dela possa ser “resetado”. Então o paciente precisa passar por quimioterapia. Mas, quando isso ocorre, o sistema pode fazer com que as células produtoras de insulina do pâncreas se regenerem e voltem a funcionar.

De acordo com Christopher D. Saudek, da Johns Hopkins University School of Medicine, em Baltimore, não há cura para a diabete 1 e nem para a diabete 2, mas isso não quer dizer que os pacientes não possam fazer uso das terapias disponíveis atualmente.
“Um grande nível de mortalidade e da redução da qualidade de vida dos pacientes pode ser evitado, se as pessoas se tratarem corretamente, mesmo com as terapias disponíveis atualmente” explica Saudek. “Os resultados dos transplantes realmente são intrigantes e merecem mais investigação” completa. [WSJ]

Um video sobre diabetes tipo 1 e remissão com terapia de células-tronco:


fonte:http://hypescience.com/
por Cezar Ribas
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Células-tronco: técnica pioneira as usa para regenerar osso, curar fraturas e evitar a amputação

Anan Shetty

Células-tronco são a chave para a cura de muitos males. Prova disso é essa nova e incrível técnica desenvolvida ao longo de 10 anos de estudos e pesquisas pelo professor Anan Shetty, diretor-adjunto de Cirurgia Minimamente Invasiva da Universidade Medway (Reino Unido), em colaboração com o professor Seok-Jung Kim, da Universidade Católica da Coreia do Sul.

A técnica
O processo inclui retirada de medula óssea a partir da pélvis do paciente. Depois, utilizando uma centrífuga, as células-tronco são isoladas e misturadas com um gel de colágeno preparado especialmente para esse procedimento. O resultado dessa mistura é então injetado no local da fratura do osso através de uma cirurgia minimamente invasiva.

As células-tronco penetram no local provocando a regeneração do osso. Assim, ele cresce como novo durante um período de tempo de ligação da fratura não cicatrizada.

A importância dessa nova técnica
De acordo com o professor Shetty, um dos desenvolvedores da nova técnica, a cada ano, cerca de 350.000 pacientes da Inglaterra e do País de Gales dão entrada em hospitais para tratarem fraturas. De 5 a 10% destas fraturas não são curadas porque o rompimento foi muito grave e a diferença entre os ossos é mais do que dois centímetros. Esses casos geralmente requerem vários procedimentos cirúrgicos e, ocasionalmente, a amputação do membro.

O professor Shetty também explica que, como sabemos, as células-tronco nos permitem fazer crescer qualquer parte do corpo, pois elas são, essencialmente, células inteligentes prontas para se tornarem qualquer coisa. Contudo, elas precisam de um sinal para iniciar o processo regenerativo e formar um determinado tipo de tecido, como ossos ou cartilagens. A dificuldade com o implante de células-tronco em um local da fratura é, justamente, que o osso não tem os sinais químicos necessários para que isso aconteça.

E é aí que aquele gel especial de colágeno que falamos entra. Demorou cerca de 5 anos para que ele fosse desenvolvido, mas todo esse tempo valeu a pena. Quando misturado com as células-tronco colhidas do próprio paciente para formar a mistura injetada na lesão, ele dá o sinal que essas células precisam para regenerar os tecidos e fazer os ossos crescerem para curar a fratura.

A operação para a aplicação dessa mistura de gel de colágeno e células-tronco é realizada sob anestesia geral. Demora cerca de 30 minutos e o paciente recebe alta para ir para casa no mesmo dia.

Evita amputações
Ainda de acordo com o professor Shetty, “as opções médicas tradicionais disponíveis para tentar curar esses tipos de fraturas são muito complicadas”, e utilizam enxertos de ossos e estruturas de metal com pinos e parafusos na perna. Assim os pacientes podem sentir muita dor e pode levar meses, até anos, para tentar curar a fratura e, mesmo assim, a única opção que normalmente é deixada para o paciente, caso a fratura não se cure, é a amputação.

Com esse novo procedimento, simples e minimamente invasivo – especialmente quando comparado com técnicas tradicionais -, os pacientes são capazes de caminhar quase que imediatamente após a operação e o tempo de recuperação é quase metade do necessário com métodos tradicionais. Todo o procedimento custa cerca de R$ 11 mil, que é consideravelmente menos do que as centenas de milhares de reais que custa uma amputação, se contarmos com as próteses e cuidados contínuos exigidos depois do procedimento.

“No momento, este procedimento está apenas sendo usado para fraturas complicadas que não cicatrizam, mas não há nenhuma razão para que esta técnica não possa ser usada para todas as fraturas no futuro, reduzindo o tempo necessário para a cura”, prevê Shetty.

Quem já se beneficiou da nova técnica
Até o momento, o professor Shetty realizou o novo procedimento em seis pacientes no Reino Unido, quatro na Índia e 20 na Coréia do Sul, com o professor Kim. O mais incrível é que obteve uma taxa de sucesso de 95%. Um desses pacientes é Clive Randell, de Kent, Reino Unido, que depois de quase dois anos de sofrimento, dor extrema e inúmeros procedimentos na tentativa de curar uma fratura na perna que sofreu em um acidente de moto, foi confrontado com a única opção que restava: a amputação.

Depois de pesquisar na internet por “como salvar minha perna”, ele encontrou o trabalho do professor Shetty e entrou em contato com ele por e-mail. Quando se conheceram, Shetty disse que poderia salvar a perna de Clive. Ele disse que quase não podia acreditar, mas naquele ponto, estava preparado para tentar qualquer coisa.

“Quando saí da operação, o professor Shetty me pediu para colocar todo o peso apenas na perna machucada, o que me chocou completamente e para ser honesto me assustou, porque eu tinha passado quase dois anos incapaz de colocar qualquer peso sobre a perna. Mas ele estava determinado e então eu fiz o que ele pediu, e para minha surpresa a perna não cedeu. Eu estava em casa em poucas horas e voltei a andar em poucas semanas”, conta Clive.

Ele também relatou que a cirurgia de células-tronco do professor Shetty é rápida mesmo e quase indolor. Randell torce para que mais pessoas possam se beneficiar dessa incrível técnica. [Medicalxpress]

fonte:http://hypescience.com/celulas-tronco/
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Pesquisa que revolucionou obtenção de célula-tronco está sob investigação

Resultado tinha sido recebido com entusiasmo pela comunidade científica.
Estudo propunha método simples e barato de obtenção de célula-tronco.

Imagem que mostra feto de camundongo gerado com células STAP foi contestada por cientistas (Foto: Haruko Obokata/Divulgação)

Uma pesquisa japonesa publicada no final de janeiro na revista "Nature" - que anunciou a descoberta de um método extremamente simples para transformar células maduras em células pluripotentes - está sob investigação.

Os resultados do estudo foram recebidos com entusiasmo pela comunidade científica, pois as células pluripotentes têm um grande potencial terapêutico, podendo se transformar em quase qualquer outro tipo de célula do corpo humano.

Se, antes, se acreditava que a obtenção desse tipo de célula a partir de células maduras só era possível por meio de complexos processos de manipulação genética, o estudo concluiu que a simples exposição dessas células a um ambiente ácido faria com que elas obtivessem o caráter pluripotente. Os cientistas chamaram esse novo método de reprogramação celular de Aquisição de Pluripotência Desencadeada por Estímulo (STAP, na sigla em inglês)

A investigação está sendo conduzida pelo Centro de Biologia do Desenvolvimento Riken, no Japão, onde trabalha a principal autora dos dois artigos que descrevem a técnica revolucionária, a bióloga Haruko Obokata.

A técnica proposta por Haruko foi posta em dúvida depois que cientistas encontraram problemas em algumas imagens do trabalho, que aparentam estar duplicadas, e também depois que outros cientistas relataram não terem conseguido reproduzir os resultados.
O anúncio de que o trabalho está sob investigação foi tema de reportagem da própria "Nature", que publicou os artigos originais.
Apesar dos relatos de que vários pesquisadores não conseguiram chegar ao mesmo resultado que o grupo japonês, mesmo seguindo os passos descritos nos artigos, cientistas ouvidos pela "Nature" ponderam que é prematuro emitir qualquer julgamento.

A pesquisadora Haruko Obokata não tem respondido aos pedidos de entrevista nem aos e-mails com dúvidas sobre o trabalho enviados por seus colegas cientistas. Outros pesquisadores que participaram do estudo afirmaram que os erros em relação às imagens podem ter resultado de uma "confusão" e que não comprometem o resultado final do trabalho, segundo declarações dadas à "Nature".

fonte:http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/02/pesquisa-que-revolucionou-obtencao-de-celula-tronco-esta-sob-investigacao.html
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Esperança para terapia celular: cadáveres podem prover células-tronco


A terapia celular começou a ser estudada muito tempo atrás, história que foi contada recentemente no anúncio do Prêmio Nobel de Medicina de 2012 a John B. Gurdon e Shinya Yamanaka.
Com o potencial de usar uma célula-tronco saudável para substituir outra célula danificada, a terapia celular pode ter inúmeras aplicações, como reconstruir membros perdidos ou sarar o músculo cardíaco após um infarto.

Células-tronco são células estaminais pluripotentes presentes em um embrião nos primeiros dias após a concepção, e podem ser transformadas em quaisquer células existentes no organismo adulto: células nervosas, musculares, do fígado, etc.
Baseado nessa explicação resumida, você já deve ter percebido que essas células estaminais não são exatamente as coisas mais fáceis de se conseguir. Se o aborto já é um tema polêmico por si só, “violar” um embrião para estudar células-tronco

foi o foco da controvérsia por um bom tempo, até que ficou provado que células adultas poderiam ser “reprogramadas” para “voltarem” a serem “células estaminais”, capazes de formar qualquer tecido (essa foi a descoberta que deu o Nobel aos pesquisadores).

Ainda assim, a pesquisa com humanos precisa ser cautelosa. No caso do Nobel, os estudos científicos vencedores foram feitos com animais. Usar cobaias vivas poderia mesmo levantar questões éticas e preocupações, já os mortos… já estão mortos.

Cadáveres têm células vivas
Muito tempo depois de nossos sinais vitais cessarem, pequenas bolsas de células vivem por dias, até semanas.
Um estudo neurocientífico do Instituto Lieber para o Desenvolvimento Cerebral em Baltimore (EUA) conseguiu colher essas células vivas dos escalpos e dos cérebros de cadáveres humanos (mortos há dias) e reprogramá-las em células-tronco.
Em outras palavras: pessoas mortas podem produzir células vivas que podem ser convertidas em qualquer célula ou tecido do corpo. Sendo assim, esse incrível avanço poderia ajudar a tornar disponível de uma vez por todas a terapia celular.
Além disso, o estudo pode lançar luz sobre uma variedade de transtornos mentais, como autismo, esquizofrenia e transtorno bipolar, que podem decorrer de problemas com o desenvolvimento cerebral.

A pesquisa
Células maduras podem ser induzidas a se tornarem células imaturas, conhecidas como células estaminais pluripotentes.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que este mesmo processo pode ser realizado com os chamados fibroblastos, retirados da pele de cadáveres humanos.
Os fibroblastos são as células mais comuns do tecido conjuntivo nos animais, e sintetizam a matriz extracelular, as “bases” complexas entre as células.

Fibroblastos coletados de cadáveres podem ser reprogramados em células-tronco pluripotentes induzidas, utilizando produtos químicos conhecidos como fatores de crescimento que estão relacionados com a atividade das células-tronco.
As células reprogramadas podem então desenvolver-se em uma grande variedade de tipos de células, incluindo neurônios encontrados no cérebro e na medula espinhal.

Mas há uma dificuldade: bactérias e fungos na pele podem causar estragos no cultivo das células em laboratórios, tornando o processo complicado.
Nesse estudo, os cientistas coletaram fibroblastos dos escalpos e dos cérebros de 146 doadores humanos de cérebro para estudo científico, e cresceram células-tronco pluripotentes induzidas a partir deles.
Os corpos estavam mortos de 10 horas a dois dias antes dos cientistas coletarem as amostras, e os cadáveres tinham sido mantidos sob refrigeração no necrotério, mas não congelados.

Os pesquisadores descobriram que os fibroblastos retirados do revestimento do cérebro ou da dura-máter eram 16 vezes mais propensos a crescerem com sucesso do que os retirados do couro cabeludo. Isto era esperado, uma vez que o couro cabeludo é propenso à contaminação por fungos e bactérias.

Surpreendentemente, as células do couro cabeludo se proliferaram mais e cresceram mais rapidamente do que as células da dura-máter. “Isso faz sentido – a pele está em constante renovação, enquanto esse processo na dura-máter é muito mais lento”, disse Thomas Hyde, neurologista e neurocientista que participou do estudo.

Aplicações
Segundo os pesquisadores, cadáveres podem fornecer tecidos do coração, cérebro e outros órgãos para estudo que os pesquisadores não podem obter de forma segura a partir de pessoas vivas.
“Por exemplo, podemos comparar os neurônios derivados de fibroblastos com neurônios reais do mesmo indivíduo”, disse Hyde. “Isso nos diz quão confiável um determinado método para derivar neurônios a partir de fibroblastos é. Isso pode ser crucial se, por exemplo, quisermos criar neurônios que produzem dopamina para tratar alguém com Parkinson”.

Estudar como as células-tronco pluripotentes induzidas se desenvolvem em vários tecidos diferentes também pode lançar luz sobre distúrbios causados por problemas de desenvolvimento.
“Estamos muito interessados nos principais distúrbios neuropsiquiátricos como esquizofrenia, transtorno bipolar, autismo e retardo mental”, disse Hyde. “Ao compreender o que se passa de errado com as células cerebrais nestes indivíduos, poderíamos ajudar a corrigi-las”.[LiveScience, ABCNews]

fonte:http://hypescience.com/esperanca-para-terapia-celular-cadaveres-podem-prover-celulas-tronco/
por Natasha Romanzoti
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Implante de células animais em humanos é aprovado pela primeira vez


Pela primeira vez, um xenotransplante foi aprovado: o implante de células animais para o corpo humano. Autoridades russas consentiram o tratamento no país, realizado em pacientes de diabetes tipo 1.

A diabetes tipo 1 ocorre quando as células produtoras de insulina do pâncreas são destruídas. Sendo assim, as pessoas que sofrem da condição têm que injetar insulina em sua corrente sanguínea para regular seus níveis de glicose. Isso pode causar oscilações de açúcar no sangue, que por sua vez podem levar a outras complicações.

O xenotransplante russo envolve a inserção de células produtoras de insulina de porcos, revestidas com uma capa protetora, no pâncreas humano, a fim de substituir as células nativas esgotadas lá.
O tratamento reduz a necessidade de injeções de insulina. A camada protetora de algas marinhas evita que o sistema imunológico do paciente ataque as células animais “estrangeiras”.

Apesar de ser aprovado na Rússia, o tratamento foi desenvolvido pela Living Cell Technologies, na Nova Zelândia. Nos testes realizados até agora, o tratamento se saiu razoavelmente bem. Seis dos oito pacientes diabéticos apresentaram melhora e foram capazes de reduzir as suas injeções diárias de insulina. Dois deles absolutamente não precisaram mais de injeções. [POPSCI]

fonte:http://hypescience.com/implante-de-celulas-animais-em-humanos-e-aprovado-pela-primeira-vez/
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Células-tronco podem ser a cura da calvície no futuro

Fios de cabelo (setas) formados por células-tronco pluripotentes induzidas ,derivadas de células-tronco epiteliais

A ideia de usar de células-tronco para inverter a queda de cabelo ao regenerar folículos capilares não é nova. No entanto, até agora, ninguém tinha conseguido criar um número suficiente de células estaminais geradoras de folículos.
Entra Xiaowei “George” Xu, da Universidade da Pensilvânia (EUA), e seus colegas, que inventaram um método para converter células adultas em células-tronco epiteliais, a primeira vez que alguém conseguiu esse feito em seres humanos ou ratos.

As células estaminais epiteliais, quando implantadas em ratos imunocomprometidos, regeneraram diferentes tipos de células da pele humana e folículos de cabelo, e ainda produziram haste capilar estruturalmente reconhecível, levantando a possibilidade de que podem, eventualmente, permitir a regeneração do cabelo em seres humanos.

Xu e sua equipe, que inclui pesquisadores dos departamentos de Dermatologia e Biologia da Universidade da Pensilvânia, bem como do Instituto de Tecnologia de New Jersey (EUA), começaram com células da pele humanas chamadas fibroblastos dérmicos.
Ao adicionar três genes, as células foram convertidas em células induzidas pluripotentes estaminais (iPSCs, na sigla em inglês), que têm a capacidade de se diferenciar em todos os tipos de células do corpo.

Os pesquisadores, então, as converteram em células-tronco epiteliais, normalmente encontradas na base dos folículos pilosos.
Eles usaram procedimentos que outras equipes de pesquisa já haviam trabalhado para fazer a conversão das iPSCs. Controlando cuidadosamente os fatores de crescimento das células, Xu mostrou que podia forçá-las a gerar um grande número de células-tronco epiteliais. No estudo, o protocolo da equipe conseguiu transformar mais de 25% das iPSCs em células estaminais epiteliais em 18 dias.
Quando os pesquisadores misturaram as células obtidas no estudo com células dérmicas indutivas de folículos de ratos e enxertaram a mistura na pele de animais imunodeficientes, estes produziram epiderme funcional (as camadas mais externas de células da pele) e folículos estruturalmente semelhantes aos folículos capilares humanos.

“Esta é a primeira vez que alguém fez quantidades escaláveis de células-tronco epiteliais que são capazes de gerar o componente epitelial dos folículos pilosos”, disse Xu. Segundo ele, essas células têm muitas aplicações potenciais, como cicatrização de feridas, produtos cosméticos e regeneração do cabelo.
Dito isto, as células-tronco epiteliais do estudo ainda não estão prontas para uso em seres humanos.
Um folículo piloso contém células epiteliais, um tipo de célula que reveste os vasos e cavidades do corpo, assim como um tipo específico de célula-tronco adulta chamada de papila dérmica. “Quando uma pessoa perde cabelo, perde os dois tipos de células. Resolvemos um grande problema, o componente epitelial do folículo piloso. Precisamos descobrir uma maneira de também fazer novas células papilas dérmicas, e ninguém solucionou essa parte ainda”, explica Xu.

Além do mais, o processo que os pesquisadores usaram para criar iPSCs envolve a modificação genética de células humanas com genes que codificam proteínas oncogênicas (e podem levar a tumores), e por isso precisa de mais refinamento. No entanto, não só Xu, mas outras equipes estão trabalhando com células-tronco e regeneração do cabelo, por isso talvez não demore para uma solução comercial ser criada. [MedicalXpress]

fonte:http://hypescience.com/celulas-tronco-podem-ser-a-cura-da-calvicie-no-futuro/
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