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sábado, 14 de abril de 2018

Chá de canela aborta? Veja como esse chá atua no corpo

O efeito termogênico responsável pela perda de peso também pode elevar a pressão arterial, o que prejudica a gestação

O chá de canela é uma bebida natural que serve para diversos tratamentos homeopáticos e ainda faz muito bem para o organismo. Mas apesar de ser algo tão saudável, o consumo da erva pode prejudicar a gestação.

As grávidas precisam prestar mais atenção em tudo aquilo que consomem. E é preciso também ficarem atentas, inclusive, para as coisas naturais que são ingeridas.

O chá de canela é muito usado graças ao seu poder de emagrecimento. Mas o efeito termogênico responsável pela perda de peso também pode elevar a pressão arterial, o que prejudica a gestação.

Foto: depositphotos

Normalmente, as mulheres que estão grávidas estão mais propícias a sofrerem de picos na pressão arterial. A ingestão da erva pode agravar ainda mais esse problema e levar a gestante a sofrer com o aborto ou a má formação do feto.

Fora os problemas com a pressão, o consumo do chá de canela também pode provocar contrações uterinas e hemorragia, aumentando ainda mais as chances da perda do feto.

Caso não haja aborto, quando a mulher consome o chá de canela na gestação, as chances do filho nascer com problemas de déficit de atenção, comportamento agressivo e hiperatividade ficam ainda maiores.

De acordo com um estudo publicado no American Journal of Epidemiology, a canela possui propriedades que afetam diretamente o sistema neurológico das crianças.

Já quem não está passando pelo processo de gestação, pode consumir normalmente a bebida. O chá de canela é recomendado para auxiliar e tratar problemas na saúde, como gripe, resfriados, infecções, controla o colesterol e insulina e combate os radicais livres.

A ação termogênica da bebida é responsável por acelerar o metabolismo, o que ajuda a fazer com que o organismo queime gordura. Por isso, o chá de canela é constantemente usado para quem deseja perder peso.

Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

sábado, 12 de agosto de 2017

Super-vitamina pode prevenir abortos e má-formação em fetos


Um simples suplemento vitamínico pode ter o potencial de prevenir abortos espontâneos e defeitos congênitos, de acordo com um estudo de 12 anos realizado por cientistas na Austrália. Os pesquisadores identificaram uma deficiência em uma molécula de desenvolvimento chamada NAD que pode impedir que os órgãos de um bebê se formem corretamente no útero – mas o déficit pode ser corrigido por mulheres grávidas que tomam a vitamina B3, que pode prevenir uma série de defeitos congênitos.

É a primeira vez que a NAD (dinucleótido de nicotinamida e adenina) é associada a anormalidades congênitas, identificando uma causa de defeitos congênitos anteriormente desconhecida – juntamente com o suplemento que pode tratar o problema. “As ramificações provavelmente serão enormes”, diz a geneticista de desenvolvimento Sally Dunwoodie, do Victor Chang Institute.”Isso tem o potencial de reduzir significativamente o número de abortos espontâneos e defeitos congênitos em todo o mundo”.
A equipe de Dunwoodie começou sua pesquisa em 2005, quando eles se depararam com o caso de um bebê com grandes defeitos no coração, espinha dorsal e costelas. Uma análise genômica revelou que ambos os pais carregavam uma mutação em um gene envolvido na produção de NAD – uma molécula vital que contribui para a produção de energia, reparo do DNA e comunicação celular.

Vários anos depois, os pesquisadores encontraram uma mutação similar que afeta a produção de NAD na família de outro bebê nascido com problemas congênitos. “Esse foi o nosso momento Eureka”, conta Dunwoodie. Ao todo, a equipe examinou dados genéticos de 14 famílias cujos filhos apresentavam defeitos de nascimento congênitos e achou que as mutações de NAD estavam presentes em quatro delas.

Para testar possíveis mecanismos de tratamento, a equipe criou ratos com a mesma deficiência, usando a técnica de edição de genes CRISPR-Cas9.

Quando ratos fêmeas com a mutação deram à luz, muitos dos filhotes morreram ou nasceram com defeitos significativos -, mas as contrapartes alimentadas com dietas que incluíam suplementos B3 deram à luz filhotes mais saudáveis.

As dietas com pequenas quantidades de vitamina B3 produziram camundongos com menos anormalidades, e a alimentação rica no suplemento promoveu uma ninhada saudável de animais.

Até agora, só vimos esse resultado em animais – e a deficiência principal só foi estudada em quatro famílias humanas – então não devemos nos animar demais com as descobertas. Mas é um começo muito promissor, com potencial para produzir resultados que mudam a vida de milhares de famílias.

“Provavelmente, é a descoberta mais importante para mulheres grávidas desde o ácido fólico”, compara Dunwoodie, em referência à pesquisa histórica que mostrou que o ácido fólico poderia reduzir a incidência de espinha bífida e outros defeitos do tubo neural dos fetos.

A vitamina B3, também conhecida como niacina, geralmente é encontrada em carnes e vegetais verdes.
A pesquisa ainda é muito recente para os cientistas recomendarem qualquer tipo de dosagem específica. “No momento, a recomendação é tomar um multivitamínico padrão, mas todos somos diferentes e isso não impedirá que todas as mulheres tenham bebês com defeitos congênitos”, diz Dunwoodie. “Precisamos identificar as mulheres em risco e identificar um nível seguro de niacina para tomar para prevenir abortos espontâneos e defeitos congênitos”.

Para isso, os pesquisadores dizem que o próximo passo será o desenvolvimento de um teste de diagnóstico semelhante a um teste de gravidez, com amostragem de urina ou sangue, o que poderia facilmente mostrar quais mulheres poderiam ter baixos níveis de NAD. [Science Alert]

por Jéssica Maes
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Síndrome de Down é motivo para abortar?

Novos testes não invasivos tornam acessível e seguro o diagnóstico pré-natal. E grávidas têm optado por não ter bebês deficientes. Em países como a Dinamarca, praticamente não nascem mais crianças com o distúrbio

Toda vez que Philipp Peters encontra o irmão mais novo, é recebido com carinhosas boas-vindas: “Ele fica totalmente feliz de me ver, e mostra isso”, comenta.

Novos testes não invasivos tornam acessível e seguro o diagnóstico pré-natal

Seu irmão tem síndrome de Down, ou trissomia 21. Um distúrbio genético associado a retardo do desenvolvimento físico e deficiência intelectual entre leve a moderada. Mas há outros aspectos, e nem todos representam uma desvantagem.

– Os portadores da síndrome de Down são também incrivelmente cordiais – diz Peters, que trabalha na Lebenshilfe NRW. Organização do estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália engajada na inclusão dos deficientes na vida social.

O rapaz é querido pela família. “Tivemos uma relação fraternal bem normal”. Afirma Peters, confirmando a visão dos especialistas de que a maioria dos portadores da síndrome é capaz de uma vida feliz, além de um componente valioso da sociedade.

O argumento, entretanto, parece não impressionar grande parte das gestantes. Pois cada vez nascem menos crianças com trissomia 21. Estima-se que na Europa nove entre cada 10 mulheres decidem pelo aborto ao serem informadas de que o feto em seu útero porta a deficiência.

E atualmente é mais fácil do que nunca descobrir se o nascituro tem síndrome de Down. No novo exame pré-natal denominado teste triplo. O DNA do feto contido no sangue da mãe é indicador da probabilidade de trissomia 21. Caso se constate a presença de três cromossomos de número 21, em vez dos dois normais. O resultado pode ser então verificado através do exame do líquido amniótico. 

Método invasivo e mais arriscado.
Os diagnósticos pelo novo método são muito mais precisos do que os anteriores. Baseados no exame de sangue combinado à ultrassonografia. Mesmo assim, eles já resultaram num aumento dos abortos de fetos portadores de trissomia 21. Aponta Gert de Graaf, da holandesa Fundação Síndrome de Down.

Teste e aborto
Em 2003 as autoridades da Holanda estipularam que toda gestante do país deveria ser ativamente informada sobre a possibilidade de se submeter à triagem pré-natal da síndrome de Down. Através do teste combinado.

Desde então reduziu-se o número de bebês deficientes. Mas De Graaf ressalta que muitos casais preferem não participar do programa de triagem. Porque simplesmente não querem saber. “Para eles a trissomia 21 não é motivo de aborto, para início de conversa”, diz.

Embora apenas cerca de um terço das grávidas holandesas adote o teste. Calcula-se que, sem os abortos consequentes, nasceriam no país duas vezes mais portadores do distúrbio genético. Agora que os exames mais precisos e não invasivos estão amplamente disponíveis. É possível que mais mulheres se submetam à triagem. Com um aumento das gestações interrompidas.

O banco de dados europeu Eurocat, que monitora anomalias congênitas, revela na Alemanha cifras comparáveis às da Holanda. No total, a metade dos bebês com trissomia 21 não vem ao mundo. Pois os pais se decidem pelo aborto.

O número de crianças nascidas com a deficiência aparentemente depende muito de quantas gestantes se submetem à triagem. Na Dinamarca, por exemplo, o teste da síndrome de Down é grátis e cerca de 90% das futuras mães se submetem a ele. De acordo com De Graaf, há até “uma sutil pressão social para que se faça a triagem”.

Em consequência, hoje em não nasce praticamente nenhuma criança portadora da deficiência no país. Já nos Estados Unidos, onde o aborto não é tão amplamente aceito, os estudos mostram que apenas 67% das mulheres optam por interromper a gravidez quando é constatada a trissomia 21.

Dilema moral
Gert de Graaf gostaria que houvesse melhor informação sobre o distúrbio genético. “A síndrome de Down não é o desastre que as pessoas pensam. Eu não o consideraria razão para abortar”, diz, embora ressalvando que cada um deve ter a chance de decidir por si.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 3 mil e 5 mil crianças nascem anualmente com esse distúrbio dos cromossomos, apresentando problemas auditivos, cardíacos e intestinais, entre outros. No entanto, a expectativa de vida dos portadores cresceu muito nas últimas décadas, e cerca de 80% deles completam ou ultrapassam o 50º aniversário.

Compreendendo que as perspectivas futuras possam assustar as mães de um portador da trissomia, Florian Steger, perito em ética médica da Universidade de Ulm, apela para que a sociedade aja: “Não devemos deixar sozinha e sem ampara uma mãe de uma criança deficiente.”

Ele frisa que é prerrogativa de cada mulher decidir se quer participar da triagem pré-natal e se deseja abortar ou não. No entanto, cada uma é igualmente responsável por se informar e decidir “sem seguir cegamente o conselho alheio, seja de um médico, de sua mãe ou de outra pessoa”, ressalta o especialista.

Risco cresce com a idade
A chance atual de uma criança nascer com síndrome de Down é de um para 200, com as mães acima dos 30 ou 35 anos de idade portando risco bem maior do que as mais jovens.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, entre 1979 e 2003 cresceu em 30% o número de bebês portadores, possivelmente devido à tendência de postergar a gravidez para uma fase mais estável da vida.

Assim, há quem interprete as triagens pré-natais e os abortos como uma forma de se contrapor a esse incremento da deficiência na sociedade contemporânea. E De Graaf não nega: uma criança portadora significa muito trabalho.

– Tendo um filho com trissomia 21, a vida será diferente – admite, embora simultaneamente recordando que, mesmo sem a síndrome de Down, ninguém tem garantia total de uma descendência saudável.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Grávida pode comer canela?


Durante a gravidez, é comum que surjam muitas dúvidas. E para piorar, os boatos em relação ao que uma gestante pode ou não fazer são muito frequentes. Depois de ouvir um monte de histórias, as futuras mães se enchem de medo, mas nem tudo o que se diz por aí é verdade.

A canela é um dos temas polêmicos. Muita gente diz que o condimento é abortivo e, por isso, não pode ser consumido durante a gravidez. Mas será que isso é verdade? Vamos entender melhor a questão.

Canela durante a gravidez
O mito em torno do consumo da canela durante a gravidez deriva de uma de suas propriedades. Por estimular a circulação sanguínea, ela faz o coração bater mais rápido. Isso pode causar certo desconforto na gestante, mas não leva ao aborto.

Estudos mostram que o consumo da canela em altas quantidades pode sim ser prejudicial para as grávidas, mas para que houvesse, de fato, algum dano, seria preciso consumir mais canela do que qualquer pessoa come normalmente.

Será que canela faz mal para as grávidas?
A quantidade canela que usamos em nossa culinária é muito pequena. Além disso, ela quase sempre é triturada ou apenas deixada durante o cozimento para dar sabor. No final das contas, a dose de substâncias ativas é quase irrisória. Por isso, os médicos consideram que comer doces e outros pratos preparados com canela durante a gravidez não traz problemas algum.

Benefícios da canela para as gestantes
Além de não fazer mal, o consumo da canela pode até fazer bem. Como ela reduz a resitência à insulina, pode ajudar na prevenção do diabetes gestacional. Para obter esse benefício, basta polvilhar um pouquinho de canela em sobremesas, sucos e vitaminas. Não é preciso exagero e sempre vale a pena conversar antes com o médico que está acompanhando a gestação.

Chá de canela é abortivo?
Já comentamos antes aqui no blog sobre os possíveis efeitos abortivos do chá de canela. Não existe nada que comprove esse efeito, mas como o chá tem propriedades concentradas, o risco pode ser maior que no consumo da canela na culinária. O chá, feito com o pau de canela em decocção, é contraindicado para grávidas porque pode estimular a contração uterina. Mesmo sem estudos comprovatórios, não custa nada evitar.

Dica importante: se você tem dúvidas sobre o que faz bem ou faz mal durante a gravidez, converse com o seu médico. Ele conhece melhor seu organismo, sabe dos medicamentos que você utiliza e de todo o processo de gestação. Assim, ele é certamente a pessoa mais indicada para indicar ou contraindicar qualquer coisa.

fonte:natural.enternauta.com.br
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

domingo, 7 de setembro de 2008

PONTO CONTRA PONTO - ABORTO AUTORIZADO

Você é a favor da permissão do aborto de fetos anencéfalos?

Sim - (Elaine Cardoso de Matos Novais, Promotora de Justiça)

“Não há crime nesta situação e é cabível o exercício do direito de escolha da gestante de fetos anencéfalos”

Sim. A presente questão tem suscitado um interessante debate nos últimos dias, principalmente a partir das audiências públicas realizadas no Supremo Tribunal Federal em virtude da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental intentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (ADF n 54).

Os fetos anencéfalos são, segundo os ensinamentos científicos da área médica, aqueles que apresentam má-formação fetal congênita por defeito do fechamento do tubo neural durante a gestação. A anencefalia gera a inexistência de todas as funções superiores do sistema nervoso central û responsável pela consciência, cognição, vida relacional, comunicação, afetividade e emotividade, restando tão-somente funções que controlam parcialmente a respiração, as funções vasomotoras e a medula espinhal. A anencefalia é apresentada pela literatura médica como sendo incompatível com a vida extra-uterina, sendo que cerca de 65% dos fetos morrem ainda no período intra-uterino.

Em Natal, a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde já ingressou com pedidos de alvará judicial postulando a interrupção da gravidez destas mães sem esperança, que, com base em diagnóstico médico preciso, escolhem não levar a termo sua gestação. Em vários casos, o pedido foi acolhido pelo Poder Judiciário. Apenas no caso mais recente, o Poder Judiciário local, através de um Juiz que substituía o titular, indeferiu o pedido de interrupção da gravidez e o MP apresentou recurso ao Tribunal de Justiça. Antes de julgado o recurso, infelizmente, esta gestante teve o bebê de parto normal aos oito meses de gravidez e a criança já nasceu morta, o que levanta a seguinte indagação: que direito foi preservado?

Entendemos que não há crime nesta situação e é cabível o exercício do direito de escolha da gestante de fetos anencéfalos, vez que o crime de aborto busca proteger a integridade física do feto com perspectiva de vida, e também da gestante. Considerando que o anencéfalo não possui perspectiva de vida extra-uterina, não pode ele ser sujeito passivo do crime de aborto. Resta, então, a proteção aos direitos da mulher grávida.

Mas, será que ela terá sua dignidade humana preservada se, ao dormir e ao levantar, tem consciência que carrega em seu ventre um feto, o qual não sabe quantos minutos ficará vivo ou mesmo se chegará a nascer? Que certamente ao invés de planejar a compra de roupinhas, brinquedos e detalhes de decoração para o quarto da criança, precisará ater-se à realidade de não poder sonhar com isto?

Temos convicção que esta gestante fica submetida a um intenso sofrimento psicológico e isto afeta sim sua saúde, pois, atualmente, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o conceito de saúde envolve o completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças. Além do sofrimento psicológico, esta mulher está mais suscetível a problemas na gravidez e outras doenças, conforme atesta a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, dentre elas doença hipertensiva específica da gestação, dificuldades obstétricas e complicações no desfecho do parto de anencéfalos, puerpério com maior incidência de hemorragias maternas por falta de contração do útero, maior incidência de infecções pós-cirúrgicas devido às manobras obstetrícias do parto. Este pensamento também é acolhido pelo Conselho Federal de Medicina.

Veja-se, por fim, que a situação de anencéfalos não se confunde com fetos portadores de deficiências, pois estes têm uma perspectiva de vida extra-uterina, a qual terá suas peculiaridades, redundando na necessidade de inclusão e compreensão da diversidade, mas no caso dos anencéfalos a perspectiva de vida extra-uterina inexiste.

Não - (Pe. Edson Costa Galvão, Professor do Seminário São Pedro)

‘‘Melhor seria a equipe da saúde treinada para demonstrar a mãe o quanto sua criança precisa ser amada’’

Não! Para começo de conversa, poderíamos perguntar: quem é o anencéfalo? Literalmente, anencefalia significa ausência de encéfalo. Essa definição é falha, uma vez que o encéfalo compreende, além do cérebro, o cerebelo e o tronco cerebral. Os bebês anencéfalos, embora não tenham cérebro, ou boa parte dele, têm o tronco cerebral funcionando. O tronco cerebral é constituído principalmente pelo bulbo, que é um alongamento da medula espinhal. Controla importantes funções do nosso organismo, entre elas: a respiração, o ritmo dos batimentos cardíacos e certos reflexos (como a deglutição, o vômito, a tosse e o piscar dos olhos).

Comparemos a anencefalia com a calvície. Se podemos definir, a grosso modo, anencefalia como ‘‘ausência de cérebro’’, poderíamos definir calvície como ‘‘ausência de cabelos’’. Mas os homens calvos não tem realmente cabelos? Nem mesmo um fio de cabelo? Em geral, os calvos têm cabelos, mas em pouca quantidade.

Tentemos então redefinir a calvície. Ela não é mais a ‘‘ausência de cabelos’’, mas presença de poucos cabelos. Agora vem a pergunta chave: qual o número máximo de cabelos que alguém pode ter para ser enquadrado na categoria dos calvos? Cem fios? Duzentos fios? Mil fios? Qual o número que diferencia os calvos dos não-calvos? Nota-se que a resposta é impossível. Pode-se, porém, recorrer à genética, e dizer que calvo é aquele que apresenta o gene da calvície, mesmo que os cabelos ainda não tenham começado a cair.

Quanto à anencefalia, é impossível recorrer à genética para definir um anencéfalo. Não se reconhece um gene responsável pela anencefalia. Ao que tudo indica, ela é uma má-formação adquirida, e não congênita. Assim, como definir a anencefalia? Ausência total do cérebro, ou ausência de uma parte considerável do cérebro? Qual é a máxima parte do cérebro que pode estar presente em um bebê para que ele seja ainda considerado anencéfalo? Essa pergunta simplesmente não tem resposta. Alguns autores têm proposto o uso do termo ‘‘meroancefalia’’ para exprimir a ausência parcial do encéfalo.

Constitui simplismo dizer que antecipação da morte do bebê anencéfalo, por si só, traria um alivio para a mãe. Lamentavelmente, o que costuma ocorrer é que, após um exame medico, a mãe se vê literalmente coagida a abortar. Dizem-lhe que ela não tem um filho, mas um monstro; que a criatura que ela carrega é repugnante; que não faz sentido esperar o nascimento, pois a morte é iminente; que a indicação ‘‘médica’’ para o caso é a ‘‘interrupção da gravidez’’.

Com essa enxurrada de frases chocantes, o entendimento e a liberdade de gestante ficam seriamente comprometidos. Melhor seria se a equipe da saúde fosse treinada para demonstrar àquela mãe o quanto sua criança, por ser gravemente doente, precisa ser amada, e o quanto, a cada instante, é preciso transmitir do amor a ela, uma vez que a expectativa de vida é pequena. E é bem melhor ter o trauma de uma morte natural, dando uma digna sepultura para seu bebê, do que ter a consciência pesada por toda a vida por ter jogado uma vida humana ‘‘na lata do lixo’’. Podemos citar a conclusão do Comitê de Bioética do Governo Italiano, totalmente oposta à Resolução 1.752/2004 do CFM brasileiro: ‘‘o anencéfalo é uma pessoa vivente e a reduzida expectativa e vida não limita os seus direitos e a sua dignidade. A supressão de um ser vivente não é justificável mesmo quando proposta para salvar outros seres de uma morte certa’’. Estamos diante de um típico argumento eugenista. Por uma questão de precisão vocabular, a CNTS, autora da ADPF 54 deveria então trocar a recém criada sigla ATP(‘‘antecipação terapêutica de parto’’) pela expessão correta: aborto eugênico.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Aborto espontâneo

Ter a gravidez terminando em aborto pode ser muito triste e penoso. As seguintes informações dirão os sintomas e tratamentos para os diferentes tipos de aborto. Talvez isto ajude a entender se tiver um aborto e é pouco provável que tenha feito algo para causá-lo. Existe uma boa chance de que seja capaz de ter um bebê na próxima vez.
O que é aborto?

Um aborto é o final espontâneo de uma gravidez antes da vigésima semana. O termo médico usado é aborto espontâneo.

Mais ou menos 20% de toda gravidez termina em aborto durante as primeiras 16 semanas. Muitos ocorrem dentro de 10 semanas. Algumas mulheres abortam mesmo antes de saber que estão grávidas; um atraso na menstruação pode ser o único sintoma.
Como isto ocorre?

Muitas vezes é difícil saber exatamente a causa do aborto. Contudo, a maior parte dos abortos ocorrem quando os cromossomos do espermatozóide encontram com os cromossomos do óvulo. Muitas vezes o bebê (também chamado de feto) não se desenvolve por completo, ou desenvolver-se de maneira anormal. Em casos como estes, o aborto é a maneira que o corpo termina a gravidez que não está se desenvolvendo normalmente.

Outras causas possíveis de aborto incluem infecção do útero, diabetes sem controle, alterações hormonais, e problemas no útero. Excesso de cigarro, álcool e drogas ilegais como a cocaína também causam o aborto principalmente no início da gravidez quando os principais órgãos do bebê estão se desenvolvendo.

Um cérvix (parte baixa do útero) incapaz algumas vezes causa um aborto. Durante o trabalho de parto o cérvix dá abertura para permitir que o bebê saia do útero e passe através da vagina. O cérvix que começa a aumentar a abertura muito cedo pode resultar em abortamento. Muitas vezes, se o problema é descoberto cedo, pode ser tratado e para a gravidez continue.

Uma queda da mãe raramente causa aborto pois o bebê está muito bem protegido dentro do útero. Complementando, não há nenhuma evidência que estresse emocional ou físico ou atividade sexual possam causar aborto numa gravidez normal.
Quais são os sintomas?

Os possíveis sintomas incluem:

- Sangramento da vagina. A quantidade de sangue pode variar de algumas gotas de sangue a sangramento intenso. O sangramento pode começar sem nenhum aviso ou pode apresentar um corrimento escuro primeiramente.
- Dor como cãibra em seu baixo abdômen
- Secreção abundante proveniente de sua vagina sem sangue ou dor. Isto pode significar que suas membranas se romperam (sua bolsa d'água estourou).

Pode ser percebido algum material sólido passando através de sua vagina. Tente guardar este material para seu médico examinar.

É possível que não tenha sangramento ou dor, mas o feto tenha morrido e os sintomas da gravidez já não existam mais.
Como é diagnosticado?

Seu médico pode fazer um exame pélvico para checar o tamanho do seu útero e a condição do cérvix pedindo um ultra-som para ver se a gravidez está fora do útero ao invés de dentro dele. (A gravidez fora do útero é chamada de gravidez ectópica) ou mostrar se o óvulo nunca se desenvolveu em feto.
Qual é o tratamento?

Se você apresentar uma ameaça de aborto, há uma chance de sua gravidez continuar. Haverá uma pequena quantidade de sangramento de sua vagina que muitas vezes é indolor, mas pode ser acompanhado de cãibras. O cérvix permanece fechado e o médico recomendará que permaneça na cama por 1 ou 2 dias. O descanso pode parar o sangramento e promover a continuação da mesma normalmente. Precauções especiais como parar com exercícios, descansar seus pés o máximo possível e evitar o relações sexuais pode ser necessário por várias semanas.

Se o sangramento é causado por um cérvix incapaz, este pode ser fechado até a chegada do bebê, sendo também administrados medicamentos para relaxar o útero.

O aborto torna-se inevitável se o sangramento e as cãibras continuarem e o cérvix começar a se abrir. Um abortamento inevitável significa que o feto morreu e nada pode ser feito para Impedi-lo. O útero expele inteiramente seu conteúdo. Este é chamado de aborto completo.

O abortamento é incompleto se somente uma parte do conteúdo for expelido. Uma dilatação e curetagem (D&C) ou procedimento de sucção pode ser exigido para remover o restante do feto e da placenta. Nestes procedimentos o cérvix é aberto e o tecido é cuidadosamente raspado ou succionado.

Se o feto morreu mas não teve sangramento, seu médico pode pedir um D&C ou induzir o trabalho para remover o feto e a placenta.
Quais são os riscos associados ao aborto?

Um aborto geralmente não colocará em risco sua saúde a menos que seja incompleto e caso isto ocorra sem ser diagnosticado e tratado, o sangramento pode continuar e o tecido deixado no útero pode infeccionar. A depender do tipo de sangue, o médico pode querer fazer uma imunização preventiva contra problemas que possam ocorrer em gestações futuras.
Quando começar as tentativas de nova gravidez?

Espere para ter relações sexuais de 2 a 4 semanas após o abortamento. Os médicos normalmente recomendam esperar até que tenha passado pelo menos uma menstruação antes de tentar engravidar novamente, portanto é recomendado a utilização de alguns meios anticoncepcionais pelo menos até começar outro período menstrual. Também é importante esperar engravidar até conseguir lidar emocionalmente com a perda.
Como saber qual foi a causa do aborto?

Não se culpe pelo aborto pois é pouco provável que tenha sido causado por algo que tenha feito. Por exemplo, abortos espontâneos não são causados por relações sexuais ou exercícios vigorosos.

Mágoa, raiva, e sentimentos de culpa são comuns. Permita-se sofrer com a perda do bebê. Procure apoio dos amigos ou de outras pessoas que já tenham passado pela mesma experiência. É comum ter medo que seu aborto signifique que não será capaz de engravidar novamente. Lembre-se, contudo, que na maioria das mulheres a próxima gravidez é normal.

Algumas mulheres têm repetidos abortos. (Uma série de 3 ou mais abortamentos consecutivos é chamado de abortos habituais). Estes abortos podem ser causados por algum desequilíbrio dos hormônios ou outra condição que pode ser tratada. Se teve 3 ou mais abortos, é importante que seja examinada para determinar e tratar a causa.
O que acontece depois de um aborto?

- Sua recuperação levará de 4 a 6 semanas.
- Pode apresentar um ponto sensível e desconforto por alguns dias.
- Se estiver grávida há mais de 13 semanas antes do aborto, pode ainda apresentar sintomas de gravidez e seus seios ainda secretarem leite.
- Exercícios de baixo impacto, como a caminhada ou natação, não irão ferir. Exercite-se mais à medida que sentir-se melhor.
- Normalmente seu médico verificará sua recuperação dentro de algumas semanas através de exames.
Quando procurar ajuda médica?

Se você estiver grávida e tiver sangramento na vagina, com ou sem dor, chame seu médico. Se o sangramento for intenso ou você tiver dor forte, veja o seu médico imediatamente.

Se estiver recuperando-se de um aborto, chame seu médico imediatamente se tiver qualquer um destes sintomas;

- sangramento intenso
- febre
- calafrio
- forte dor abdominal

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sábado, 12 de julho de 2008

Complicações imediatas do aborto, segundo o método empregado

A - MÉTODO DE ASPIRAÇÃO

1. Laceração do colo uterino provocada pelo uso de dilatadores.

Conseqüências:

- insuficiência do colo uterino, favorecendo abortos sucessivos no primeiro e no segundo trimestre (10% das pacientes);

- partos prematuros, na 20ª ou 30ª semana de gestação.

2. PERFURAÇÃO DO ÚTERO

Acontece quando é usada a colher de curetagem ou o aspirador; mais frequentemente, através do histerômetro (instrumento que mede a cavidade uterina). O útero grávido é muito frágil e fino; pode ser perfurado sem que o cirurgião se dê conta. É uma complicação muito séria.

Conseqüências:

- infecção e obstrução das trompas, provocando esterilidade;

- intervenção para estancar a hemorragia produzida;

- perigo de lesão no intestino, na bexiga ou nas trompas;

- a artéria do útero, nesses casos, frequentemente, é atingida, criando a necessidade de histerectomia (extirpação do útero), se não for possível estancar a hemorragia.

3. HEMORRAGIAS UTERINAS

Perda de sangue ou fortes hemorragias causadas pela falta de contração do músculo uterino. As perdas de sangue são mais intensas se a gravidez for avançada. Essas perdas são de 200 ml na 10ª semana de gravidez, 350 na 12ª, 450 na 13ª semana...

Conseqüências:

- necessidade de transfusão de sangue;

- ablação do útero, se a hemorragia não for estancada.

4. ENDOMETRITE (inflamação) pós-aborto (infecção uterina secundária, decorrente do aborto).

Apesar dos antibióticos administrados antes do aborto; há grande incidência de infecções e obstrução de trompas.

Conseqüências:

- esterilidade

- Gravidez ectópica (fora do lugar apropriado).

5. EVACUAÇÃO INCOMPLETA DA CAVIDADE

Necessidade de prolongar a sucção e de fazer uma curetagem imediata.
Danos e conseqüências:

- possibilidade de extração do endométrio (mucosa uterina);

- formação de aderências no interior do útero e, como conseqüência, esterilidade, frequentemente amenorréia (ausência de menstruação);

- possibilidade de placenta prévia na gravidez seguinte, criando a necessidade de cesariana.

B. A CHAMADA EXTRAÇÃO MENSTRUAL

É possível que a paciente não esteja grávida.

Pode ocorrer uma extração incompleta (o ovo frequentemente não é extraído, tornando necessária uma curetagem).

C. MÉTODO DAS LAMINÁRIAS(tampão esterilizado feito de algas marinhas)

Pode ocorrer que fique preso tornando-se necessária uma histerectomia (extração do útero).

Conseqüências:

- infecções graves por causa da presença de corpo estranho

- as mesmas da histerectomia.

D. SOLUÇÃO HIPERTÔNICA SALINA(Gravidez de 12 a 20 semanas)

Complicações muito sérias:

- retenção da placenta e hemorragia (50% necessitam de curetagem).

As mesmas complicações que uma curetagem pode produzir, com o agravante de uma possível perfuração do útero e da formação de aderências;

- infecção e endometrite (inflamação da mucosa do útero);

- hemorragia;

- coagulopatia e hemorragia abundante;

- intoxicação por retenção de água; efeitos secundários do soro salino e da pituita que podem causar falhas de funcionamento do coração e morte;

- perigo de entrada de solução salina na corrente sanguínea da mãe com efeitos mortais;

- possibilidade de gravidez mais avançada do que a informada pela mãe e, na ausência de um exame sério, poderia abortar uma criança de 2 quilos ou 2 quilos e meio. Esse tipo de aborto apresenta um perigo dez vezes superior à curetagem. A mortalidade vai de 4 a 22 por mil.

As razões do aborto denominado terapêutico são uma contra-indicação para o aborto através de solução salina.

E. HISTERECTOMIA (extração total do útero)
Complicações:

Os mesmos perigos e complicações de toda cirurgia intra-abdominal: hemorragia, infecção, peritonite, lesões da bexiga e dos ureteres. Complicações variadas em 38 a 61 por mil.

COMPLICAÇÕES TARDIAS DO ABORTO

1 - Insuficiência ou incapacidade do colo uterino.

2 - Aumento da taxa de nascimentos por cesariana (para permitir que o bebê consiga viver mesmo que prematuro).

3 - Danos causados às trompas por possível infecção pós-aborto, causando infertilidade (em 18 % das pacientes). Maior número de complicações em mulheres grávidas que anteriormente provocaram aborto (67,5% entre as que abortaram e 13,4 entre as que não abortaram).

Dentre todas as complicações, a mais grave é a hemorragia, que transforma a nova gravidez em gravidez de alto risco.

4 - O aborto pode provocar complicações placentárias novas (placenta prévia), tornando necessária uma cesariana, para salvar a vida da mãe e da criança.

5 - O aborto criou novas enfermidades: síndrome de ASHERMAN e complicações tardias, que poderão provocar necessidade de cesariana ou de histerectomia.

6 - Isoimunização em pacientes Rh negativo. Aumento, conseqüentemente, do número de gravidez de alto risco.

7 - Partos complicados. Aumento do percentual de abortos espontâneos nas pacientes que já abortaram.

Conseqüencias sobre a criança não nascida

1 - Sobre a criança abortada:
- dores intensas (o feto é sensível à dor);

- morte violenta;

- aborto de crianças vivas que se deixam morrer.

2 - Sobre as crianças que nascem depois
Perigos e complicações:

- abortos de repetição no primeiro e no segundo trimestre de gravidez;

- partos prematuros;

- nascimento prematuro, através de cesariana, para salvar a vida da mãe e da criança. Trinta e três por cento de abortos são abortos em que as crianças nascem em posição invertida (de nádegas).

- parto difícil, contrações prolongadas;

- Gravidez ectópica (fora do lugar) nas trompas, podendo ser fatal para a mãe - para o feto o é sempre - (a gravidez ectópica, nas trompas, é oito vezes mais frequente depois de aborto provocado;

- malformações congênitas provocadas por uma placenta imperfeita;

- morte perinatal por prematuridade extra-uterina (50% morrem no primeiro mês de gravidez);

- os prematuros que sobrevivem com freqüência são excepcionais (paralisia cerebral, disfunções neurológicas etc.).

O ABORTO É A MORTE VIOLENTA DE UM SER HUMANO: É A DESTRUIÇÃO DO AMBIENTE NATURAL PARA O SEU DESENVOLVIMENTO.

Conseqüências psicológicas

a) Para a mãe:
- queda na autoestima pessoal pela destruição do próprio filho;

- frigidez (perda do desejo sexual);

- aversão ao marido ou ao amante;

- culpabilidade ou frustração de seu instinto materno;

- desordens nervosas, insônia, neuroses diversas;

- doenças psicossomáticas;

- depressões;

O período da menopausa é um período crucial para a mulher que provocou aborto.

b) Sobre os demais membros da família:
- problemas imediatos com os demais filhos por causa da animosidade que a mãe sofre. Agressividade - fuga do lar - dos filhos, medo destes de que os pais se separem, sensação de que a mãe somente pensa em si.

c) Sobre os filhos que podem nascer depois:
- atraso mental por causa de uma malformação durante a gravidez, ou nascimento prematuro.

d) Sobre o pessoal médico envolvido:
- estados patológicos que se manifestam em diversas formas de angústia, sentimento de culpa, depressão, tanto nos médicos quanto no pessoal auxiliar, por causa da violência contra a consciência.

Os abortos desmoralizam profissionalmente o pessoal médico envolvido, porque a profissão do médico é a de salvar a vida, não de destrui-la.

Conseqüências sociais
O relacionamento interpessoal, frequentemente, fica comprometido depois do aborto provocado.

a) Entre os esposos ou futuros esposos:
- antes do matrimônio: muitos jovens perdem a estima pela jovem que abortou, diminuindo a possibilidade de casamento;

- depois do casamento: hostilidade do marido contra a mulher, se não foi consultado sobre o aborto; hostilidade da mulher contra o marido, se foi obrigada a abortar.

O relacionamento dos esposos pode ficar profundamente comprometido.

É evidente que as conseqüências, a longo prazo, sobre a saúde da mãe podem complicar seriamente a estabilidade familiar.

b) Entre a mãe e os filhos:
- muitas mulheres temem a reação dos filhos por causa do aborto provocado;

- perigo de filhos prematuros e excepcionais, com todos os problemas que isso representa para a família e a sociedade.

c) Sobre os médicos
- sobre os médicos que praticam o aborto fora de um centro autorizado: correm o perigo de serem denunciados. Todos, em geral, estão sujeitos a denúncias por descuidos ou negligências na prática do aborto.

d) Sobre os médicos e o pessoal de saúde envolvidos em abortos legais:
- possibilidade de perda de emprego se negarem a praticar aborto por questão de consciência;

- possibilidade de sobrecarga de trabalho, por causa do aumento do número de abortos.

e) Sobre a sociedade em geral:
1. Sobrecarga fiscal sobre os cidadãos que pagam impostos:

- aborto pago pela previdência social;

- preço pago por crianças que nascem com defeitos em conseqüência de abortos provocados.

2. Relaxamento das responsabilidades específicas da paternidade e da maternidade; o aborto, com freqüência, substitui o anticoncepcional.

3. Tendência ao aumento de todo tipo de violência, sobretudo contra os mais fracos. Conseqüência: infanticídio e eutanásia.

4. Aumento das doenças psicológicas no âmbito de um setor importante para a sociedade, particularmente entre as mulheres de idade madura e entre os jovens.

5. Aumento considerável do número de pessoas com defeitos físicos ou psíquicos, com todas as conseqüências que isso significa para a sociedade em geral.

Fonte: http://providafamilia.org/danos.htm

Site Médico

sábado, 5 de julho de 2008

Abortamento Habitual

O termo abortamento habitual é utilizado para designar aqueles casos nos quais a paciente é vitima de três ou mais abortos espontâneos consecutivos, quando a mesma deverá sofrer uma investigação diagnostica. A ocorrência de aborto espontâneo na espécie humana é fato bastante comum, não justificando abordagem diagnostica diante de um caso isolado. Para pacientes acima de 35 anos, alguns autores já preconizam investigação apartir do segundo caso.

Várias são as causas desta dramática condição, sendo que uma investigação completa é capaz de apontar o fator determinante em aproximadamente 60% dos casos. As principais causas são:

1 - CAUSAS UTERINAS:

São constituídas por algumas condições nas quais ocorrem alterações na anatomia (forma) uterina:

MALFORMAÇÕES: Algumas mulheres apresentam ,já ao nascimento, malformações uterinas variadas, como o chamados útero septado e útero infantil . Os dois casos são de fácil diagnóstico, sendo que no primeiro, o tratamento cirúrgico é a opção de escolha. Já o caso de útero infantil apresenta tratamento mais complicado e longo, utilizando-se de medicamentos variados.

MIOMAS: Miomas uterinos podem determinar abortamento de repetição, quando deformam significativamente o útero ou apresenta localização "caprichosa", a impedir a adequada implantação do embrião e seu conseqüente desenvolvimento. A cirurgia representa o principal tratamento nos casos bem caracterizados.

INSUFICIÊNCIA DO COLO UTERINO: O colo uterino é a porção do útero que o conecta à vagina. Normalmente, ele permanece fechado(ou quase) durante toda a gestação, vindo a se dilatar somente por ocasião do parto.Algumas paciente, geralmente com história prévea de manipulação sobre este órgão(curetagem, cirurgia), exibem perdas gestacionais de repetição pela sua dilatação prematura. São perdas que geralmente ocorrem apartir do quarto mês de gravidez, na ausência de dor ou sangramento importantes, freqüentemente com eliminação de feto vivo.

2-INSUFICIÊNCIA LÚTEA: O corpo lúteo é uma estrutura normalmente formada no ovário após a ovulação e que se responsabiliza pela secreção do hormônio progesterona. É este hormônio, que atuando no útero , vai criar condições adequadas para a fixação do embrião e manutenção da gravidez na sua fase inicial. São variadas as condições que fazem com que o corpo lúteo não desempenhe bem o seu papel, favorecendo abortamento precoce, geralmente precedido por morte intra útero do embrião , fato que pode ser documentado através do ultra som. Existem testes específicos para este diagnóstico que, quando adequadamente tratado, apresenta excelentes resultados.

3-CAUSAS GENÉTICAS: Doenças genéticas variadas podem determinar abortos repetitivos e morte fetal tardia na gestação. Alterações dos cromossomos , na forma ou no número, são os achados mais freqüentes, justificando pois, o estudo dos restos ovulares obtidos após completado o aborto ou realizado curetagem uterina. O cariótipo(estudo citogenético) também deve ser feito no casal para este fim.Infelizmente, nem todas causas genéticas de abortamento podem ser diagnosticadas, e cariótipo normal não exclui perda por alterações genéticas.

4-CAUSAS IMUNOLÓGICAS: O nosso sistema imunológico é o responsável pela produção de anticorpos, os quais nos protegem de infecções variadas. Este sistema esta preparado para produzir anticorpos sempre que uma proteína estranha invade o nosso organismo. Entretanto, um feto no interior do útero representa uma carga genética estranha ,a qual deveria ser atacada por anticorpos e finalmente eliminada, mas que é tolerada pelo sistema imune. Em condições normais, a gravidez bem sucedida parece representar um estado de "tolerância imunológica", a qual não é bem compreendida pela medicina. Em caso de descontrole nesta "tolerância", anticorpos maternos atuam contra o embrião a determinar sua morte e conseqüente eliminação, à maneira do que ocorre com órgãos transplantados. Atualmente dispomos de testes específicos para estes anticorpos, criando perspectivas razoáveis a boas de tratamento.

5-DISFUNÇÕES GLANDULARES: Várias glândula interferem na evolução da gravidez, como a Tireóide e a Hipófise. Distúrbios nestes órgãos devem ser pesquisados, objetivando pronta correção.

6-DOENÇAS CRÔNICAS: Algumas doenças crônicas, como o Lupus e Diabetes avançados, representam causas de aborto de repetição bem documentadas. Outras condições que interfiram com a saúde geral da grávida também podem ser responsabilizadas por tais perdas. A reprodução é colocada em segundo plano por um organismo cuja integridade está ameaçada com o aborto espontâneo representando um mecanismo de auto-proteção.

7-INFECÇÕES: É questionável o papel de infecções no abortamento de repetição porém, algumas infecções específicas devem ser investigadas e prontamente tratadas, em especial quando acomete o colo do útero e o endométrio(membrana que reveste o útero internamente).

8-ALTERAÇÕES OVULATÓRIAS: Como explicado na página INFERTILIDADE, para que ocorra gravidez é necessário ovulação(liberação do óvulo). Quanto um folículo se desenvolve no sentido de liberar o óvulo , ele o faz secretando um hormônio chamado Estradiol, o qual proporciona a preparação do endométrio para a fixação do embrião. Um endométrio bem preparado é resultante de adequado processo de maturação folicular e secreção hormonal, além de traduzir uma higidez própria(ausência de doença primária do endométrio).Sendo assim, no estudo do abortamento habitual é imprescindível um bom estudo do função ovulatória pois, esta pode esta comprometida, seja por causas próprias do ovário ou secundárias ao mal funcionamento de outras glândulas.

Aborto Retido ou Incompleto

Definição

Aborto incompleto, ou aborto retido, é quando o corpo expele apenas uma parte do tecido fetal.

O que está acontecendo com o organismo?

O aborto incompleto é muito comum no início da gravidez. Ocorre freqüentementedevido a anormalidades cromossômicas fetais ou defeitos genéticos, que impedemseu desenvolvimento.

Quando o feto e a placenta param de se desenvolver, os níveis hormonais caem eos sinais e sintomas gravídicos como: desenvolvimento das mamas, náuseas ecansaço, podem desaparecer.

Na maioria dos casos, o útero começa a sofrer contrações, causando cólicas,desconforto e sangramentos vaginais contendo restos fetais. Se restosgravídicos permanecerem no útero, o colo uterino ficará aberto. Isto aumentaráriscos de infecções e continuação do sangramento.

Quais são os sinais e sintomas da doença?

A mulher grávida pode apresentar: sangramento vaginal, cólica ou desconfortopélvico e saída de restos ovulares e coágulos pela vagina.

Quais são as causas e os fatores de risco da doença?

A mulher pode ter problemas na implantação do ovo, aumentando o risco deaborto se: apresentar malformação uterina, houver cicatrizes uterinas outumores benignos como miomas.

Outros fatores que aumentam os riscos de aborto são: infecções virais noprimeiro trimestre de gestação como: herpes, rubéola, infecção por parvovírus;infertilidade por mais de um ano; idade acima de 35 anos; e, problemashormonais.

Acima de três abortos consecutivos, chama-se abortamento habitual. Estacondição requer pesquisa detalhada das possíveis causas que estão levando amulher a abortar.

O que fazer para prevenir?

Nem todos os abortos podem ser evitados, mas algumas medidas sendo tomadasmeses antes e durante a gestação diminuem as chances de ocorrer. Uma dietarica em ácido fólico, e uso de polivitamínicos ajudam a prevenir defeitos naformação do tubo neural, levando a um bom desenvolvimento nutricional doembrião.

Outras medidas que também devem ser tomadas são: parar de fumar, não usardrogas, sendo elas ilegais ou não, mulheres diabéticas devem fazer controlesde glicemia durante a gestação.

Muitas vezes a mulher apresenta alterações hormonais que podem ser a causa doaborto. Se isso for detectado, deve-se fazer uma terapia hormonal para queposteriormente a mulher tente engravidar novamente.

Como é feito o diagnóstico?

Exames de sangue e de urina podem detectar o hormônio da gravidez HCG. Ocontrole periódico dos níveis hormonais ajudam a fazer o diagnóstico. Atravésdestes exames pode-se avaliar se o feto está se desenvolvendo. Níveis de HCGestáveis ou diminuídos sugerem malformação ou morte fetal. Se os níveishormonais estiverem aumentando, significa que o feto está crescendo.

Outros exames como: hemograma podem avaliar se está havendo sangramento alémde controlar riscos de infecção; nível de progesterona é importante paramanter o curso da gestação; ultra-som avalia movimentos fetais, batimentoscardíacos, além de diagnosticar gravidez ectópica que é a implantação doembrião fora do útero; exame especular que visualiza se o colo uterino estáaberto ou se há restos embrionários no interior da vagina.

Quais são os efeitos crônicos da doença?

Os efeitos são variáveis. Existem muitos mitos que levam a mulher ficaransiosa e se sentir culpada pelo ocorrido. Arrastar móveis pesados, seexercitar demasiadamente e fazer sexo durante a gravidez não impedem que amulher tenha uma gestação saudável. Ela deve conversar com seu médico sobreseus sentimentos, preocupações e dúvidas que houverem sobre o assunto.

Atraso no diagnóstico e tratamento pode aumentar os riscos de infecção,sangramentos, desenvolver sensibilidade do sistema Rh, infertilidade por lesãoda trompa de Falópio, prejudicando outra futura gestação.

Quais são os tratamentos?

Dilatar o colo uterino e curetagem devem ser feitas para retirar os restosfetais ainda presentes no interior do útero. Antibióticos e drogas queaumentam a contratilidade uterina podem ajudar a parar o sangramento, podendoser usados por 24 à 48 horas após curetagem.

Se a mulher for Rh negativo, ela deverá tomar uma vacina de imunoglobulinasque impedirá sua sensibilização, prevenindo incompatibilidade sangüínea entreela e o feto nas futuras gestações.

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Efeitos colaterais da anestesia para realização da curetagem: sonolência,cansaço, náusea e vômitos. Os antibióticos e a drogas que ajudam o útero a secontrair podem causar: rush cutâneo, diarréia, alergias, dor de estômago ecólica abdominal.

O que acontece após o tratamento?

Algumas horas após a curetagem, a mulher pode voltar para casa, devendopermanecer em repouso por 1 a 2 dias. Ela deverá procurar o médico se: tiverfebre, a cólica abdominal tornar-se mais intensa ou duradoura, o sangramento vaginal continuar intenso.

O uso de métodos anticoncepcionais estão indicados se a mulher não quiserengravidar novamente. Se a mulher deseja engravidar, ela só poderá após dois atrês meses do ocorrido. O casal terá 85% de chance de sucesso na gravidez apósum ano do abortamento.

Como a doença pode ser acompanhada?

Controle dos níveis hormonais de HCG ajudam a prevenir os riscos depermanência de restos embrionários ou de gravidez ectópica se o sangramento ouas cólicas continuarem.

Fonte: Da Redação do agenda SAÚDE

Aborto Terapêutico

Para a maioria (totalidade?) dos pró-aborto a sua entrada nesse caminho medonho deu-se pela porta do aborto terapêutico. Grosso modo, parece-lhes que se uma mulher estiver em perigo de vida, por causa da gravidez, é lícito matar o bebê e ponto final. Mas se se pedir a um pró-aborto para explicar qual é a posição dos pró-vida neste ponto, ele não sabe explicar.

É uma pena que na base de uma decisão tão horrorosa esteja não a opção entre duas posições diferentes que se conheciam, mas a simples ADESÃO à única possibilidade que se vislumbrou.

Segue-se uma exposição da filosofia pró-vida no caso do chamado "aborto terapêutico"."Analisando o problema da gravidez com intercorrência de enfermidade de natureza grave na gestante, sob o ponto de vista terapêutico, deparamo-nos, EMBORA NÃO FREQÜENTEMENTE, com casos difíceis, que constituem verdadeiro desafio à formação científica e moral do médico.

Outrora ocorriam em maior número os casos obstétricos em que o agravamento do mau estado de saúde da gestante colocava o médico na constrangedora situação de ver esvaírem-se duas vidas humanas, sem dispor de recursos eficazes para tentar a salvação de ambas.

Na época atual, porém, aquela desconcertante situação de "expectativa com os braços cruzados" NÃO MAIS PREVALECE. Os extraordinários recursos de que dispõe atualmente a Medicina oferecem ao médico meios para prosseguir na luta em busca do fim almejado, isto é, a salvação do binômio mãe-filho.

Observa-se que, no concernente ao aspecto estritamente médico, as opiniões convergem cada vez mais na aceitação do fato de que se tornam CADA VEZ MAIS RARAS as situações patológicas em que se poderia concluir pela impossibilidade de evolução de gravidez até à viabilidade fetal. Em tais casos é difícil, se não impossível, afirmar que o aborto salvará a mãe. (...)

É comum e correto afirmar que a gestante portadora da enfermidade de natureza grave pode ser tratada como se não estivesse grávida. Não quer isto dizer, obviamente, que não se envidem esforços para impedir que o feto venha a sofrer as conseqüências do tratamento materno. Para melhor segurança do concepto deve adiar-se, sempre que possível, os tratamentos mais drásticos até ao terceiro ou quarto mês de gravidez ou mesmo, sobretudo se houver necessidade de condutas radicais, até à viabilidade fetal, o que, infelizmente, nem sempre o processo patológico permite. (...)

É importante atentar bem na DIFERENÇA que existe entre a prática do aborto direto (atentado voluntário, deliberado e direto contra a vida fetal com o fim de salvar a mãe) e a prática terapêutica, clínica ou cirúrgica, aplicada à mãe como se esta não estivesse grávida, mas que, paralelamente, colocará em risco a vida fetal. Enquanto esta conduta é lícita, aquela NÃO o é. (...)

É evidente que os fins não justificam os meios. Interferir direta ou deliberadamente para tirar a vida do feto (ato mau) como meio de obter a cura da mãe (fim bom) é procedimento condenável, posto que direitos iguais - no caso, direito à vida - de duas pessoas diferentes não podem subordinar-se um ao outro. Ambas merecem o mesmo respeito aos seus direitos humanos inalienáveis, independentemente da maior fragilidade ou da maior força de um sobre o outro. (...)

Uma agressão direta contra a vida do concepto não se justifica, embora com o fim de melhorar as precárias condições de saúde da mãe; aceitar como justo tal procedimento implicaria legitimar a agressão a um ser humano indefeso em favor de outro mais forte ou mais influente. (...)

Todavia, a morte do concepto pode ocorrer como conseqüência não visada, embora prevista, do ato médico realizado para curar uma gestante portadora de enfermidade, cuja natureza grave não permita adiar o tratamento até à viabilidade fetal.

Assim, por exemplo, em uma gestante cardiopatia, no primeiro trimestre da gravidez, com indicação de tratamento cirúrgico cardiovascular inadiável, o risco de [que ocorra um] aborto existe, mas não invalida a conduta cirúrgica que é legítima, pois visa a salvação da mãe e não constitui agressão direta ao feto. Se ocorrer, o aborto será indireto, acidental, não visado nem desejado pelo ato médico, embora previsto. (...)

Até mesmo no carcinoma do colo uterino, o tratamento da mãe (histerectomia radical ou radioterapia intra-uterina) é lícito e pode ser efetuado, não obstante implicar a morte certa do conceto. Conseqüência esta indireta, não visada, embora inevitável. A conseqüente morte do conceto constitui aqui o que se chama, em moral, "ato indireto", isto é, o que não foi aceite, nem desejado, nem visado, quer como fim quer como meio de obter um fim, mas foi previsto como conseqüência possível ou certa, porém inevitável, de um ato diretamente desejado (no caso, a destruição do câncer uterino pela retirada do órgão ou pela irradiação).

Nessas circunstâncias, a morte do feto ocorre "contra as intenções do médico, ainda que não contra as suas previsões". Fundamenta-se a licitude do ato no princípio do duplo efeito, assim compreendido: a) à pratica de um ato, moralmente bom ou indiferente, seguem-se dois efeitos paralelos, um bom e outro mau; b) apenas o efeito bom é visado pelo ato praticado; c) o efeito mau, embora inevitável, não é desejado nem visado pelo ato, sendo apenas previsto e tolerado; d) o efeito mau não se constitui no meio de se obter o efeito bom; e) o efeito bom é conseqüência direta do ato praticado, não sendo, portanto, secundário nem conseqüente do efeito mau; f) o efeito bom visado é suficientemente importante para tolerar-se o efeito nocivo previsto.

Assim, em mulher portadora de câncer do colo uterino, a conduta terapêutica acima referida (ato bom) visa a cura da doente (fim bom). O fato de a paciente (...) estar grávida não lhe tira o direito ao tratamento adequado, ainda que, paralelamente à conseqüência boa (cura da mãe), se preveja como inseparável uma conseqüência má (morte do feto).Como vemos, o direito ao tratamento não é postergado na mulher grávida, podendo esta ser sempre tratada, desde que não se atente diretamente contra a vida do conceto e se envidem todos os esforços para preservá-lo, sempre que seja possível.

A morte do feto, se ainda assim ocorrer, não infringe neste caso nenhum princípio deontológico, nem constitui objeto de atenção de nenhum Código de Ética Médica ou Código Penal, sendo pacífica e universal a sua aceitação do ponto de vista moral e legal. (...)

Vemos, pelo exposto, que a moral de modo algum impede que seja a gestante enferma tratada adequadamente.O apelo ao chamado "aborto terapêutico" como meio de salvar a vida da gestante NÃO CONSTITUI RECURSO CIENTÍFICO, sobretudo nos dias atuais, em face das modernas conquistas da Medicina. "(Cf. João Evangelista Alves, Dernival Brandão, Carlos Tortlly Rodrigues Costa e Waldenir de Bragança, "Considerações em torno do problema da gravidez com intercorrência de enfermidade grave na gestante e o chamado abortamento terapêutico", Revista da Associação Médica Brasileira, vol 22, n1, Janeiro de 1976, p.21-28.)

Como se viu, atentar direta e intencionalmente contra a vida do conceto, mesmo quando está em perigo a vida da mãe, é inaceitável. O que é aceitável já foi explicado. Contudo, na base da fé pró-aborto de muitas pessoas está a idéia de que em caso de estar em causa o direito à vida, da mãe, pode-se matar DELIBERADA E INTENCIONALMENTE o filho.Daqui é fácil saltar para: "No caso de estar em causa UM direito IMPORTANTE da mãe, pode-se matar deliberadamente o filho". Mas direito "importante" é muito vago e por isso cada pró-aborto cada sentença!

Depois, os pró-aborto não conseguem defender o seu conceito de "importante" (nem sequer uns perante os outros) pelo que saltam para: "No caso de estar em causa UM (qualquer) direito da mãe, pode-se matar deliberadamente o filho." Não é que quisessem algumas vez defender isto, nem é que isto pareça acertado à maioria: aceitam isto porque é necessário para manter uma posição defensável.

Mas estão enganados: a posição continua completamente indefensável e por isso, os filósofos pró-aborto - que já descobriram a indefensibilidade da posição - avançam na justificação do infanticídio. Tempo perdido! Também aí não conseguirão encontrar a estabilidade desejada, e venham as crianças!...

Mas como foi possível chegar a esta confusão toda? Por um erro inicial, um "pequeníssimo" erro: a idéia de que em caso de perigo para a vida da mãe, pode-se matar deliberadamente o filho.(Juntos pela Vida)

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