sexta-feira, 11 de julho de 2008

Aumentam os casos de Aids entre pessoas da 3ª idade


Por Faeza Rezende


Desde 1985, foram notificados em Uberaba 1.725 casos de HIV, segundo dados do Programa Municipal de DST/Aids. Só nos primeiros seis meses deste ano, foram 15 novos casos registrados no sistema de saúde. Mas a estimativa de profissionais da área é que a quantidade de pessoas com o vírus na cidade seja muito maior.

A preocupação com a velocidade com que cresce a doença é tanta, que o Relatório Mundial sobre Desastres de 2008, publicado pela Cruz Vermelha no mês passado, é dedicado especialmente ao vírus HIV, causador da Aids e que hoje contamina mais de 33 milhões de pessoas no mundo. De acordo com as Nações Unidas, sete mil pessoas são infectadas com o vírus por dia.

A doença, que antes era marginalizada e preconceituosamente apenas relacionada a homossexuais, mudou de perfil. Pelos 15 novos casos notificados em Uberaba neste ano, é possível notar essa mudança. Desses, oito são homens e sete são mulheres. Dos 15, apenas três pessoas admitiram manter relacionamento bi ou homossexual.

"Hoje, está aumentando o número de heterossexuais com a doença, porque o homossexual tem mais consciência e se cuida mais", avalia o infectologista Rodrigo Juliano Molina. Ele explica que, além do aumento de casos da doença no sexo feminino (2 homens para 1 mulher), a Aids hoje atinge um outro público: os idosos. Isso por causa do surgimento de drogas no mercado que facilitam a sexualidade na terceira idade. Além disso, faltam informação e campanhas voltadas para essa faixa etária sobre a importância da utilização de preservativos.

De acordo com os dados municipais, a maior incidência dos novos casos (9) ocorreu na faixa de 20 a 34 anos. Entre 35 e 49 anos, outras cinco pessoas soropositivas foram identificadas e um único caso foi notificado na faixa dos 15 aos 19 anos, fato que, segundo o especialista, se deve às campanhas preventivas nas escolas, levando ao aumento considerável do uso de preservativo pelo adolescente.

Tratamento. Como se sabe, apesar de muitos estudos na área, ainda não existe cura para a Aids, mas o acompanhamento correto com a terapia anti-retroviral possibilita que, mesmo com a doença, a pessoa consiga viver mais de 25 anos com qualidade de vida. "O tratamento é feito com uma combinação de no mínimo três medicamentos, por isso chamado também de coquetel", destaca o especialista.

Molina explica que o HIV, causador da Aids, destrói os linfócitos (células responsáveis pela defesa do organismo), ou seja, enfraquece o sistema imunológico da pessoa e a deixa mais vulnerável a qualquer tipo de infecção, como uma grave pneumonia.

Todavia, o infectologista alerta que nem todas as pessoas que são soropositivas (têm o vírus) manifestam a Aids. Por isso a importância do exame para a pessoa que tenha se exposto ao vírus, seja na relação sexual desprotegida, sem o uso de preservativo, ou no compartilhamento de agulhas. Com a rotina de exames e acompanhamento médico, é possível acompanhar e controlar a imunidade do organismo.

Qualquer pessoa pode ser atendida no Centro de Testagem e Aconselhamento, não havendo necessidade de agendar nem de pedido médico para a realização dos exames. Os atendimentos também podem ser feitos no Ambulatório de Doenças Infecciosas do Hospital Escola.

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