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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.

A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.

Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.

Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.

Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.

“Mostramos pela primeira vez que porções de sinapses são literalmente comidas por astrócitos por causa da perda de sono”, conta Bellesi.

Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).

Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.

Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Segundo os pesquisadores, a maioria das sinapses que estavam sendo comidas nos dois grupos de camundongos privados de sono eram as maiores, que tendem a ser as mais antigas e mais usadas, o que provavelmente é uma coisa boa. “Elas são como móveis antigos e, portanto, provavelmente precisam de mais atenção e limpeza”, diz Bellesi.

Mas quando a equipe checou a atividade das células microgliais nos quatro grupos, eles descobriram que ela também aumentara no grupo cronicamente privado de sono. E isso é uma preocupação, porque a atividade microglial desenfreada está associada a doenças cerebrais como Alzheimer e outras formas de neurodegeneração.

“Descobrimos que a fagocitose astrocítica, principalmente de elementos pré-sinápticos em grandes sinapses, ocorre após a perda de sono aguda e crônica, mas não após a vigília espontânea, sugerindo que pode promover a limpeza e reciclagem de componentes desgastados de sinapses fortes e muito usadas”. os pesquisadores relatam.

“Por outro lado, apenas a perda crônica de sono ativa as células da micróglia e promove sua atividade fagocítica, sugerindo que a interrupção prolongada do sono pode estimular a microglia e talvez predispor o cérebro a outras formas de danos”.

Muitas questões permanecem. Não sabemos o que aconteceria se esse processo fosse replicado em cérebros humanos, nem se recuperar o sono pode reverter o dano. Mas o fato de que as mortes por Alzheimer aumentaram em incríveis 50% desde 1999, juntamente com a luta que muitos de nós têm para ter uma boa noite de sono, significa que isso é algo que precisamos entender logo. [Science Alert, New Scientist]

por Jéssica Maes
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Estudo: cientistas identificam "neurônios da ansiedade", que podem desencadear a condição no cérebro


Um novo estudo americano da Universidade da Califórnia e da Universidade de Columbia descobriu células cerebrais especializadas em ratos que parecem controlar os níveis de ansiedade dos animais.
A descoberta poderia eventualmente levar ao desenvolvimento de melhores tratamentos para os transtornos de ansiedade, que afetam muitas pessoas em todo o mundo.

Isso é especialmente importante para o Brasil, tendo em vista que somos o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo todo. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde divulgadas ano passado, em fevereiro de 2017, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade.

Ansiedade clínica
Esse progresso é apenas o último avanço dos cientistas, que entendem cada vez melhor como a ansiedade funciona no cérebro.

“Se pudermos aprender o suficiente, podemos desenvolver as ferramentas para ligar e desligar as principais peças que regulam a ansiedade nas pessoas”, afirma Joshua Gordon, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, que ajudou a financiar a pesquisa.

A ansiedade clínica inclui condições diagnosticadas como transtorno da ansiedade generalizada, síndrome do pânico e transtorno da ansiedade social, e envolve uma preocupação excessiva que não desaparece – diferentemente de ficar ansioso ocasionalmente, o que acontece com todo mundo.

A descoberta
Os pesquisadores descobriram os neurônios ligados à ansiedade no hipocampo, uma área do cérebro que já era conhecida por desempenhar um papel na condição, bem como na navegação e na memória.


Eles fizeram isso estudando ratos ansiosos. Quando a ansiedade se manifesta nesses animais, eles tendem a ter medo de lugares abertos. Então, a equipe os colocou em um labirinto no qual alguns caminhos levavam a áreas abertas. Em seguida, monitorou a atividade das suas células cerebrais no fundo do hipocampo.

“E o que encontramos é que essas células se tornaram mais ativas sempre que o animal entrava em uma área que provoca ansiedade”, disse Mazen Kheirbek, da Universidade da Califórnia em São Francisco, um dos autores do estudo.
Esta atividade por si só, no entanto, não provava que as células estavam causando comportamento ansioso. Os cientistas queriam saber se manipulá-las poderia levar os animais a ficarem mais ou menos ansiosos.


Botão liga/desliga

A equipe encontrou uma maneira de controlar a atividade dessas células, utilizando uma técnica chamada optogenética.

Quando os pesquisadores diminuíram a atividade das células, os ratos ficaram menos ansiosos e começaram a explorar mais os locais abertos. Quando eles aumentaram essa atividade, os ratos ficaram mais ansiosos e não queriam explorar nada.

Embora essa parte do cérebro esteja com certeza relacionada à ansiedade, tais neurônios são provavelmente apenas uma parte de um circuito maior envolvido no comportamento.
Por exemplo, as células do hipocampo se comunicam com outra área cerebral chamada hipotálamo, que diz aos ratos quando evitar algo perigoso. Kheirbek disse que outras partes do “circuito de ansiedade” podem detectar odores ou sons perigosos.


De ratos para seres humanos

Os transtornos de ansiedade são incrivelmente prevalentes e nossos tratamentos atuais são, na melhor das hipóteses, parcialmente eficazes.

“As terapias que temos agora têm desvantagens significativas”, explica Kheirbek. “Este é outro alvo que podemos tentar para mover o campo para a frente e encontrar novas terapias”.

A pesquisa é muito promissora, mas está em estágio inicial e as descobertas de laboratório em animais nem sempre se revelam equivalentes em seres humanos. Os próximos passos da equipe nos darão mais respostas.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Neuron. [NPR, Estadão]

fonte
por Natasha Romanzoti
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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Vírus Zika pode combater tumor cerebral

Em estudo feito na Unicamp, infecção pelo vírus causou a morte de células humanas de glioblastoma, o tipo mais comum e agressivo de tumor cerebral maligno em adultos (: imagem: efeitos citopáticos da infecção pelo vírus Zika em células humanas de gliobastoma / Laboratório Innovare de Biomarcadores da Unicamp)

Agência FAPESP – O vírus Zika, temido por causar microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas durante a gestação por atacar as células que darão origem ao córtex cerebral do feto, pode ser uma alternativa para o tratamento do glioblastoma – o tipo mais comum e agressivo de tumor cerebral maligno em adultos.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (FCF-Unicamp). Resultado de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP, o estudo foi descrito em um artigo no repositório de Ciências Biológicas bioRxiv e aceito para publicação pelo Journal of Mass Spectrometry.

“O vírus Zika, que se tornou uma ameaça à saúde nas Américas, poderia ser modificado geneticamente para destruir células de glioblastoma”, disse Rodrigo Ramos Catharino, professor da FCF-Unicamp e coordenador do Laboratório Innovare de Biomarcadores da instituição.

Estudos anteriores, realizados recentemente no Brasil e no exterior, indicaram que células progenitoras neurais humanas (hNPCs) infectadas pelo vírus Zika apresentam taxas aumentadas de mortalidade juntamente com comprometimento do crescimento e anormalidades morfológicas.

As alterações nessas células – que são precursoras de células cerebrais e se transformam no córtex em embriões e fetos – podem ser uma possível causa de microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas pelo Zika. Outros estudos sinalizaram que o vírus é capaz de se deslocar para células cerebrais, modificar a regulação do ciclo e induzi-las à morte.

Com base nessas observações, os pesquisadores da Unicamp decidiram analisar o que o vírus Zika causaria ao infectar células de glioblastoma. Para isso, infectaram células humanas de gliobastoma maligno com o Zika e registraram imagens delas em microscópios 24 horas e 48 horas após a infecção a fim de verificar eventuais alterações metabólicas (efeitos citopáticos) provocadas pela inoculação do vírus.

Os resultados das análises indicaram que as células de glioblastoma apresentaram efeitos citopáticos leves 24 horas após a infecção, como células redondas e inchadas, além da formação de sincícios – células multinucleadas, em que a membrana celular engloba vários núcleos.

Os efeitos citopáticos mais severos foram observados 48 horas após a infecção, em que se constatou maior quantidade de células redondas e inchadas, formação de sincícios e perda pronunciada de integridade celular, que é um prenúncio da morte celular.

“Observamos mais nitidamente os efeitos citopáticos da infecção das células de glioblastoma com Zika após 48 horas. Nesse tempo, a morfologia delas foi alterada quase que totalmente”, disse Catharino.

Molécula-chave
A fim de identificar os principais compostos (metabólitos) produzidos pelas células de glioblastoma durante a infecção pelo Zika, os pesquisadores analisaram amostras por espectrometria de massa por ionização por dessorção a laser (MALDI-MSI).

A técnica consiste em quebrar os átomos ou moléculas de uma amostra para que fiquem carregadas com mais ou menos elétrons do que o original (ionização) e, em seguida, separá-los em função da sua relação massa/carga a fim de identificá-las e quantificá-las.

Os dados de espectrometria de massa foram então submetidos à análise estatística. Os resultados das análises indicaram que, 24 horas após a infecção, as células começaram a produzir glicosídeos cardíacos, especialmente a digoxina.

Estudo anteriores, realizados in vitro por pesquisadores no exterior, demonstraram que essa molécula foi capaz de diminuir a taxa de multiplicação e aumentar a morte de células de melanoma – o tipo mais agressivo de câncer de pele –, de mama e neuroblastoma – um tumor que costuma afetar principalmente pacientes com até 15 anos de idade.

Como foi demonstrado que glicosídeos cardíacos, como a digoxina, induzem a morte de células cancerosas, os pesquisadores da Unicamp estimam que a infecção pelo Zika desencadeou a síntese da molécula em células de glioblastoma. E que esse fenômeno provavelmente é um dos gatilhos que desencadeiam a morte de células neuronais. “A digoxina pode ser a molécula-chave que ativa a morte das células de glioblastoma durante a infecção pelo Zika”, disse Catharino.

Com base nessas constatações, os pesquisadores sugerem que o Zika possa ser geneticamente modificado com o intuito de eliminar os efeitos da infecção e deixar apenas as partículas virais responsáveis pela síntese da digoxina. Dessa forma, o vírus poderia ser uma alternativa para o tratamento do glioblastoma, que apresenta alta resistência a quimioterápicos.

“O uso de vírus oncolíticos [modificados geneticamente por engenharia genética para destruir células tumorais] está bastante avançado, principalmente para o tratamento de câncer de pele e mieloma [câncer de medula óssea]”, disse Catharino. “O Zika pode ser um candidato para o tratamento de glioblastoma.”

O artigo Zika virus infection induces synthesis of Digoxin in glioblastoma cells (doi: 10.1101/174441), de Estela Lima, Tatiane M. Guerreiro, Carlos Melo, Diogo N. de Oliveira, Daisy Machado, Marcelo Lancellotti e Rodrigo Catharino, pode ser lido no bioRxiv em www.biorxiv.org/content/early/2017/08/09/174441.

O artigo MALDI-Imaging detects endogenous Digoxin in glioblastoma cells infected by Zika virus – would it be the oncolytic key? (doi: 10.1002/jms.4058), de Estela Lima, Tatiane M. Guerreiro, Carlos Melo, Diogo N. de Oliveira, Daisy Machado, Marcelo Lancellotti e Rodrigo Catharino, será publicado no Journal of Mass Spectrometry em onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jms.4058/full.

por Elton Alisson
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Vírus rompe a barreira hematoencefálica e faz sistema imunológico atacar câncer no cérebro


Qualquer tratamento funcional para o câncer é bem-vindo, ainda mais para formas agressivas de tumores cerebrais, mas este é no mínimo inusitado: um vírus inserido na corrente sanguínea do indivíduo não só se mostrou capaz de atacar as células cancerígenas neste tipo de câncer, como também passou a estimular o sistema imunológico do paciente a também atacar o tumor.

O estudo, liderado por cientistas da Universidade de Leeds e do Instituto de Pesquisa do Câncer em Londres, ambos na Inglaterra, descobriu que o vírus, que ocorre naturalmente, poderia atuar como uma imunoterapia efetiva em pacientes com câncer de cérebro ou outros tipos de câncer que se espalharam para o cérebro.
Os vírus que mostram potencial para o tratamento do câncer são conhecidos como vírus oncolíticos. O que foi usado para o estudo é chamado de ortoterovírus mamífero tipo 3, da família dos reovírus. Cientistas já haviam demonstrado que este vírus mata células tumorais, mas poupa células saudáveis​.

Quebrando a barreira
Testes já haviam demonstrado que isso era possível, mas a principal dúvida dos cientistas era se o vírus seria capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica. uma membrana que protege o cérebro de agentes patogênicos.

Caso isso não fosse possível, a única maneira de colocar o vírus no cérebro seria injetá-lo diretamente lá, algo que, além de desafiador, não seria adequado para todos os pacientes e não poderia ser repetido regularmente. Mas as pesquisas demonstraram que o vírus poderia ser administrado através de uma dose única de gotejamento intravenoso.

O teste foi feito com nove pacientes que tinham câncer de outras partes do corpo havia se espalhado para o cérebro ou gliomas de rápido crescimento, um tipo de câncer cerebral que é difícil de tratar e tem um prognóstico ruim. Eles estavam prestes a ter os tumores removidos cirurgicamente. Nos dias anteriores às operações, os pacientes receberam o tratamento com o vírus.

Quando os tumores foram removidos, amostras foram colhidas e analisadas procurando sinais de que o vírus havia conseguido atingir o câncer, que às vezes estava escondido profundamente dentro do cérebro. Em todos os nove pacientes, havia evidências de que o vírus atingiu seu objetivo.
E então veio a surpresa: os pesquisadores também descobriram que a presença do reovírus estimulava o próprio sistema imunológico do corpo. Glóbulos brancos ou células T foram atraídas para o local do tumor para atacar o câncer.

“Este estudo era sobre mostrar que um vírus poderia ser entregue a um tumor no cérebro. Ele não só conseguiu atingir seu alvo, mas havia sinais de que estimulou as próprias defesas imunes do corpo para atacar o câncer”, explica Adel Samson, professor da Universidade de Leeds e um dos autores do estudo. “Esta é a primeira vez que se demonstrou que um vírus terapêutico pode passar pela barreira do cérebro, o que abre a possibilidade de que este tipo de imunoterapia possa ser usada para tratar mais pessoas com câncer de cérebro agressivo”, comemora.

Acontece que nosso sistema imunológico não se sai muito bem ao detectar células cancerígenas, uma vez que elas são muito parecidas com nossas células saudáveis. O que um tratamento com vírus faz é colocar uma espécie de marca de doença nestas células.
“Nossos sistemas imunológicos não são muito bons em ‘ver’ os cânceres – em parte porque as células cancerosas se parecem com as células do próprio corpo e, em parte, porque os cânceres são bons em dizer às células imunes que fechem seus olhos. Mas o sistema imunológico é muito bom em ver vírus. Em nosso estudo, conseguimos mostrar que o reovírus poderia infectar células cancerosas no cérebro. E, o que é mais importante, os tumores cerebrais infectados com reovírus tornaram-se muito mais visíveis para o sistema imunológico”, explica Alan Melcher, professor do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, também autor do estudo.

Próximos passos
Agora que sabem que o vírus é capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica, o objetivo dos pesquisadores é descobrir quão efetivo o tratamento pode ser. Um novo teste já começou no Hospital St James, em Leeds, onde os pacientes receberão o reovírus em combinação com o tratamento padrão de radioterapia e quimioterapia que acompanha a cirurgia.

Embora o teste anterior tenha demonstrado que o reovírus atingiu as células cancerígenas após apenas uma dose única, os médicos decidiram fazer o tratamento repetidamente, com mais doses aos pacientes, por causa do “pontapé inicial” que o tratamento deu às próprias defesas do corpo.

O tratamento está sendo liderado por Susan Short, professora de oncologia clínica da Universidade de Leeds. “A presença de câncer no cérebro amortece o sistema imunológico do corpo. A presença do reovírus neutraliza isso e estimula o sistema de defesa a entrar em ação. Nossa esperança é que o efeito adicional do vírus no aumento da resposta imune do corpo ao tumor aumente a quantidade de células tumorais que são mortas pelo tratamento padrão, radioterapia e quimioterapia”.

Ela destaca que há muito tempo não havia novidades no tratamento do câncer cerebral. “A pesquisa que está acontecendo na Universidade de Leeds e em outros lugares está começando a oferecer uma nova abordagem”, comemora. [Leeds University]

por Jéssica Maes
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Pesquisa conclui que protetores solares podem causar câncer - E agora?


Você se protege do sol usando protetor solar?
A gente também!

Mas tem algo sobre os protetores solares que você provavelmente ainda não sabe. E é uma coisa muito séria.
De acordo com pesquisa publicada pelo jornal inglês The Independent, a probabilidade de morrer pelo uso desse produto é maior do que pela exposição ao sol. A análise foi feita com 30.000 mulheres voluntárias durante mais de duas décadas. O resultado foi que a taxa de mortalidade entre aquelas que evitam o sol com protetor solar era quase o dobro das que passam o verão sem proteção alguma. Talvez você esteja questionando essa descoberta, mas a gente explica o que os cientistas descobriram.
O protetor bloqueia a capacidade do corpo de absorver vitamina D, que é tão presente nos raios solares. A carência dessa vitamina resulta em problemas gravíssimos.

Para você ter ideia da gravidade, 85% dos americanos têm deficiência de vitamina D. E nos últimos anos tem aumentado muito o número de pessoas com câncer, doenças cardiovasculares, osteoporose, artrite e inflamações no intestino.

Coincidência?!?
A importância da vitamina D é enorme e seus benefícios são vários, como:

1. Manutenção da saúde dos ossos e dentes (o corpo precisa de vitamina D para absorver cálcio)

2. Melhoria na saúde do sistema imunológico, cérebro e sistema nervoso

3. Equilibra os níveis de insulina e auxilia o controle de diabetes

4. Melhoria na função pulmonar e na saúde cardiovascular

Infelizmente, como podemos ver a partir desse estudo, o câncer de pele tão temido por muitos, por exemplo, pode se desenvolver mesmo que você passe protetor solar.

Outro estudo, desta vez divulgado pela Câncer Research Avoindance mostrou que um pouco de vitamina D presente no sangue ajuda a proteger o corpo contra queimaduras do sol e também o câncer de pele.

No artigo "Eu peço desculpa, mas não concordo: um dermatologista que não tem medo de se sentar na praia e ficar exposto ao sol", publicado no The New York Times, o dr. Bernard Ackerman afirma que a conexão entre o melanoma (câncer de pele) e a exposição direta ao sol ainda não está confirmada. No entanto, ele aconselha que evitemos o sol forte para proteger a pele do envelhecimento, especialmente no caso das pessoas com pele clara.
Para o médico, porém, é um erro evitar completamente o sol e usar protetor solar.
O dr. Bernard também atestou que um câncer de pele geralmente ocorre em lugares que não ficam muito expostos ao sol.

No livro da dra. Elizabeth Plourde, "Sun blocks-- Biohazard: Alleviate as Hazardous Waste", publicado em 2011, ela documentou as principais ameaças desse produto tão vendido nas farmácias e mercados. Ele não apenas é perigoso para as pessoas, como também para o meio ambiente. Esse produto contém muitas substâncias químicas que podem causar tumores e desregular o sistema endócrino. Além disso, os protetores poluem os recursos hídricos, incluindo mares, rios e água potável. Se você não sabe, 97% dos americanos têm substâncias tóxicas do protetor solar no sangue. O que os pesquisadores aconselham é um bom banho de sol, mas com moderação e sem o uso de protetor solar.

Assim você estará garantindo a absorção de vitamina D.

Referências:
http://www.independent.co.uk/life-style/health-and-families/major-study-...

http://www.mercola.com/Downloads/bonus/vitamin-d/report.aspx

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21733837

http://www.nytimes.com/2004/07/20/health/i-beg-to-differ-a-dermatologist...

http://www.faim.org/sunscreen-as-biohazard

https://www.ewg.org/sunscreen/report/the-trouble-with-sunscreen-chemicals/

http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/seasonal-affective-disorde...

Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. Ele não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.

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terça-feira, 11 de julho de 2017

Tenha cuidado com estes 20 medicamentos - Eles causam perda de memória


A maioria das pessoas consomem medicamentos sem saber os malefícios que eles podem causar. Para você ter ideia, por ano, as drogas lícitas são responsáveis por mais de 100.000 mortes. E o problema não para por aqui. Pelo menos 1,5 milhão de pessoas, anualmente, sofrem sequelas horríveis, como a perda de memória. Por isso se você está consumindo algum remédio prescrito por seu médico, leia esta matéria e veja se ele está na lista dos que mais causam problemas cognitivos.

Para iniciar, entenda o que acontece para que os medicamentos sejam prejudiciais:


1. Os medicamentos "anti" alguma coisa

Nestes, estão inclusos: anti-histamínicos, antidepressivos, antipsicóticos, antibióticos, antiespasmódicos e anti-hipertensivos. Eles afetam os níveis de acetilcolina , que é o principal neurotransmissor envolvido na aprendizagem e memória. Isso significa que quando o nível de "acetilcolina" ficar baixo, desenvolve-se sintomas semelhantes à demência, confusão mental, delírio, visão turva, perda de memória e até alucinações.

2. Pílulas para dormir
Elas são horríveis para a memória e causam um problema conhecido como "amnésia de drogas”. Há pessoas que, enquanto estão sob esta medicação, sofrem com alucinações e sonambulismo durante a noite. Essas pílulas deixam qualquer um em estado de sonolência, muito parecido com a situação dos bêbados ou dos pacientes em coma - o cérebro simplesmente fica dopado.

3. Estatinas
É verdade que elas são excelentes para reduzir colesterol, mas também são as piores drogas para o cérebro. Isso acontece porque 1/4 do nosso cérebro é formado por colesterol, que é justamente responsável para a memória, aprendizagem e raciocínio rápido. Agora veja a lista de 20 medicamentos que devem ser evitados, se você quer preservar sua memória:

Remédios para mal de Parkinson: escopolamina, atropina e glicopirrolato
Remédios para epilepsia: Dilantin fenitoína
Analgésicos: heroína, morfina, codeína
Pílulas para dormir: Ambien, Lunesta, Sonata
Benzodiazepínicos Valium, Xanax, Ativan, Dalmane
Quinidina
Naproxeno
Esteroides
Antibióticos (quinolonas)
Anti-histamínicos
Interferon
Medicamentos de hipertensão
Insulina
Betabloqueadores (especificamente aqueles utilizados para o glaucoma)
Metildopa
Antipsicótico: Haldol, Mellaril
TCAs
Lítio
Barbitúricos: Amytal, Nembutal, Seconal, Fenobarbital
Medicamentos para o tratamento de quimioterapia

Se você consome uma dessas drogas, deve estar se perguntando o que pode fazer para evitar os problemas cognitivos. Aconselhamos observar se o medicamento está causando algum tipo de efeito colateral em seu cérebro. Caso isso realmente esteja acontecendo, procure seu médico e informe. Peça a prescrição de outros medicamentos, algo mais leve e natural.

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Consumo regular de chocolate realmente beneficia seu cérebro


Uma equipe de pesquisadores italianos realizou uma meta-análise de vários estudos, observando especificamente o que acontece com seu cérebro imediatamente após o consumo de flavanol de cacau (antioxidantes encontrados em grãos de cacau).

Aparentemente, o consumo de cacau não só aumenta a memória e a função cognitiva a curto prazo, como a ingestão regular pode ajudar a proteger contra o declínio cognitivo à medida que envelhecemos.

Ou seja, chocolate pode ser muito bom para nosso cérebro.

Alerta!
Antes de prosseguirmos em nossa ode ao chocolate, vale lembrar de que estamos falando de um alimento realmente rico em cacau.

Logo, para tirar o melhor proveito do doce, a melhor escolha seria um chocolate amargo. E, mesmo assim, é bom se certificar de que você adquiriu um produto saudável, visto que muitos chocolates industrializados contêm na verdade pouco cacau.

Chocolate e cérebro
Os cientistas descobriram que comer flavonóis de cacau aumenta o fluxo sanguíneo em partes chave do cérebro, melhorando a memória, a capacidade de atenção e até a velocidade de processamento de imagens visuais.

Os efeitos desses benefícios em adultos jovens e saudáveis, no entanto, eram sutis. Somente testes cognitivos exigentes puderam notá-los.

Surpreendentemente, porém, os pesquisadores também descobriram que comer chocolate regularmente durante um longo período de tempo afeta a parte do cérebro ligada à cognição relacionada à idade.

Isso significa que o cacau melhora significativamente o desempenho do cérebro em adultos mais velhos já sofrendo de declínio cognitivo leve. Potencialmente, também, pode proteger contra o declínio cognitivo.

Remédio: um chocolate amargo
“Se você olha o mecanismo subjacente, os flavonóis de cacau têm efeitos benéficos para a saúde cardiovascular e podem aumentar o volume sanguíneo cerebral no giro dentado do hipocampo”, explicaram as autoras do estudo, Valentina Socci e Michele Ferrara, da Universidade de L’Aquila, em um comunicado. “Esta estrutura é particularmente afetada pelo envelhecimento e, portanto, a fonte potencial de declínio da memória relacionada à idade nos seres humanos”.

Outro benefício interessante do cacau, visto especialmente entre as mulheres, é que comer chocolate após uma noite de privação de sono parece contrabalancear seus efeitos negativos e melhorar a função cognitiva.

Segundo o estudo, a administração de flavonóis de cacau pode ser usada como “uma nova ferramenta interessante para proteger a cognição humana” e para tratar diferentes tipos de declínio cognitivo, seja a privação de sono ou um declínio natural da cognição na velhice.

Entretanto, os cientistas lembram que existe também uma desvantagem óbvia de consumir muito chocolate: o açúcar e o leite adicionados. Mais uma vez, a melhor escolha é o chocolate amargo. [IFLS]

por Natasha Romanzoti
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Chocolate melhora o sono e a memória

De acordo com um estudo italiano, os flavonoides, substâncias presentes no chocolate, podem reduzir os efeitos da insônia e melhorar a saúde do cérebro

De acordo com a pesquisa, o consumo diário de chocolate amargo pode melhorar o funcionamento do cérebro em fatores como a atenção, processamento cerebral, memória de trabalho. (Istock/Getty Images)

Você tem insônia ou lapsos de memória? Segundo um novo estudo da Universidade de L’Aquila, na Itália, o chocolate pode ajudar a melhorar o sono e a saúde do cérebro.

Os pesquisadores acreditam que substâncias presentes no cacau, conhecidas como flavonoides – composto com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que combatem os radicais livres e -, melhoram a atenção, a rapidez do processamento cerebral, a memória de trabalho e a fluência verbal em pessoas mais velhas.

“Chocolate amargo é uma fonte rica de flavonoides. O estudo sugere que essas substâncias podem proteger essas pessoas a longo prazo e melhorar a capacidade cognitiva”, disse ao tabloide britânico Daily Mail Valentina Socci, principal autora do estudo.

Flavonoides
No estudo, a equipe procurou explorar o que acontece com o cérebro algumas horas após ter ingerido flavonoides provenientes do cacau. No geral, os resultados demostraram que o consumo diário de chocolate amargo melhorou a cognição, atenção, velocidade de processamento de informações e a memória. Com os participantes que haviam ingerido chocolate obtendo melhor desempenho em testes de memória e maior habilidade e rapidez nos testes visuais. Esses efeitos podem variar de cinco dias até três meses.

No entanto, os benefícios foram mais pronunciados em adultos mais velhos e idosos, com um declínio de memória inicial. Nas mulheres, o alimento também mostrou-se eficaz em reduzir alguns dos efeitos do cansaço após uma noite mal dormida.

Efeitos
Os cientistas disseram que os resultados podem ser promissores para pessoas que sofrem de privação crônica do sono ou que têm períodos alternados de trabalho.

Os pesquisadores acreditam ainda que os flavonoides podem, um dia, ajudar a tratar pessoas em estado de vulnerabilidade. No entanto, apesar dos benefícios, eles alertam sobre os efeitos colaterais do consumo exagerado do cacau e do chocolate. “Esses alimentos têm um alto valor calórico graças a substâncias inerentes ao cacau, como a cafeína e a teobromina, e aditivos do chocolate, como açúcar e leite”, disse Valentina.

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Descoberta científica aponta que o cérebro humano pode operar em 11 dimensões


Neurocientistas aproveitaram um ramo clássico de matemática de uma forma totalmente nova para avaliar a estrutura de nossos cérebros. Por meio da topologia algébrica, eles descobriram que o principal órgão do sistema nervoso está cheio de estruturas geométricas multidimensionais e pode operar em até 11 dimensões.

Estamos acostumados a enxergar o mundo por uma perspectiva tridimensional, então isso pode parecer estranho ou difícil de conceber. Porém, os resultados do novo estudo poderiam ser um próximo passo importante na compreensão dos tecidos do cérebro humano – a estrutura mais complexa que conhecemos.

Pesquisa suíça
Esse novo modelo de cérebro foi produzido por uma equipe de pesquisadores do projeto Blue Brain, uma iniciativa da pesquisa suíça dedicada a elaborar uma reconstrução do cérebro humano via supercomputador.
A equipe utilizou topologia algébrica, um ramo de matemática aplicado no sentido de descrever as propriedades de objetos e espaços, independentemente de como eles mudaram de forma. Eles descobriram que os grupos de neurônios se conectam em “panelinhas”, ou seja, em grupos afins, e que o número de neurônios em uma mesma “panelinha” determinaria seu tamanho como um objeto geométrico de alta dimensão.

“Encontramos um mundo que nunca havíamos imaginado”, disse o líder da pesquisa, Henry Markram, neurocientista do instituto EPFL na Suíça. “Existem dezenas de milhões desses objetos, mesmo em uma pequena mancha do cérebro, através de sete dimensões. Em algumas redes, até encontramos estruturas com até 11 dimensões”.

Funcionamento cerebral
Estima-se que os cérebros humanos contenham um impressionante total de 86 bilhões de neurônios, com conexões múltiplas entre cada célula e emaranhadas por todas as direções possíveis. Eles formam, desse modo, a vasta rede celular que, de alguma forma, faz com que as pessoas sejam capazes de pensar e de desenvolver a consciência.

Diante de uma quantidade tão imensa de conexões para serem analisadas, não é de admirar que ainda não seja possível compreender, de forma minuciosa, como opera a rede neural do cérebro. Porém, a nova estrutura matemática construída pela equipe nos conduz alguns passos adiante para, um dia, desenvolver um modelo de cérebro digital.

Procedimento
Para realizar os testes matemáticos, a equipe usou um modelo detalhado de neocórtex publicado pela equipe do projeto Blue Rain, em 2015. O neocórtex é considerado a parte mais recentemente desenvolvida dos nossos cérebros no processo evolutivo. Ele se envolve em algumas de nossas funções mais complexas, como cognição e percepção sensorial.
Depois de desenvolver a linha teórica matemática e testá-la em seus estímulos virtuais, os pesquisadores também confirmaram seus resultados em tecidos cerebrais reais de ratos.

De acordo com o estudo, a topologia algébrica fornece ferramentas matemáticas para identificar detalhes da rede neural, tanto em uma visão aproximada ao nível dos neurônios individuais quanto em uma escala maior, na estrutura cerebral como um todo.

Ao conectar esses dois pontos de vista, os pesquisadores poderiam distinguir as estruturas geométricas de alta dimensão no cérebro, formadas por coleções de neurônios hermeticamente conectados (cliques) e os espaços vazios (cavidades) entre eles.

“Encontramos um número extraordinariamente alto e uma ampla variedade de cliques e cavidades ordenadas de alta dimensão, que jamais foram vistas antes em redes neurais, nem biológicas ou artificiais”, escreveram os pesquisadores no estudo.

“A topologia algébrica é como um telescópio e um microscópio ao mesmo tempo”, diz uma das cientistas, Kathryn Hess, da EPFL. “É possível ampliar as redes para encontrar estruturas ocultas – as árvores na floresta – e enxergar os espaços vazios e as clareiras, tudo ao mesmo tempo”.

Essas clareiras, ou cavidades, parecem ser criticamente importantes para a função cerebral. Quando os pesquisadores deram um estímulo ao tecido do cérebro virtual, perceberam que os neurônios estavam reagindo de maneira altamente organizada.
“É como se o cérebro reagisse a um estímulo ao construir e depois destruir uma torre de blocos multidimensionais, começando com hastes (unidimensionais), pranchas (bidimensionais), cubos (tridimensionais) e, enfim, geometrias mais complexas com 4D, 5D, etc”, diz um dos cientistas, o matemático Ran Levi, da Universidade Aberdeen, na Escócia. “A progressão das atividades através do cérebro se assemelha a um castelo de areia multidimensional, que se materializa fora da areia e, depois, desintegra-se”.

Essas descobertas fornecem uma nova imagem tentadora de como o cérebro processa as informações, mas os pesquisadores pontuaram algo que ainda não está claro: o que faz os cliques e as cavidades se formarem em suas maneiras altamente específicas.
Será necessário mais trabalho e pesquisas para determinar como a complexidade dessas formas geométricas multidimensionais formadas por nossos neurônios se correlacionam com a complexidade de diversas tarefas cognitivas.

Mas, definitivamente, esta não é a última vez que teremos notícias de novos insights que a topologia algébrica pode nos fornecer sobre o cérebro – o mais misterioso dentre os órgãos humanos.

O estudo foi publicado na Frontiers of Computational Neuroscience. [ScienceAlert]

por Carolina Goetten
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terça-feira, 30 de maio de 2017

Brasileiros criam cérebro feito de xixi para estudar doenças

Eles transformam urina em células-tronco, depois em neurônios. E com isso, buscam novas formas de curar a mente.

(Ukususha/iStock)

Imagine se você pudesse estudar minuciosamente um cérebro doente, sem ter de abrir a cabeça de ninguém. Existe uma receita para isso. Os ingredientes são desafiadores: células tronco, doenças neurológicas graves e drogas das mais inusitadas. Agora adicione urina e pronto. Temos a estrutura básica dos minicérebros desenvolvidos no Instituto D’Or, no Rio de Janeiro.

No seu laboratório, o neurocientista Stevens Rehen cria estruturas que imitam os cérebros humanos. E tenta entender se eles ficam doentes (deprimidos, esquizofrênicos, epiléticos) e respondem a remédios mais ou menos como o seu cérebro faria.

Potencial para isso não falta, porque eles são criados a partir de células reprogramadas de gente de verdade. Uma célula adulta, de pele por exemplo, é induzida a voltar ao seu estado de célula-tronco, quase tão adaptável quanto as células de um embrião.

Depois que ficou “maleável”, ela é programada para se tornar um neurônio adulto. E esse neurônio carrega todo o background genético do paciente. Ou seja: se a pele inicial foi tirada de um esquizofrênico, aquele neurônio vai carregar, nos seus genes, marcadores da esquizofrenia.

Mas onde entra o xixi em tudo isso?
O problema é que extrair células de pessoas com doenças graves, mesmo as células banais como a da pele, pode ser difícil. Por conta desses casos especiais, o laboratório se especializou em reprogramar células expelidas na urina.

“Você pega idosos com Alzheimer. Trabalhamos com crianças que têm doenças muito graves. Dependendo do grau, não é uma coisa trivial pegar um pedaço de pele. Já com urina é completamente tranquilo. É muito menos invasivo e traumático”, explica Rehen, que apresentou os estudos do Instituto D’Or no 1º Simpósio de Engenharia Tecidual, organizado pelo Inmetro e pela L’Oréal.

O processo depois disso é o mesmo: uma célula adulta é induzida ao estado de célula-tronco e depois levada a se transformar em neurônio.

Nova psiquiatria
Os pesquisadores do Instituto I’Dor usam os minicérebros programados a partir da urina para como funciona (e como tratar) um tipo de epilepsia chamada Síndrome de Dravet.

Dravet é uma doença genética, que causa convulsões violentas e frequentes em crianças. No Brasil, é uma das doenças ligadas à cannabis medicinal, porque o canabidiol (CBD), presente na maconha, parece ter um efeito poderoso contra as convulsões (assunto abordado pelo documentário Ilegal, o primeiro filme da SUPER).

Ainda que os efeitos do CBD já sejam conhecidos, falta entender mais sobre a droga e sobre a doença para saber, de fato, qual é o mecanismo de ação da maconha sobre o cérebro com Dravet.

É exatamente isso que pesquisadores brasileiros têm feito, no I’Dor e em outros laboratórios. “Reprogramamos células da urina de crianças com Dravet e agora estudamos as substâncias que têm efeito nos minicérebros criados a partir delas”, explica Rehen. “Temos quatro pacientes reprogramados. Podemos testar combinações de compostos presentes na cannabis e chegar a uma formulação personalizada”.

Como o minicérebro reflete o DNA do paciente, o estudo final pode não só apontar os compostos da cannabis com maior potencial de serem usados para remédios, mas também a receita ideal específica para aquela criança estudada.

E os estudos com drogas não se limitam à maconha. Os pesquisadores também têm participado ativamente de uma nova tendência na psiquiatria, chamada de Renascença Psicodélica. Há anos não são lançadas formulações totalmente novas de remédios como os antidepressivos – e por isso, os pesquisadores buscam nas drogas alucionógenas um potencial terapêutico.


No Brasil, o destaque vai para o ayahuasca, combinação de drogas ligadas a rituais de religião como Santo Daime. Tanto o Instituto D’Or com seus minicérebros quanto o Instituto do Cérebro, associado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, estudam o potencial do ayahuasca contra a depressão.

Força epidêmica

Mas nem só de drogas vivem os minicérebros. Eles também já foram postos à prova durante a epidemia de Zika.

O modelo foi o primeiro a demonstrar, em laboratório, a associação entre o vírus e a microcefalia. “Confirmamos que as células neurais humanas eram infectadas pelo vírus Zika. Mostramos que há uma redução de 30% no crescimento desses minicérebros depois de expostos à doença”, conta o pesquisador.

Em parceria com a Fiocruz e a UFRJ (na qual Rehen também é professor), foram mapeadas as proteínas afetadas no nos mini-cérebros. O próximo passo foi testar medicamentos que agissem sobre essas proteínas. Resultado: chegaram a dois “medicamentos candidatos”, seguros para uso em mulheres grávidas, que indicavam um potencial para reduzir os prejuízos do Zika.

“A questão não é apenas o vírus. E sim demonstrar que a plataforma pode ser utilizada para outras situações, outras doenças e já está disponível no laboratório”, conclui Stevens. E nem é preciso sair do território nacional.

Por Ana Carolina Leonardi
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Privação de sono faz o cérebro comer a si mesmo

Ficar sem dormir faz as células imunológicas trabalharem demais – o que pode ser bom a curto prazo, mas depois de um tempo aumenta os riscos de demência

(Reprodução/Reprodução)

Todo mundo que já teve uma noite mal dormida conhece o cansaço e a exaustão do dia seguinte. Mas a sensação de que precisamos de mais energia para nos concentrarmos e focarmos em atividades cotidianas não é por acaso: privação de sono pode fazer com que algumas sinapses sejam “comidas” por outras células cerebrais. A descoberta é de um time de cientistas da Universidade Politécnica de Marche, na Itália.

Ao comparar o cérebro de ratos com padrões normais de sono com o de roedores que ficaram sem dormir, os pesquisadores perceberam que o cérebro tem um sistema de limpeza que, com quantidades de sono regulares, recria as sinapses danificadas e as transforma em novas membranas e proteínas.

Mas, em cérebros de ratos que tiveram problemas de sono, esse mecanismo tornou-se mais ativo, quebrando mais conexões neurais. Essa função é desempenhada pelos astrócitos, as células neurais mais comuns , responsáveis pela nutrição dos neurônios e regulação da concentração de diversas substâncias que regulam o bom funcionamento cerebral. Em outras palavras, os astrócitos limpam as células desgastadas e em excesso no cérebro.

“Nós mostramos pela primeira vez que partes das sinapses foram literalmente comidas pelos astrócitos por causa da perda de sono”, afirmou o líder do estudo, Michele Bellesi, ao New Scientist. Os cientistas analisaram esse processo graças a um microscópio eletrônico que reconstruiu as atividades celulares em 3D.

A faxina geral dos astrócitos dos animais cansados não foi motivo para preocupação já que muitas das sinapses atingidas ocupavam muito espaço e eram antigas. Bellesi compara o processo ao cuidado com móveis antigos: assim como a mobília, essas sinapses necessitam mais atenção e limpeza.

O que está tirando o sono dos cientistas é que a fagocitose dos astrócitos em casos de privação do sono acelerou o funcionamento das micróglias, as menores células imunológicas do sistema nervoso, que agem como guardiãs do cérebro. Estudos anteriores comprovam que a ativação das micróglias tem relação com o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como Azheimer e demência.

A pesquisa foi publicada no Journal of Neuroscience. A equipe de Bellesi defende que ainda precisa se aprofundar mais para saber o quanto a privação de sono interfere na ocorrência do Alzheimer.

Por via das dúvidas, melhor não varar muitas madrugadas.

Por Pâmela Carbonari
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sábado, 27 de maio de 2017

TOP 10 coisas SURPREENDENTES que acontecem com seu corpo se você beber água em jejum


A água é a fonte da vida e é muito importante para muitos seres, como nós. O corpo humano é composto por sua grande maioria de água, e manter-se hidratado pode trazer muitos benefícios.

Certamente você já deve ter ouvido que é preciso beber dois litros de água por dia, e também que beber água em jejum faz bem para a saúde. Mas, porque beber água em jejum pode ser bom para a saúde?

Segundo especialistas, beber água em jejum funciona como uma limpeza no organismo. A associação Médica do Brasil indica que este costume, que também é realizado pelos japoneses, previne doenças no coração. Confira agora 10 motivos para beber água em jejum.



1 – Elimina toxinas e dejetos do corpo
A água é responsável por eliminar as toxinas e dejetos do corpo que são expelidos na urina, fazendo uma espécie de “limpeza” do organismo.

2 – Previne doenças
Beber água em jejum previne doenças cardíacas e acelera o metabolismo, ajudando na digestão dos alimentos consumidos ao longo do dia.

3 – Ameniza os impactos da bebida alcoólica no corpo
A água ajuda a hidratar o corpo e também minimiza os efeitos da bebida alcoólica para a saúde humana.

4 – Cuida da pele
Beber dois copos de água em jejum ajuda no rejuvenescimento e mantém a elasticidade da pele, deixando-a menos ressecada e com boa aparência.

5 – Melhora o funcionamento do intestino
Beber água em jejum ajuda a combater a prisão de ventre e melhora o funcionamento do intestino.

6 – Ajuda a reduzir a gordura no corpo
Além de inibir a fome, beber água em jejum também auxilia a manter o sistema linfático saudável e controla os hormônios responsáveis pelo acúmulo de gordura no corpo.

7 – Protege os órgãos
Beber água em jejum protege os órgãos e faz com que eles funcionem bem.

8 – Dá força e energia
Beber água em jejum dá energia para o corpo, pois desperta o organismo e faz com que ele tenha mais disposição durante o dia.

9 – Ajuda no funcionamento do cérebro
Quando se está bem hidratado, as células do corpo recebem sangue oxigenado e isso faz com que o cérebro funcione melhor.

10 -Tem ação diurética
Beber água morna em jejum tem efeito diurético e ajuda a eliminar os líquidos do corpo, fazendo com que, consequentemente, se reduza o peso.

[ Lifehack ] [ Fotos: Reprodução / Lifehack ]

fonte
por Gustavo Teixera
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sexta-feira, 5 de maio de 2017

10 hábitos que você precisa adotar imediatamente para evitar a demência ou o mal de alzheimer!

O cérebro humano tem habilidades incríveis.

Infelizmente, o mal de Alzheimer pode destruir a maior parte dessas habilidades.
A demência causa consequências terríveis, como:

- Perda de memória

- Raciocínio lento

- Dificuldade em se expressar

- Mudanças bruscas de comportamento

A chance de sintomas como esses serem o resultado da doença Alzheimer é de 60% a 70%.

No entanto, também pode ser Parkinson, problemas na tireóide, traumatismo craniano, depressão, alteração vascular, uso excessivo de medicamentos farmacêuticos e deficiência de vitamina.
Portanto, se você perceber algum sinal de demência, procure o seu médico o mais rápido possível.
Afinal, se o problema for reversível, quanto mais rápido tratar, melhor.

Voltando ao mal de Alzheimer, infelizmente, todos sabem, é um problema sério, cujo tratamento é bem difícil.

Por isso a melhor estratégia é a prevenção.

Sim, você pode fazer algo para fortalecer o seu cérebro contra doenças degenerativas, inclusive Alzheimer.

Por exemplo:

1. Minimizar o uso de drogas anticolinérgicas

O problema dessas drogas é que elas diminuem os impulsos nervosos parassimpáticos.

Para quem não sabe, o sistema parassimpático tem a função de gerenciar as atividades que acontecem enquanto o corpo descansa.
Ou seja, são aqueles nervos responsáveis pelos músculos dos pulmões, trato urinário, trato gastrointestinal e outras partes do corpo.

A maioria dos soníferos prescritos, medicamentos antialérgicos, antidepressivos e medicamentos para o coração tem potente ação anticolinérgica no corpo.

Existem estudos que mostram que o uso regular de medicamentos anticolinérgicos aumenta significativamente o risco de demência.

Por esse motivo, muitos profissionais de saúde de todo o mundo estão tentando educar seus pacientes sobre os perigos desses medicamentos e como limitar a sua utilização.

Se você atualmente usa anticolinérgicos, recomendamos que você consultar com seu médico sobre como reduzir seu uso ou substituí-los.

Veja AQUI uma lista com alguns desses medicamentos.

2. Tome vitamina D

Muitos estudos encontraram uma estreita relação entre a demência e o baixo nível de vitamina D.

Procure se expor ao sol brando e consuma suplementos de vitamina D.

Isso evitará muitos problemas de distúrbio cerebral.

3. Consuma óleo de peixe/ ômega 3

A sua ausência na dieta humana pode causar problemas no cérebro.

Consulte seu médico antes de começar a consumir o óleo de peixe, pois o consumo desequilibrado pode causar efeitos colaterais.

4. Consuma vitaminas do complexo B

Vitaminas como B12, B6 e folato podem reduzir os níveis da molécula homocisteína (HC).

Uma elevada carga de HC aumenta significativamente as chances da pessoa sofrer problemas vasculares.

Além disso, leva ao declínio cognitivo com o passar da idade.

Para prevenir, pode-se consumir 500mcg de vitamina B12.

Mas só o faça com a prescrição do seu médico.




5. Pratique exercícios físicos

Esta é uma dica útil para prevenir muitas doenças.
Procure andar ou pedalar por 30 minutos diariamente.

6. Explore o seu cérebro

Se possível, desafie seu cérebro fazendo palavras cruzadas, montando quebra-cabeças ou até mesmo aprendendo um idioma - isso pode atrasar o declínio da memória em quase dois anos e meio.

Um estudo recente mostrou que pessoas que sabem mais de uma língua tem pelo menos cinco anos a mais de lucidez do que as que conhecem apenas o básico da língua nativa.

7. Reduza o consumo de álcool e fumo

Todo mundo sabe que essas duas práticas podem causar problemas gravíssimos de saúde.
Fumantes apresentam um risco 45% maior de desenvolver Alzheimer comparados aos não fumantes.
As pessoas que bebem álcool também têm mais chances de desenvolver demência, principalmente se o consumo for excessivo.

8. Proteja a cabeça contra lesões

Pancadas na cabeça aumentam os riscos de Alzheimer, então tome muito cuidado.
Sempre que realizar atividades esportivas, com skate, patins, bicicleta, use capacete para proteger.

9. Garanta seu ciclo social

A boa interação com as pessoas protege o cérebro de efeitos negativos, como solidão.
Junte-se com amigos e parentes para celebrar os momentos juntos, com brincadeiras, jogos, piadas ou um bom filme.

10. Analise o peso, nível de colesterol e a pressão arterial

É sempre bom está no peso ideal e com as taxas hormonais equilibradas.
Alterações como essas podem causar acidente vascular cerebral e problemas cardíacos.
Invista numa dieta rica em peixe, verdura, nozes e sementes para prevenir a demência.

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Álcool compromete o cérebro mesmo sem causar embriaguez

Pessoas que bebem com mais frequência têm menor autopercepção de como o álcool afeta sua capacidade cognitiva, o que as coloca em um risco maior de danos

Um novo estudo mostrou que embora pessoas que bebam grandes quantidades de álcool com frequência não percebam seus efeitos no organismo, a substância afeta sua capacidade cognitiva o que acaba colocando essas pessoas em maior risco de acidentes. (Thinkstock/Thinkstock)

Pessoas que bebem com frequência tendem a não sentir os efeitos do álcool, mesmo depois de algumas doses. No entanto, ainda é preciso ter cuidado. De acordo com estudo liderado pelo Sistema de Saúde para Veteranos do Exército de San Diego, nos Estados Unidos, embora não percebam, essas pessoas também enfrentam problemas cognitivos como redução da velocidade das habilidades motoras, memória de curto prazo e processamento complexo, o que pode ser grave.

Os maiores consumidores de álcool também demonstraram menor autopercepção de danos do que aqueles que costumam beber menos, o que pode resultar em comportamentos ainda mais arriscados quando bêbados. “Em geral, existe uma crença de que quem está acostumado a beber muito pode lidar com o álcool e que muitas tarefas diárias comuns não são afetadas pelo consumo”, disse Ty Brumback, autor do estudo e especialista em tratamento de vício, ao Daily Mail.

Testes
Um total de 105 pessoas foram testadas em suas habilidades cognitivas e de coordenação motora duas vezes em um intervalo de cinco anos. Um ‘bebedor experiente‘ foi definido como alguém que bebia em torno de 10 a 40 doses de bebida alcoólica por semana – pelo menos nos últimos dois anos anteriores ao teste. Os ‘bebedores leves’ eram aqueles que consumiam menos de seis doses por semana. Uma dose de álcool corresponde a uma taça de vinho ou uma dose de vodca ou uma lata de cerveja. Os participantes mantiveram esses hábitos ao longo dos cinco anos.

A moral da história é que a tolerância ao álcool não é igual em todas as atividades e não oferece segurança contra acidentes. Na verdade, pode levar a pessoa a julgar-se capaz de realizar tarefas ainda mais complicadas, que poderão prejudicá-la.


Ty Brumback

Os participantes tiveram suas cognição analisada em uma sequência de testes que avaliou as diversas habilidades. Antes do experimento, porém, os participantes consumiram uma dose de bebida para chegarem a uma determinada concentração de álcool na respiração.

Um teste chamado Grooved Pegboard, que consiste em inserir pinos em uma placa giratória em movimento, analisou sua destreza motora. Possíveis disfunções cognitivas e o processamento cerebral foram avaliados em um Teste de Substituição de Símbolos e Dígitos (DSST, na sigla em inglês), no qual os pesquisadores mostravam aos participantes símbolos que representavam números. Estes tinham 90 segundos para completar os símbolos nos locais correspondentes.

Resultados
Embora os “bebedores experientes” tenham apresentado menos erros no teste dos pinos, seu desempenho no Teste de Substituição foi semelhante ao dos que bebem casualmente. Porém, o detalhe mais perigoso é que os experientes apresentaram menores níveis de autopercepção. Isso significa que eles podem realizar algumas atividades que mostram um nível de embriaguez menor do que o real.

“Quando ele chega ao carro, destranca a porta e coloca o carro em marcha, ele pode não perceber deficiência nessas tarefas simples. No entanto, ao começar a dirigir, as demandas cognitivas e psicomotoras aumentam significativamente [e provavelmente ele não está apto para elas], mas a decisão de dirigir já foi feita com base nas tarefas simples anteriores”, explicou Brumback.

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