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sábado, 29 de abril de 2017

Estudo encontra ligação entre consumo de bebidas dietéticas e aumento do risco de AVC e demência


Um estudo, publicado no site da revista “Stroke” no último dia 20, levantou um novo alerta sobre o consumo de refrigerantes dietéticos. A pesquisa mostra que o consumo de uma lata de refrigerante diet ou mais por dia foi associado com um risco três vezes maior de acidente vascular cerebral e demência. Os dados são referentes a um período de 10 anos de acompanhamento, em comparação com indivíduos que não consumiam bebidas adoçadas artificialmente.

“Há muitos estudos que sugerem os efeitos prejudiciais de bebidas açucaradas, mas eu acredito que nós também precisamos considerar a possibilidade que as bebidas dietéticas podem não ser alternativas saudáveis”, declarou o autor principal, Matthew P. Pase, da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, ao portal Medscape. “Não podemos mostrar [a relação de] causa e efeito neste estudo já que ele tem a proposta de ser observacional, mas dada a popularidade das bebidas dietéticas, precisamos desesperadamente de mais pesquisas sobre essa questão”.

O pesquisador afirma não recomendar cortar absolutamente as bebidas dietéticas do cardápio, mas pede cautela, especialmente aqueles que consomem muitas bebidas dietéticas diariamente. “Eu acredito que precisamos repensar o lugar dessas bebidas”, disse.

Causalidade reversa?
Pase também aponta que é possível que o resultado possa ser devido à causalidade reversa. Ou seja, ainda não está claro se os refrigerantes dietéticos fazem com que as pessoas tenham mais derrames e demência ou se pessoas que não estão saudáveis procuram mais esses produtos.

“Se você já tem fatores de risco cardiovascular, é provável que tenha sido aconselhado a diminuir sua ingestão de açúcar e assim pode se afastar de bebidas açucaradas para bebidas dietéticas”, explica Pase. “Nós descobrimos que uma maior ingestão de refrigerante dietéticos estava ligada ao diabetes na linha de base, mas não sabemos o que veio primeiro. As bebidas dietéticas aumentam o risco de desenvolver diabetes, ou diabéticos escolhem bebidas dietéticas já que têm que limitar sua ingestão de açúcar?”

A ligação entre as bebidas dietéticas e a demência se tornou não significativa quando foram ajustados os fatores de risco vascular. O pesquisador sugere que isso pode acontecer porque a associação pode ser mediada por fatores de risco vascular – adoçantes artificiais poderiam estar aumentando fatores de risco vascular. “Ou poderia ser apenas que as pessoas com fatores de risco vascular bebem mais refrigerantes dietéticos, o que é perfeitamente possível já que elas poderiam ter sido aconselhadas a reduzir o [consumo de] açúcar”.

A ligação com o acidente vascular cerebral isquêmico continuava presente em todos os modelos após o ajuste para todos os outros fatores de risco.

Cuidado com a dieta
Bebidas adoçadas com açúcar não foram associadas com risco de acidente vascular cerebral ou demência, mas os autores dizem que isso não deve ser tomado como prova de que as bebidas açucaradas são seguras. “Existem muitos outros estudos que sugerem efeitos nocivos de bebidas açucaradas e não tivemos grandes números de pessoas que consomem bebidas açucaradas em nosso estudo atual para obter informações confiáveis a respeito”, disse Pase. “Nós tivemos um número muito maior de indivíduos que relatam a ingestão de bebidas artificialmente adoçadas”.

Outro estudo do mesmo grupo, publicado on-line no mês passado em “Alzheimer’s and Dementia”, mostra uma ligação entre o consumo de ambas as bebidas – adoçadas com açúcar e artificialmente – e a redução do volume cerebral em um grupo de meia-idade. No estudo transversal, as bebidas açucaradas, que incluíam tanto refrigerante quanto suco de fruta, também estavam associadas a uma memória episódica pior.

“A maior ingestão de bebidas açucaradas, sucos de frutas e refrigerantes foi associada com características da doença de Alzheimer pré-clínica”, concluíram os autores. “Estudos adicionais são necessários para confirmar os nossos achados e avaliar se as bebidas açucaradas estão associadas longitudinalmente com piora da doença de Alzheimer subclínica e com a doença de Alzheimer incidente”.

Alerta científico
“Ambos os estudos são difíceis de interpretar – as conclusões são um pouco diferentes entre si – mas dados epidemiológicos são confusos”, afirmou Keith Fargo, diretor de programas científicos e divulgação na Alzheimer’s Association, dos EUA, em entrevista ao Medscape.

Ainda assim, ele acrescentou: “Esses dois artigos devem certamente servir como sinos de aviso, mas nenhum deles sugere que podemos apenas tomar uma providência simples, ao cortar refrigerantes ou sucos, para reduzir o risco de acidente vascular cerebral ou demência. Nós devemos olhar todo o quadro da dieta e do exercício, dos quais elas [as bebidas açucaradas] são apenas uma parte muito pequena”.
Para Fargo, ambos os artigos apontam que a ingestão elevada de açúcar não faz bem para o cérebro, mas que também há cada vez mais evidências na literatura científica de que as bebidas dietéticas “não são necessariamente a panacéia que alguns poderiam ter acreditado”.

“Não podemos dizer a partir desses dados que alguém que bebe um pouco de [bebidas] dietéticas terá um risco significativamente maior de demência.É tudo apenas especulação”, garante. “A melhor coisa que podemos fazer é conduzir mais estudos para saber mais. É improvável que as recomendações de saúde sejam simples, mas talvez não seja a melhor ideia substituir uma bebida açucarada por uma bebida adoçada artificialmente. É uma ideia melhor ignorar ambas e apenas beber água”.

Análise de dados
No estudo publicado na “Stroke”, os pesquisadores analisaram dados da Offspring Cohort do Framingham Heart Study sobre a ingestão de bebidas açucaradas e artificialmente adoçadas e a incidência de um primeiro acidente vascular cerebral ou diagnóstico de demência. A coorte de AVC incluiu 2888 participantes com idade superior a 45 anos (média de idade: 62 anos) e a coorte de demência incluiu 1484 participantes com idade superior a 60 anos (média de idade: 69 anos).

Todos os participantes haviam preenchido regularmente questionários sobre ingestão de alimentos. Para o presente estudo, os pesquisadores se concentraram na ingestão de bebidas de 1991 a 2001 e a ocorrência de acidente vascular cerebral ou demência nos 10 anos seguintes. Houve 97 casos de acidentes vasculares cerebrais incidentes (82 isquêmicos) e 81 casos de demência incidental (63 compatíveis com a doença de Alzheimer).

Os resultados mostraram que após ajustes por idade, sexo, educação (para análise da demência), ingestão calórica, qualidade da dieta, atividade física e tabagismo, maiores consumos recente e cumulativo de refrigerantes artificialmente adoçados foram associados a um maior risco de AVC isquêmico, todos os tipos de demência e demência pela doença de Alzheimer.

Quando os pesquisadores compararam a ingestão cumulativa diária de 0 bebida por semana (como referência), as taxas de risco foram de 2,96 a mais para AVC isquêmico e 2,89 para a doença de Alzheimer.

“Descobrimos que as pessoas que bebiam pelo menos uma lata de refrigerante diário tinham um risco 3 vezes maior de AVC e demência do que aqueles que não bebiam tais bebidas”, contou Pase, observando que menores ingestões (entre 1 e 6 bebidas dietéticas por semana) ainda estavam associadas com acidente vascular cerebral, mas não com a demência. Bebidas adoçadas com açúcar não foram associadas com AVC ou demência.

Além do menor número de bebidas açucaradas, havia também a possibilidade de que mais daqueles que bebiam bebidas adoçadas com açúcar pudessem ter morrido de doença cardíaca durante o período do estudo e, portanto, não seriam incluídos nos estágios finais de acidente vascular cerebral e demência.

Adoçantes artificiais
Pase disse que não se sabe como refrigerantes dietéticos poderiam estar causando danos, mas há alguns dados sugerindo que adoçantes artificiais podem predispor para o ganho de peso. “Estudos em animais mostraram que os ratos que recebem adoçantes artificiais ganham mais peso do que os ratos recebendo uma dieta idêntica, mas sem adoçantes artificiais”, conta.

O pesquisador relata que adoçantes artificiais também têm sido associados a uma mudança na composição das bactérias intestinais e ao desenvolvimento da intolerância à glicose, segundo análises feitas em ratos. “Há também alguns dados sobre isso em seres humanos, mas é muito mais difícil mostrar causa e efeito em seres humanos”.

“Existe a possibilidade de que a associação de doçura e calorias se torne desacoplada no cérebro quando consumimos adoçantes artificiais”, sugere. “O cérebro é condicionado a esperar calorias quando sente um sabor doce, porém, se isso não acontece, talvez as pessoas tendam a compensar com outros alimentos doces”.

Marcadores de Alzheimer pré-clínico
No estudo publicado em “Alzheimer’s and Dementia”, os pesquisadores, novamente liderados por Pase, usaram dados do estudo Framingham para analisar as possíveis ligações entre a ingestão de bebidas açucaradas e adoçadas artificialmente e os resultados de marcadores da doença de Alzheimer pré-clínica em análises neuropsicológicas e de imagens por ressonância magnética.

Eles descobriram que o maior consumo de bebidas açucaradas totais foi associado com menor volume total do cérebro e menores escores de memória. Relativa à ausência de ingestão destas bebidas, a diferença no volume cerebral total associada ao consumo de 1 a 2 ou mais de 2 bebidas açucaradas por dia foi equivalente a 1,6 e 2 anos de envelhecimento cerebral, respectivamente, e a diferença nos escores de memória foi equivalente a 5,8 e 11 anos de envelhecimento cerebral, respectivamente.

A maior ingestão de refrigerantes foi associada a menor volume total de cérebro e menor desempenho em um dos testes neuropsicológicos.

Investigação a fundo
Em um editorial que acompanha o estudo publicado na “Stroke” abordando os resultados obtidos com as bebidas dietéticas, Heike Wersching, da Universidade de Munster, Alemanha, e Hannah Gardener, e Ralph L. Sacco, da Faculdade de Medicina Miller da Universidade de Miami, reiteram que é difícil elucidar se as associações observadas entre bebidas artificialmente adoçadas e acidente vascular cerebral e demência são causais ou refletem o viés de causação reversa, e estudos adicionais são necessários.

Eles sugerem que estudos epidemiológicos futuros poderiam incluir requisitos para dados sobre flutuações de peso prévias, comportamento de dieta, mudanças no consumo de bebidas adoçadas com açúcar e artificialmente adoçadas ao longo do tempo e razões para a escolha de bebidas artificialmente adoçadas.

“O trabalho de Pase e equipe incentiva mais discussões e mais pesquisas sobre essa questão, pois até mesmo pequenos efeitos causais teriam efeitos enormes sobre a saúde pública devido à popularidade do consumo de bebidas artificialmente adoçadas e adoçadas com açúcar”, apontam.

Eles acrescentam que o corpo atual da literatura científica é inconclusivo sobre a natureza causal das associações entre o consumo de bebidas artificialmente adoçadas e o risco de acidente vascular cerebral, demência, diabetes mellitus e síndrome metabólica.

O número crescente de estudos epidemiológicos mostrando forte associação entre o consumo frequente de bebidas artificialmente adoçadas e consequências vasculares, no entanto, sugere que pode não ser sensato substituir ou promover essas bebidas como alternativas mais saudáveis ​​para bebidas adoçadas com açúcar. “Tanto refrigerantes adoçados artificialmente quanto os adoçados com açúcar podem ser prejudiciais para o cérebro”, concluem. [Medscape]

por Jéssica Maes
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Como posso substituir o açúcar ou adoçante?

Como já diz aquele velho ditado popular: tudo em excesso faz mal. Ele também deve ser empregado ao consumo do açúcar.

Além do ganho excessivo de peso, o consumo de muito açúcar na dieta diária traz outras consequências a saúde, tais como o desenvolvimento de cáries e o aparecimento da diabetes.

O termo “açúcar” é o nome usado para identificar os diferentes tipos de carboidratos, entre eles: glicose, frutose, maltose, lactose e sacarose.

Nas dietas é fácil identificar pessoas que utilizam os adoçantes, artifício usado para substituir o uso do açúcar. Ele é extraído da cana-de-açúcar e da beterraba.

Foto: depositphotos

Riscos à saúde
Tanto o açúcar quanto o adoçante apresentam riscos para a saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite ideal para o consumo de açúcar por dia, de um adulto, é de 50 gramas, o que equivale a dez colheres das de chá.

Porém, estima-se que, no Brasil, esse consumo seja de até 22 colheres.

Isso se deve ao grande aumento na oferta de produtos industrializados, responsáveis por carregar, na sua composição, elevados níveis de açúcar.

O consumo em excesso dessa substância pode trazer sérias consequências para a saúde. Os principais deles são obesidade, diabetes tipo 2, câncer colorretal em mulheres, problemas cardíacos, falhas na memória e envelhecimento precoce.

Embora pareça mais saudável, o adoçante também é considerado vilão para a saúde, ao ser metabolizado pelo organismo. Isso se deve a um dos seus principais componentes, o aspartame.

Substituindo o consumo do açúcar
Para levar uma vida mais saudável, é indicado que a redução no consumo de açúcar seja vista como via de regra pelas pessoas. Isso pode ser conseguido com a substituição por outras substâncias e ingredientes.

Estévia
O estévia é um extrato de uma planta chamada Stevia rebaudiana, originalmente encontrada entre o Paraná e o Paraguai.

Segundo estudo realizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), a substância tem o poder de adoçar até 300 vezes mais que o açúcar comum.

O extrato da planta também é usado no combate ao diabetes. Isso porque, o adoçante natural foi capaz de estimular a produção de insulina em testes, além de atuar como poderoso antioxidante.

Porém, mesmo com todas essas características, seu uso deve ser moderado.

Xilitol
Álcool obtido a partir da glicose e da frutose, o xilitol é usado para combater as cáries, bactéria causadora de sinusites e infecções do ouvido.

Para ser metabolizado pelo organismo, ele não depende da insulina, por isso pode ser usado por pacientes com diabetes.

Entre as pessoas com osteoporose, o xilitol estimular a absorção de cálcio pelo intestino.

Agave
Essa planta é famosa pela produção do chamado mel de agave ou xarope de agave. A seiva adocicada fica armazenada no centro da planta e então é extraída e filtrada, podendo ser usada para substituir o consumo do açúcar.

A substância possui antioxidante natural e probiótico, responsável por estimular o crescimento de bactérias benéficas para o ser humano. Apesar dos benefícios que apresenta para a saúde, a seiva da planta não pode ser utilizada entre os diabéticos, pois possui grande quantidade de frutose em sua composição.

A substância é mais doce do que o açúcar, cerca de 70%, o que é necessário reduzir o consumo do mesmo.

Açúcar de côco
Produzido a partir da seiva das flores do coqueiro, o açúcar de côco é utilizado amplamente na Indonésia no preparo de bebidas, lanches e molhos.

Possui bastante sacarose, pouca glicose e frutose, vitaminas C e B, zinco, ferro, potássio e magnésio. Seu consumo não é recomendado entre os diabéticos.

Farinha de côco
Obtida como subproduto do leite de coco, a farinha de côco possui índices glicêmicos baixos.

Sendo assim, ela ajuda na prevenção e controle da diabetes, além de ser uma saída no preparo de massas e pães. Sua composição possui fibras e proteínas.

Por Robson Merieverton
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Adoçantes artificiais são melhores do que açúcar?


Nos últimos anos, todos assistimos uma batalha contínua sobre o que é pior para você: adoçantes artificiais ou açúcar. A menos que você queira abrir mão de todas as bebidas que são doces, vai acabar se deparando com o dilema. Ao invés de confiar em instinto ou em algum mito, podemos levar pesquisas em conta nessa discussão.
Evidências apontam para o fato de que parece haver uma correlação entre o consumo de açúcar e problemas de saúde e, segundo o professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Indiana University, Aaron E. Carroll, estes não podem ser detectados com adoçantes artificiais.

Em um artigo publicado no jornal “The New York Times”, o professor explica as diferenças entre as duas opções, começando pelos adoçantes artificiais – atacados por décadas, acusados de serem substâncias químicas nocivas. “Mas tudo é ‘química’ e nem todas são ruins para nós”, explica.
Um dos mais antigos adoçantes artificiais é a sacarina. Na década de 1980, o Congresso dos Estados Unidos determinou que qualquer produto que a contenha deveria ser acompanhado por um aviso de que aquele produto poderia ser perigoso para a saúde e que tinha causado câncer em animais de laboratório.

Relação com câncer de bexiga
Um artigo publicado na revista “Annals of Oncology”, em 2004, observou que mais de 50 estudos haviam sido publicados analisando a sacarina em ratos. Vinte deles eram estudos de “uma geração”, o que significa que não analisavam a prole dos ratos. Em apenas um desses estudos enormes quantidades de sacarina produziram câncer, e foi em um tipo de rato que é frequentemente infectado com um parasita da bexiga que iria deixá-lo suscetível a câncer de bexiga induzido por sacarina.
Mas “estudos de duas gerações”, em que os ratos foram alimentados com muita sacarina e seus descendentes também, descobriram que o câncer de bexiga era significativamente mais comum em ratos de segunda geração. Isso levou muitos países a agir.

No entanto, segundo Carroll, havia um problema: esta ligação não foi confirmada em seres humanos. Além disso, verifica-se que alguns ratos são simplesmente mais propensos a ter câncer de bexiga, inclusive quando recebem grandes quantidades de vitamina C. Estudos em humanos na Grã-Bretanha, Dinamarca, Canadá e nos Estados Unidos não conseguiram encontrar associação alguma entre o consumo de sacarina e o câncer de bexiga quando o tabagismo, que pode causá-lo, foi tirado da equação.

E o aspartame?
Com base nesses estudos mais recentes, a sacarina foi removida da lista de cancerígenos em 2000. Mas, a essa altura, as opiniões já estavam definidas e isso não ajudou as pessoas a se sentirem mais seguras.
Outros adoçantes artificiais não têm se saído melhor. O aspartame foi introduzido nos Estados Unidos mais ou menos na mesma época em que a sacarina começou a apanhar. Os estudos iniciais mostraram que o aspartame não causa câncer em animais, por isso foi considerado mais seguro do que a sacarina.

Porém, em 1996, um estudo publicado no “The Journal of Neuropathology and Experimental Neurology” questionou a ligação entre o aspartame e o aumento no número de tumores no cérebro entre 1975 e 1992, quando mais pessoas tinham começado a consumi-lo.

Para Carroll, há vários problemas com essa relação simplista. “A maior parte do aumento de câncer era em pessoas com 70 anos ou mais, que não eram os principais consumidores de aspartame. E como aspartame foi aprovado em 1981, culpá-lo por um aumento nos tumores na década de 1970 parece impossível”, diz. “Por fim, estudos muito mais abrangentes não conseguiram encontrar ligações. Estes incluíram um estudo de caso-controle de crianças publicado no The Journal of the National Cancer Institute e um estudo de grupo de mais de 450 mil adultos do Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention”.

Alguns estudos posteriores sobre o aspartame feitos com ratos são usados como justificativa para o receio em consumir a substância, mas são contestados por organizações como o Instituto Nacional do Câncer dos EUA. Além disso, como acontece com a sacarina, também existem grandes diferenças entre ratos e seres humanos.

Um estudo controlado randomizado de 1998 não detectou nenhum efeito neuropsicológico, neurofisiológico ou comportamental causado pelo aspartame. Mesmo uma dose 10 vezes superior ao consumo normal não teve efeito sobre crianças com transtorno de déficit de atenção. Uma revisão de segurança de 2007, publicada na revista “Critical Reviews in Toxicology”, descobriu que o aspartame tinha sido estudado extensivamente e que as evidências mostravam que ele era seguro.

Pessoas com fenilcetonúria, um distúrbio genético raro, precisam limitar o seu consumo de aspartame porque a fenilalanina é um dos seus componentes. Entretanto, para a maioria das pessoas, o aspartame não é uma preocupação. Também é verdade que alguns dos adoçantes açúcares alcoólicos, como sorbitol ou manitol, podem ter um efeito laxante ou causar inchaço quando consumidos em grandes quantidades por algumas pessoas. Contudo, em condições normais, a maioria das pessoas pode aproveitar com segurança todos os adoçantes artificiais aprovados.

Mas e o açúcar?
Os açúcares ou carboidratos que ocorrem naturalmente, como os encontrados em frutas, por exemplo, na sua maior parte, não são um problema. Açúcares adicionados (que não são provenientes de alimentos) é que são.

Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA relatam que as crianças norte-americanas estão consumindo entre 282 calorias (para meninas) e 362 calorias (para meninos) de açúcares adicionados por dia em média. Isto significa que mais de 15% da sua ingestão calórica é a partir de açúcares adicionados. Adultos se saem um pouco melhor, mas não muito.
Este consumo não é distribuído igualmente, no entanto. Por exemplo, cerca de metade das pessoas não consomem bebidas açucaradas, enquanto outras 25% consomem cerca de 200 calorias por dia. Os 5% do topo, assim, consome mais de 560 calorias por dia, ou mais de quatro latas de refrigerante.

Estudos epidemiológicos descobriram que, mesmo após o controle de outros fatores, a ingestão de açúcares adicionados de uma população está associada com o desenvolvimento de diabetes tipo 2, com um aumento de 1,1% em prevalência para cada lata de refrigerante adoçado com açúcar consumido em média por dia. No ano passado foi publicado no “JAMA Internal Medicine” um estudo que acompanhou pessoas por 14 anos e descobriu que aqueles entre os cinco com o mais alto consumo de açúcar adicionado tinham mais do que o dobro do risco de morrer de doenças cardiovasculares do que aqueles entre os cinco com o consumo mais baixo.

O editorial que o acompanhava observou que o aumento do risco de morte começava quando uma pessoa consumia o equivalente a 590 ml de refrigerante em uma dieta de 2 mil calorias e chegava a um aumento de mais de quatro vezes para as pessoas que consumiam mais de um terço de sua dieta em açúcares adicionados.

Açúcar engorda
Não é surpresa alguma que a ingestão de açúcares adicionados é significativamente associada com o peso corporal. Uma revisão sistemática e meta-análise de estudos randomizados controlados, publicada no “British Medical Journal”, em 2012, descobriu que o consumo de açúcar aumenta tanto a gordura quanto o peso total.

Outra meta-análise de estudos randomizados controlados, publicada no “American Journal of Clinical Nutrition” em 2013, descobriu que bebidas adoçadas com açúcar por si só causam aumento no peso corporal em adultos. Em comparação, um estudo do mesmo tipo, publicado no ano passado na mesma revista, feito com adoçantes artificiais ou de baixa caloria descobriu que o seu uso levou à um peso corporal mais baixo e menos gordura total.

“Minha esposa e eu limitamos o consumo de refrigerante de nossos filhos para cerca de quatro a cinco vezes por semana. Quando deixamos que tomem refrigerante, ele é quase sempre livre de cafeína, porque queremos que eles durmam. Também é quase sempre sem açúcar”, conta Carroll, explicando que aplica seu conhecimento ao cotidiano. “Há um dano potencial, e provavelmente verdadeiro, de consumir açúcares adicionados; e provavelmente não há dano algum nos adoçantes artificiais”. [The New York Times]

fonte:hypescience.com
por Jéssica Maes
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