Mostrando postagens com marcador tetraplegia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tetraplegia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de março de 2017

Implantes devolvem movimento do braço e mão a tetraplégico

Em experimento inovador, pesquisadores americanos fizeram com que homem pudesse se alimentar sozinho por meio de uma "ponte" entre cérebro e músculos

Homem tetraplégico foi capaz de mover seu braço pela primeira vez em oito anos (Youtube/Reprodução)

Um homem tetraplégico conseguiu tomar café e comer purê de batatas com um garfo sem a ajuda de ninguém, em um experimento que está sendo classificado como “inovador” pela comunidade científica internacional. O feito inédito na medicina foi possível graças a eletrodos implantados no cérebro que leem os pensamentos e os transmitem para um computador que, por sua vez, os envia para os eletrodos nos músculos do braço, estimulando o movimento. O estudo, descrito nesta terça-feira na revista científica The Lancet, foi feito com um paciente que perdeu os movimentos abaixo dos ombros em um acidente de bicicleta, há oito anos.

“O restabelecimento da comunicação entre a vontade de se mexer do cérebro diretamente para o corpo restaura a esperança de que milhões de indivíduos com paralisia possam, um dia, ser capazes de se mover livremente”, disse Benjamin Walter, pesquisador da Case Western Reserve University, nos Estados Unidos, e um dos autores da publicação, em comunicado.

O experimento combina, pela primeira vez, movimentos funcionais e multi-articulares de um membro paralisado em um paciente com paralisia motora. Segundo os cientistas, este é um passo importante na restauração da mobilidade de paraplégicos e tetraplégicos.

Estudos anteriores já haviam alcançado resultados semelhantes com o uso dos estímulos cerebrais dos pacientes, por meio de interfaces cérebro-máquina (ICM). No entanto, a maioria foi realizada com braços robóticos e o único paciente que movimentou o próprio corpo conseguiu apenas abrir e fechar a mão. Testes feitos com macacos paraplégicos também obtiveram sucesso ao devolverem o movimento das pernas com o mesmo mecanismo de eletrodos.

Vencendo a paralisia
Para movimentar o braço novamente, o paciente americano Bill Kochevar, de 56 anos, foi treinado por 45 dias. No início, ele praticou o uso dos 96 canais de eletrodos implantados cirurgicamente na superfície do córtex motor – área do cérebro relacionada às atividades motoras voluntárias – com um braço virtual. Em poucos minutos, segundo o estudo, ele conseguiu mexer o modelo no computador. Em seguida, passou a movimentar o próprio membro com o pensamento transmitido por eletrodos espalhados pelo braço e antebraço e o apoio de um suporte. Ele foi capaz de utilizar mão, pulso, cotovelo, braço e ombro e se alimentar utilizando um garfo e beber água e café com um canudo.

Kochevar conseguiu movimentar cada articulação tanto individualmente, como em conjunto. Para superar a força da gravidade que o impedia de levantar o membro, ele utilizou um suporte móvel, que também estava sob o controle do seu cérebro. “Estou fazendo com que ele se mova sem ter que me concentrar muito nisso. Eu só penso e o braço vai”, disse o paciente, em comunicado.

A tecnologia, contudo, ainda tem limitações. Entre elas, o voluntário precisa olhar para seu braço o tempo todo para controlá-lo, visto que, devido à paralisia, ele perde o senso intuitivo dos movimentos e da localização do membro. Além disso, o sistema ainda utiliza muitos fios e os implantes cerebrais são temporários. Muitas melhoras ainda devem ser feitas, como uma melhor decodificação cerebral, para que o dispositivo possa estar disponível para pessoas com lesões na medula. “Isso não vai substituir os cuidadores. Mas, a longo prazo, as pessoas serão capazes, de forma limitada, de fazer mais por si mesmas”, afirmou o paciente.

“O objetivo é futurístico: um indivíduo paralisado pensa em mover seu braço, como se o cérebro e os músculos não estivessem desconectados, e uma tecnologia implantada executa perfeitamente o movimento desejado… esse estudo é inovador sendo o primeiro relato de alguém executando movimentos funcionais e multi-articulados de um membro paralisado com uma prótese neuronal e motora”, afirmou o cientista Steve Perlmutter, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, em um comentário que acompanha o estudo publicado no Lancet.

Veja o vídeo (em inglês) do estudo divulgado pelos pesquisadores:



fonte
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Começar outra vez

05 de dezembro de 2009
SAÚDE
Zero Hora

Lesões que provocam perda de movimentos exigem que toda a família se readapte

Ao mostrar o drama da personagem Luciana, interpretada por Alinne Moraes, que ficou tetraplégica após um acidente e agora luta para recuperar os movimentos dos braços e das pernas, Viver a Vida, novela das oito da TV Globo, retrata a difícil e lenta recuperação de quem sofre uma lesão na medula. É preciso começar de novo, aprendendo a conviver com limitações físicas antes inexistentes.

Até ser vítima de um disparo de arma de fogo há seis anos, Luís Felipe Ströher, 21 anos, de Santa Maria, nadava seis dias por semana, jogava na zaga da turma do colégio e arriscava arremessos de três pontos em partidas de basquete. Após a bala ter atingido a sétima vértebra da coluna cervical, o adolescente deixou essa rotina para trás. Perdeu parte do movimento dos braços e todos a mobilidade das pernas. Sequer conseguia ficar sentado.

– Eu estava sempre me movimentando antes. De repente, fiquei preso à cama – lembra o estudante de Sistemas de Informação.

Assolado pela depressão, o universitário de mais de 1m80cm, sem vontade de comer, chegou a pesar 44 quilos. Para reverter o quadro de desnutrição, os médicos optaram pela alimentação por meio de uma sonda no nariz.

– Ele saía com a gente, não se importava com a sonda, mas também não reagia – conta a mãe, a pediatra Deili Granvile Silva, 48 anos.

Na véspera de uma cirurgia para trocar o equipamento por outro permanente, ligado ao estômago, o adolescente voltou a sentir fome de comida. E de vida também. À mãe, confidenciou o sonho de ter seu próprio carro. Traçado o objetivo, dedicou-se à fisioterapia e à musculação para fortalecer os membros superiores.

O neurocirurgião Eliseu Paglioli destaca que a recuperação estrutural da área lesionada da medula independe do esforço do paciente:

– O trabalho dele é melhorar a utilização da capacidade motora que restou.

Responsável por ligar o cérebro ao resto do corpo, permitindo a sensibilidade, os movimentos e o funcionamento de órgãos, a medula, quando lesionada, tem de se recuperar sozinha.

– As limitações dependem da altura da lesão na medula e da extensão. Se for completa, a pessoa perde o movimento e a sensibilidade daquela região para baixo. Se for parcial, pode ficar com parte dos movimentos e ter alguma sensibilidade. Quase sempre há dificuldade de controle esfincteriano (urinário e fecal) – explica.

Enquanto a carteira de habilitação continuava distante, devido à idade, Luís Felipe reaprendeu a escrever. Destro antes da lesão, passou a rascunhar com a esquerda e, depois, com as duas mãos. Terminou o Ensino Médio e passou no vestibular. Sobre a vida sentimental, ele diz estar em um bom momento, sem compromissos. Questionado sobre a vida sexual, é direto:

– Funciona, sim.

O sonho de dirigir foi realizado há um ano e meio.

– Saio à noite de segunda a segunda, depois da faculdade. Só preciso de alguém para tirar a cadeira de rodas do porta-malas.

Nova rotina bem vista pela mãe:

– Ele não desgruda do carro, é como se fossem suas pernas. É difícil vê-lo parado agora.

Conteúdo de terceiros

O http://saudecanaldavida.blogspot.com/ sempre credita fonte em suas publicações quando estas têm como base conteúdos de terceiros, uma vez que não é do nosso interesse apropriar-se indevidamente de qualquer material produzido por profissionais ou empresas que não têm relação com o site. Entretanto, caso seja detentor de direito autoral sobre algo que foi publicado no saudecanaldavida e que tenha feito você e/ou sua empresa sentir-se lesados, ou mesmo deseje que tal não seja mostrado no site, entre em contato conosco (82 999541003 Zap) e solicite a retirada imediata.