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segunda-feira, 4 de junho de 2018

As primeiras córneas humanas impressas em 3D


Um novo estudo da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, imprimiu com sucesso as primeiras córneas humanas em 3D.

Isso significa que a técnica pode ser usada no futuro para garantir um suprimento ilimitado de córneas para transplante.

A falta de córneas
A córnea é a camada mais externa do olho humano e tem um papel importante no enfoque da visão.

Atualmente, 10 milhões de pessoas em todo o mundo necessitam de cirurgia para prevenir cegueira da córnea como resultado de doenças, incluindo o tracoma, uma infecção ocular.

Além disso, quase 5 milhões de pessoas sofrem de cegueira total devido a cicatrizes na córnea causadas por queimaduras, lacerações, abrasão ou doença.

Por outro lado, há uma escassez significativa de córneas disponíveis para transplante. A nova pesquisa é uma prova de conceito de que podemos imprimir esse tecido em 3D de forma segura e eficaz, e utilizá-lo para suprir essa demanda.

O conceito
Os pesquisadores criaram uma mistura de alginato e colágeno para servir como uma espécie de “bio-tinta”.

Demorou menos de 10 minutos para que uma simples bioimpressora 3D de baixo custo usasse essa tinta, junto com células-tronco (células estromais da córnea humana) retiradas de um doador saudável, para imprimir o formato de uma córnea.

Os pesquisadores demonstraram em seguida que as células-tronco cresceram bem na córnea impressa.

“Muitas equipes em todo o mundo têm perseguido a bio-tinta ideal para tornar este processo viável. Nosso gel exclusivo – uma combinação de alginato e colágeno – mantém as células-tronco vivas enquanto produz um material que é rígido o suficiente para manter sua forma, mas macio o suficiente para ser impresso pelo bocal de uma impressora 3D”, explicou Che Connon, professor de engenharia de tecidos na Universidade de Newcastle.

Personalização
O trabalho baseou-se pesquisas anteriores da mesma equipe em que os cientistas mantiveram as células vivas por semanas à temperatura ambiente dentro de um hidrogel semelhante.

O novo estudo representou um avanço: agora os pesquisadores têm uma bio-tinta pronta que permite que a impressão de tecidos seja iniciada sem ter que se preocupar com o crescimento das células separadamente.

Os cientistas também demonstraram que é possível imprimir uma córnea que corresponda a especificações exclusivas de um paciente.

As dimensões do tecido impresso foram originalmente retiradas de uma córnea real. Ao examinar os olhos de um paciente, os pesquisadores podem usar esses dados para imprimir rapidamente uma córnea que tenha o tamanho e a forma desejados.

Próximos passos
Enquanto a pesquisa é extremamente promissora, as córneas impressas em 3D ainda precisam passar por diversos outros testes antes de poderem realmente ser usadas em transplantes, o que deve levar anos.

“No entanto, o que mostramos é que é possível imprimir córneas usando coordenadas tiradas do olho de um paciente e que essa abordagem tem potencial para combater a escassez mundial [desse tecido para transplante]”, concluiu Connon.

Um artigo detalhando a pesquisa foi publicado na revista científica Experimental Eye Research. [ScienceDaily]

fonte
por Natasha Romanzoti
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lente implantada na córnea traz solução para presbiopia

Lente implantada na córnea traz solução para presbiopiaFenômeno natural que ocorre com a visão a partir dos 40 anos, a presbiopia é a perda da capacidade de acomodação ocular, ou seja, o olho perde gradualmente a capacidade de focalizar as distâncias de longe, intermediárias e de perto.

Este é um desconforto que a ciência tem tentado corrigir através dos tempos. Muitas têm sido as soluções propostas, e cada uma tem suas peculiaridades e indicações. As lentes de contato com a tecnologia da monovisão ou as lentes multifocais têm beneficiado um grande número de pessoas.

No evento da Sociedade Americana de Cataratas e Cirurgia Refrativa, o ASCRS 2012, ocorrido entre 20 e 24 de abril, em Chicago, foi apresentada a última novidade na correção da presbiopia: a Lente de Implante Intra Estromal Corneal, denominada FLEXIVUE MICROLENS.

Segundo a oftalmologista Tania Schaefer, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria, esta lente já tem sua correspondente no Brasil, e conta com aprovação da ANVISA. “É uma lente de apenas 3 mm de diâmetro e 15 mile micras de espessura colocada no estroma corneal, com a finalidade de corrigir a presbiopia”, explica Tania. Segundo a oftalmologista, o implante desta lente é um procedimento que demanda a utilização do Fento Segundo Laser, um procedimento que consiste em fazer uma bolsa, que abrigará a lente em seu interior, mantendo-a estável e fixa no centro da córnea.

A oftalmologista Cinthia Oyama, membro da Sociedade Americana de Cirurgia Refrativa, reitera que esta lente não é retirada pelo paciente, como acontece com as lentes de contato. Trata-se de outra filosofia de adaptação. “Ela é fixa no interior da córnea, e não corre o risco de cair ou perder. No entanto, com a evolução do grau da presbiopia, o oftalmologista poderá substituí-la por outra de grau mais elevado, em um procedimento rápido e seguro”, destaca a médica.

Segundo as oftalmologistas, esta técnica de correção da presbiopia veio beneficiar os “Baby Boomers”, como são chamados os jovens presbitas, que não desenvolveram a catarata e por isto não estão habilitados a ter seu cristalino substituído por uma lente multifocal, que é a opção definitiva para a correção da presbiopia.

Existem indicações específicas para o implante destas lentes, que vão depender das condições de cada paciente, e apenas o exame oftalmológico define quem poderá ou não ser submetido a este procedimento.
Por Lais
fonte:http://www.corposaun.com/lente-implantada-na-cornea-traz-solucao-para-presbiopia/19767/
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Transplante de córnea: uma preciosidade que exige cuidados

Fonte:SEGS
Teresa Cristina Machado
17-Jun-2009
O Distrito Federal lidera o ranking nacional de transplantes de córnea. Especialista do HOB alerta que a recuperação do transplantado é lenta e requer paciência e total atenção por, pelo menos, um ano. Diante da necessidade de transplante de córnea, há uma sequencia de ações que o paciente deve cumprir

Uma córnea transplantada é uma preciosidade e deve ser tratada com este valor. O olho de um transplantado é mais frágil e é necessário ter consciência disso, atender a agenda de revisões médicas, a aplicação dos medicamentos e observar os cuidados indicados. De acordo com o último relatório do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), em 2008, o transplante de córnea respondeu por quase 75% de todos os transplantes realizados no País.

No Distrito Federal, a Sociedade Brasiliense de Oftalmologia, divulgou esta semana que foram realizados 147 cirurgias para cada um milhão de habitantes no primeiro trimestre deste ano, posicionando a capital do País em primeiro lugar no ranking nacional de transplantes de córnea.

O processo de recuperação de um transplante de córnea é lento e passar por este período sem problemas requer paciência, observa o oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Patrick Tzelikis, especializado em transplantes.

Um transplante de córnea implica em pelo menos um ano de visitas periódicas ao oftalmologista para acompanhar a adequação do organismo ao novo tecido que passa a integrá-lo, diz o médico. Trata-se da substituição de um tecido com anormalidades estruturais que impedem a formação adequada da imagem, por uma córnea saudável. É um processo que envolve um receptor e um doador, pois as córneas transplantadas são naturais.

Oito meses - No Distrito Federal, um paciente que necessita de transplante de córnea vai aguardar em torno de oito meses até ser chamado para a cirurgia, estima Tzelikis. "É um período longo se comparado a locais como a cidade de Sorocaba (SP), onde a fila do transplante de córnea zerou", reconhece o médico. Ele considera que ainda falta uma ação mais efetiva dos órgãos governamentais no sentido de estimular a cultura da doação de córneas na sociedade.

Diagnóstico - A substituição da córnea é indicada quando há alguma lesão ou doença que afete a integridade ou a curvatura da córnea comprometendo, dessa maneira, a visão de uma pessoa. A principal alteração na córnea que exige a realização de um transplante é o ceratocone - uma anomalia na qual a córnea sofre mudanças em sua estrutura, tornando-se mais fina e obtendo o formato de cone. Essa irregularidade interfere na curvatura do olho, aumenta o astigmatismo e, consequentemente, distorce muito a imagem. Para os portadores de ceratocone que não conseguem melhorar a qualidade e a quantidade de visão por meio de tratamentos com óculos, lentes de contato, anel de Ferrara ou crosslink, a indicação é o transplante. Em torno de 20% dos portadores de ceratocone são indicados para transplante de córnea, calcula Tzelikis.

Atualmente, avalia o médico, 80% das indicações de transplante de córnea são feitas para portadores de ceratocone. "O transplante só não é recomendado para quem não tem potencial bom de visão. Conforme o caso, não vale a pena realizá-la, nem fazer a pessoa passar pelo sacrifício do pós-operatório", assinala.

Além do ceratocone outras distrofias genéticas levam à indicação de transplante. Estão nesta relação, por exemplo, casos em que uma camada mais profunda da córnea, o endotélio, apresenta problemas à visão. Esses casos, geralmente, se manifestam após os 50 anos de idade. "Ocorre quando as células endoteliais que revestem a face posterior da córnea vão sendo perdidas no decorrer da vida. Quando a perda é acentuada, a córnea deixa de ser impermeável e incha por causa da entrada do líquido existente ali - humor aquoso - deixando a córnea com aspecto de vidro fosco e prejudicando a passagem da luz, tornando a visão embaçada. Nesses casos, o transplante é a única forma de reconstituição do endotélio", explica o especialista.

Tendência mundial - Hoje, o transplante lamelar é uma tendência mundial, é o mais recomendado em alguns casos e é a prática empregada no HOB há quatro anos. Esta técnica consiste em substituir apenas uma parte da córnea, para corrigir somente a região onde está localizado o problema. Segundo Tzelikis "a vantagem do transplante lamelar é que, sendo substituída uma parte menor, o risco de rejeição também é menor e, além disso, a parte saudável da córnea do paciente não é removida".

A cirurgia de transplante de córnea é realizada em torno de uma hora, mas os cuidados que o paciente precisa ter no pós-operatório exigem atenção por cerca de um ano e devem ser rigorosamente observadas para o sucesso do procedimento. O primeiro ano pós-transplante é o período em que o paciente está mais suscetível a encontrar dificuldades na recuperação. Nesse período, avisa o médico, o paciente vai percebendo melhoras, mas é comum notar variações. "Um dia enxerga melhor, outro, pior, mas não é necessário deixar de fazer as atividades. Apenas é indicado evitar esportes de contato como futebol", diz.

Avaliações - As avaliações devem ser cumpridas rigorosamente. No primeiro mês do pós-operatório, são semanais. A partir do segundo mês, passam a ser mensais. De acordo com a recuperação, passam a ser trimestrais, semestrais e, depois anuais, quando todos os pontos estiverem removidos. "São cerca de 16 pontos e, às vezes, demora um ano, período que exige acompanhamento médico", observa.

Cuidados - De acordo com Patrick, um dos maiores riscos a que está sujeito um paciente com córnea transplantada é o de infecção e rejeição, em razão de ter recebido um novo órgão. Os cuidados no pós-operatório, vão além das visitas médicas para avaliação. O transplantado deve, por exemplo, usar óculos de proteção para atividades do dia-a-dia, aplicar colírio de corticóide conforme indicação médica, ter muita atenção com a higiene, evitar levar as mãos aos olhos, nunca coçar os olhos, este hábito pode romper os pontos.

Serviço - Diante de um diagnóstico de necessidade de transplante de córnea, o paciente deve:

1) Solicitar ao médico a indicação sobre onde encontrará o formulário para se inscrever no banco de olhos como receptor;

2) Preenchido o formulário em instituição credenciada e assinado por médico também credenciado, o paciente deve levar o documento ao banco de olhos de seu estado e inscrever-se como candidato a receptor de córnea. A fila é única para cada Estado.

3) Uma vez inscrito e integrante da fila, o paciente tem que aguardar o banco de olhos avisar ao hospital ou instituição de saúde que encaminhou a solicitação. Esta instituição é que irá avisar o paciente quando chegar a sua vez de realizar o transplante por disponibilidade de córnea.

Patrick Tzelikis comenta que atualmente, os meios de preservação de órgãos, como córneas, permitem uma espera de até 10 dias para a realização do transplante. "É importante para o caso do receptor estar impossibilitado de receber a córnea por alguma razão na data em que recebe o aviso", conclu.

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