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quinta-feira, 23 de março de 2017

Síndrome de Down é motivo para abortar?

Novos testes não invasivos tornam acessível e seguro o diagnóstico pré-natal. E grávidas têm optado por não ter bebês deficientes. Em países como a Dinamarca, praticamente não nascem mais crianças com o distúrbio

Toda vez que Philipp Peters encontra o irmão mais novo, é recebido com carinhosas boas-vindas: “Ele fica totalmente feliz de me ver, e mostra isso”, comenta.

Novos testes não invasivos tornam acessível e seguro o diagnóstico pré-natal

Seu irmão tem síndrome de Down, ou trissomia 21. Um distúrbio genético associado a retardo do desenvolvimento físico e deficiência intelectual entre leve a moderada. Mas há outros aspectos, e nem todos representam uma desvantagem.

– Os portadores da síndrome de Down são também incrivelmente cordiais – diz Peters, que trabalha na Lebenshilfe NRW. Organização do estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália engajada na inclusão dos deficientes na vida social.

O rapaz é querido pela família. “Tivemos uma relação fraternal bem normal”. Afirma Peters, confirmando a visão dos especialistas de que a maioria dos portadores da síndrome é capaz de uma vida feliz, além de um componente valioso da sociedade.

O argumento, entretanto, parece não impressionar grande parte das gestantes. Pois cada vez nascem menos crianças com trissomia 21. Estima-se que na Europa nove entre cada 10 mulheres decidem pelo aborto ao serem informadas de que o feto em seu útero porta a deficiência.

E atualmente é mais fácil do que nunca descobrir se o nascituro tem síndrome de Down. No novo exame pré-natal denominado teste triplo. O DNA do feto contido no sangue da mãe é indicador da probabilidade de trissomia 21. Caso se constate a presença de três cromossomos de número 21, em vez dos dois normais. O resultado pode ser então verificado através do exame do líquido amniótico. 

Método invasivo e mais arriscado.
Os diagnósticos pelo novo método são muito mais precisos do que os anteriores. Baseados no exame de sangue combinado à ultrassonografia. Mesmo assim, eles já resultaram num aumento dos abortos de fetos portadores de trissomia 21. Aponta Gert de Graaf, da holandesa Fundação Síndrome de Down.

Teste e aborto
Em 2003 as autoridades da Holanda estipularam que toda gestante do país deveria ser ativamente informada sobre a possibilidade de se submeter à triagem pré-natal da síndrome de Down. Através do teste combinado.

Desde então reduziu-se o número de bebês deficientes. Mas De Graaf ressalta que muitos casais preferem não participar do programa de triagem. Porque simplesmente não querem saber. “Para eles a trissomia 21 não é motivo de aborto, para início de conversa”, diz.

Embora apenas cerca de um terço das grávidas holandesas adote o teste. Calcula-se que, sem os abortos consequentes, nasceriam no país duas vezes mais portadores do distúrbio genético. Agora que os exames mais precisos e não invasivos estão amplamente disponíveis. É possível que mais mulheres se submetam à triagem. Com um aumento das gestações interrompidas.

O banco de dados europeu Eurocat, que monitora anomalias congênitas, revela na Alemanha cifras comparáveis às da Holanda. No total, a metade dos bebês com trissomia 21 não vem ao mundo. Pois os pais se decidem pelo aborto.

O número de crianças nascidas com a deficiência aparentemente depende muito de quantas gestantes se submetem à triagem. Na Dinamarca, por exemplo, o teste da síndrome de Down é grátis e cerca de 90% das futuras mães se submetem a ele. De acordo com De Graaf, há até “uma sutil pressão social para que se faça a triagem”.

Em consequência, hoje em não nasce praticamente nenhuma criança portadora da deficiência no país. Já nos Estados Unidos, onde o aborto não é tão amplamente aceito, os estudos mostram que apenas 67% das mulheres optam por interromper a gravidez quando é constatada a trissomia 21.

Dilema moral
Gert de Graaf gostaria que houvesse melhor informação sobre o distúrbio genético. “A síndrome de Down não é o desastre que as pessoas pensam. Eu não o consideraria razão para abortar”, diz, embora ressalvando que cada um deve ter a chance de decidir por si.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 3 mil e 5 mil crianças nascem anualmente com esse distúrbio dos cromossomos, apresentando problemas auditivos, cardíacos e intestinais, entre outros. No entanto, a expectativa de vida dos portadores cresceu muito nas últimas décadas, e cerca de 80% deles completam ou ultrapassam o 50º aniversário.

Compreendendo que as perspectivas futuras possam assustar as mães de um portador da trissomia, Florian Steger, perito em ética médica da Universidade de Ulm, apela para que a sociedade aja: “Não devemos deixar sozinha e sem ampara uma mãe de uma criança deficiente.”

Ele frisa que é prerrogativa de cada mulher decidir se quer participar da triagem pré-natal e se deseja abortar ou não. No entanto, cada uma é igualmente responsável por se informar e decidir “sem seguir cegamente o conselho alheio, seja de um médico, de sua mãe ou de outra pessoa”, ressalta o especialista.

Risco cresce com a idade
A chance atual de uma criança nascer com síndrome de Down é de um para 200, com as mães acima dos 30 ou 35 anos de idade portando risco bem maior do que as mais jovens.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, entre 1979 e 2003 cresceu em 30% o número de bebês portadores, possivelmente devido à tendência de postergar a gravidez para uma fase mais estável da vida.

Assim, há quem interprete as triagens pré-natais e os abortos como uma forma de se contrapor a esse incremento da deficiência na sociedade contemporânea. E De Graaf não nega: uma criança portadora significa muito trabalho.

– Tendo um filho com trissomia 21, a vida será diferente – admite, embora simultaneamente recordando que, mesmo sem a síndrome de Down, ninguém tem garantia total de uma descendência saudável.

Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A síndrome de Down e o envelhecimento

Inclusão social e cuidados com a saúde garantem longevidade para a população com essa alteração genética

O intenso desenvolvimento da medicina, aliado a um importante trabalho de conscientização e inclusão social, formou a base ideal para que pessoas com síndrome de Down pudessem viver mais. Em 1920 elas viviam em média oito ou nove anos e geralmente morriam em decorrência de problemas cardíacos que hoje são possíveis de corrigir cirurgicamente, ou de doenças infecciosas, atualmente combatidas com antibióticos. Na década de 1980 a média ficava em torno dos 30 anos e, atualmente, está em 55 anos. Mas muitos daqueles que têm a síndrome já estão ultrapassando essa estimativa, e a perspectiva é que o número de anos vividos cresça num futuro próximo.

Nesse cenário, o estímulo à independência tem provado ser determinante para o aumento da expectativa de vida de pessoas com Down. Desde a infância é preciso incentivar a autonomia na realização de atividades convencionais: logo cedo, ela deve ser orientada quanto aos seus próprios cuidados, como tomar banho e escovar os dentes diariamente, por exemplo; mais tarde pode ser estimulada a aprender como usar o transporte público para ir e vir sozinha. O estudo também tem um papel primordial nesse processo, de preferência em escolas regulares, pois quanto maior o nível educacional, melhores serão as chances de uma possível colocação no mercado de trabalho.

E se a inclusão na sociedade é parte da atenção à saúde mental para chegar bem à velhice, cuidados com a saúde física também provaram ser essenciais para garantir a longevidade de pessoas com Down. A prática de exercícios e dieta adequada contribuem para um envelhecimento mais saudável, diminuindo o surgimento de doenças.

Com o avanço da idade, quem tem a síndrome terá de enfrentar os desafios inerentes a essa fase, como problemas oftalmológicos, hipertensão, comprometimento da audição e doenças cardíacas. A única diferença em relação a quem não tem Down é que esse período apresenta-se mais precocemente, geralmente aos 40 anos. Apneia do sono, obesidade, depressão e ansiedade, além de demência e Alzheimer, também fazem parte das patologias associadas à síndrome. Mais predisposta a apresentar tais disfunções, essa população deve fazer acompanhamento preventivo frequente.

É preciso salientar que a síndrome de Down não é uma doença, mas sim uma alteração genética, ou seja, uma condição em que o indivíduo tem 47 cromossomos nas células em vez de ter 46. Não existem diferentes graus de Down, mas sim diferenças entre personalidades e estímulos. Por isso, quanto mais estimulada, incluída e saudável a pessoa for, melhor será o desenvolvimento e a qualidade de vida em qualquer idade.

Artigo publicado na Página Einstein da revista VEJA - edição 2313, ano 46, nº 12, pág. 43, em 20/03/2013
imagem:www.legaldaweb.com.br
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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Cientistas 'silenciam' cromossomo que causa síndrome de Down

Resultado foi obtido em cultura de células-tronco, informa a 'Nature'.
Método pode ajudar pesquisa de formas de tratamento para sintomas.

Bebê com síndrome de Down brinca com a mãe (Foto: Kirill Kudryavtsev / AFP)

Em pesquisa publicada na "Nature", nesta quarta-feira (17), cientistas afirmam ter encontrado uma maneira de "silenciar" o cromossomo que provoca a síndrome de Down.
Jeanne Lawrence e seus colegas da Escola Médica da Universidade de Massachusetts usaram uma enzima para introduzir um gene RNA chamado XIST em células-tronco derivadas de pessoas portadoras da síndrome.

O procedimento foi feito numa cultura de células, em laboratório, e não em pessoas. O XIST "encobriu" o terceiro exemplar do cromossomo 21, cuja existência origina a síndrome de Down, fazendo com que seus genes deixassem de atuar. A existência de três cromossos 21 caracteriza síndrome, também conhecida como "trissomia do cromossomo 21".

Ao comparar células com e sem o cromossomo "silenciado", os autores da pesquisa observaram que o XIST ajudou a corrigir padrões incomuns de crescimento e diferenciação observados nas células que têm Down.
Esse método pode ajudar a definir as mudanças moleculares envolvidas na síndrome. A pesquisa se baseou em um fenômeno ocorre naturalmente: durante o desenvolvimento do bebê, o XIST "desliga" um dos dois cromossomos X presentes em embriões femininos, garantindo que as meninas não tenham uma "dose dupla" da ação desses cromossomos.

Reportagem no site da 'Nature' comenta trabalho sobre a síndrome de Down (Foto: Reprodução/Nature.com)

A equipe de Lawrence entrelaçou o XIST sobre uma das três cópias do cromossomo 21 em células de pessoa com Down. Eles também criaram uma “chave” genética que lhes permite ligar e desligar o XIST por meio da aplicação de um antibiótico. Com isso, conseguiram neutralizar a expressão dos genes que se consideram ser causadores de problemas de desenvolvimento associados com a síndrome.

Como os cientistas usaram células-tronco pluripotentes, ou seja, que podem se transformar em células de diversos tecidos do corpo, os autores esperam que futuramente serão capazes de estudar em nível celular como a síndrome de Down se manifesta em cada parte do corpo.

Com isso, o estudo pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para os diferentes sintomas degenerativos da síndrome. Um problema da técnica apresentada é que o XIST não silencia por completo o cromossomo 21. Isso pode comprometer os resultados dos estudos que comparam células com e sem o gene

fonte:http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/07/cientistas-silenciam-gene-que-causa-sindrome-de-down.html
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sexta-feira, 11 de julho de 2008

A importante relação da atividade física e a pessoa com Síndrome de Down

A atividade física para portadores de necessidades especiais, neste artigo relacionado a pessoas com síndrome de Down, é muito importante no processo de inclusão social, pois auxilia na socialização, na melhora o equilíbrio emocional e também ajuda prevenir doenças congênitas que por acaso venham a atingir estes indivíduos.

A promoção da prática pedagógica adaptada as diferenças individuais dentro das escolas do ensino regular deve ser constante, mas para que isso ocorra, são necessários métodos, procedimentos pedagógicos, materiais e equipamentos adaptados.

O professor especializado deve valorizar as reações afetivas de seus alunos e estar atento o seu comportamento global, para solicitar recursos mais sofisticados como a revisão medica ou psicológica.

E outro fato de extrema importância na educação especial é o fato de que o professor deve considerar o aluno como uma pessoa inteligente, que tem vontades e afetividades e estas devem ser respeitadas, pois o aluno não é apenas um ser que aprende.

Um dos desafios para o momento é justamente a interação entre os vários profissionais que lidam com essa deficiência, pois o problema apresenta facetas que permeiam diferentes esferas do comportamento e níveis de análise do movimento humano.

Estudos mostram que pessoas com deficiências, notadamente os portadores da síndrome de Down, alguns tendem a se tornar sedentários, levando-os a desenvolverem problemas como obesidade, diabetes, colesterol e triglicérides altos, hipertensão e doenças cardíacas.

O estudo lembra que os portadores desta síndrome têm tendência natural a uma compulsão alimentar, o que pode levar a uma alta do peso corporal, assim como uma pré-disposição à doenças do coração. Por isso, especialistas afirmam ser fundamental que os portadores da síndrome sejam estimulados desde criança à prática regular de alguma atividade física.

Os exercícios mais indicados para quem tem esta necessidade especial são a caminhada, a corrida, a natação, andar de bicicleta, a dança e outras atividades que a própria pessoa considere como algo saudável para o bem estar fisco e principalmente cognitivo..

São atividades que podem ser feitas sem grandes dificuldades por estas pessoas e vão ajudar a uma melhora da condição corpórea, prevenindo doenças provocadas por uma vida sedentária e ajudando a melhorar a auto-estima e o equilíbrio emocional dos portadores da síndrome de Down.

A realização de atividades motoras deste aluno, além de exercer papel preponderantemente no seu desenvolvimento somático e funcional, estimula e desenvolve as suas funções psíquicas.
O maior desafio para os profissionais da Educação Física é facilitar o envolvimento de todas as pessoas, incluindo quem tem a Síndrome.

Não há sombra de dúvida de que os indivíduos com Down respondem positivamente aos programas de atividade motora. Esses benefícios envolvem desde a sua aptidão física e saúde, até a própria qualidade da execução motora.

A atividade física, seja no âmbito escolar ou fora dele, deve ser considerado como um nível de grande importância para o desenvolvimento físico e mental dos deficientes e da conseqüente necessidade de exercícios.

Porém a princípio, fica necessário que o professor responsável destas aulas tenha conhecimento das atividades para que os alunos se interessem na prática de uma atividade física e esportiva, afinal, são seres humanos, e requer o mesmo respeito e consideração como todas as outras pessoas!


Prof. Especialista Alexandre Vieira
Prof. Universitário / Educação Física – Cref. 3.123
Pós-graduado em Bases Fisiológicas e Metodológicas do Treinamento Desportivo – UNIFESP
Contato: vieira76@ig.com.br
Fone: 11 - 9495-3181

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