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domingo, 3 de junho de 2018

Risco de transmissão de dengue é medido com base no número de fêmeas do Aedes

Índice desenvolvido por pesquisadores da Famerp e da USP também está sendo testado para medir risco de Zika e chikungunya (foto: Muhammad Mahdi Karim / Wikipedia)

Um novo índice que permite medir o risco de transmissão de dengue em uma cidade ou região com base no nível de infestação por fêmeas adultas do mosquito Aedes aegypti foi descrito por pesquisadores brasileiros na revista Acta Tropica.

A metodologia foi desenvolvida por Maisa Carla Pereira Parra e colaboradores, sob a supervisão de Maurício Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), e Francisco Chiaravalloti-Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

O estudo faz parte do Projeto Temático “Epidemiological study of dengue (serotypes1-4) in a cohort of São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil, during 2014-2018”, apoiado pela FAPESP.

Na avaliação dos pesquisadores, o novo método seria mais prático e confiável do que o chamado Índice de Breteau – valor numérico que corresponde à razão entre o número de larvas de Aedes encontrado e a quantidade total de residências inspecionadas por agentes de saúde. Esse é o sistema atualmente usado pela vigilância epidemiológica para determinar o nível de infestação pelo mosquito transmissor da dengue.

“O Índice de Breteau calculado em São José do Rio Preto no início de 2018 foi o maior de todos os tempos. Foi superior inclusive ao índice de 2013, quando a região passou pela pior epidemia de dengue de sua história, com 18 mil casos. No entanto, em 2018 foram notificados apenas 44 casos da doença até o momento. Ou seja, pelo menos em nossa região, o Índice de Breteau não guarda mais relação com a prevenção da dengue”, disse Nogueira.

A explicação para tamanha disparidade, na avaliação do pesquisador, pode estar relacionada com a imunidade adquirida por parte da população durante as epidemias recentes.

“O problema do Índice de Breteau é que ele é uma medida da quantidade de larvas do mosquito, fase em que esse inseto vive na água. Mas o que realmente interessa é a fase adulta. Somente as fêmeas adultas transmitem o vírus após o acasalamento, quando buscam sangue humano para produzir e botar ovos”, explicou Chiaravalloti-Neto.

Foi a partir dessa constatação que surgiu a ideia de desenvolver um novo índice que levasse em conta apenas o número de fêmeas adultas. “Achávamos que seria mais fidedigno e mais fácil de calcular. A lógica por trás é que, quanto maior a quantidade de fêmeas adultas no ambiente, maior será a quantidade de pessoas infectadas”, disse Nogueira.

Metodologia
No caso do Índice de Breteau, agentes de saúde precisam visitar todas as casas da região que se quer aferir, verificar todos os reservatórios em busca de larvas de mosquito e somar o total encontrado. O trabalho tem que ser repetido com regularidade, mobilizando uma grande força de trabalho a um custo elevado.

Já para calcular o novo índice foram espalhadas em São José do Rio Preto 56 armadilhas especiais, que liberam no ambiente um odor semelhante ao da pele humana – capaz de atrair as fêmeas de mosquito sedentas por sangue. Ao entrar no dispositivo, ficam aprisionadas e morrem.

“As armadilhas eram posicionadas com um espaçamento de 200 a 400 metros, que é a metade do raio de voo do mosquito. Recolhíamos no dia seguinte para a contagem das fêmeas adultas”, contou Nogueira.

O experimento foi feito duas vezes por semana, permitindo reunir dados de até 62 residências por semana, ao longo de um ano – entre a 36ª semana de 2012 e a 19ª semana de 2013.

“Ao final do trabalho de campo, reunimos dados de mais de 1,5 mil armadilhas. Além de coletar as fêmeas, também verificamos via análise molecular quais eram positivas ou negativas para dengue", contou Chiaravalloti-Neto.

Com base no número de fêmeas adultas capturadas por armadilha foi calculado um índice entomológico, que corresponde ao número de fêmeas de Aedes aegypti por 100 residências (aquelas vizinhas ao local da armadilha) ao longo de uma semana.

"A quantidade de fêmeas coletadas em uma única armadilha em uma residência pode ser pequena, mas serve de amostragem para calcularmos o tamanho da infestação na vizinhança", disse Chiaravalloti-Neto.

Desse modo, o grupo construiu um mapa da região de São José do Rio Preto, com índices da quantidade de fêmeas adultas por bairro durante as 52 semanas do ano. Ao todo, as armadilhas capturaram 1.333 mosquitos do gênero Aedes (536 machos e 797 fêmeas) e 4.691 do gênero Culex (3.325 machos e 1.366 fêmeas) – somando 6.024 insetos.

Os espécimes de Aedes foram agrupados em 893 tubos e testados para a presença do vírus da dengue. O sorotipo 4 do patógeno (DENV-4) foi encontrado em 25 mosquitos (ou 2,8% dos tubos), dos quais 19 eram fêmeas e seis machos.

“Criamos bancos de dados com informações sobre a armadilha e sobre os casos de dengue: endereço, data de instalação, data de coleta, número de espécimes, espécies de mosquitos e resultado da análise molecular. O banco de dados de casos de dengue incluiu os endereços das notificações de dengue, a data de início dos sintomas, tipo e resultados de análises laboratoriais”, explicou Nogueira.

Por fim, o resultado do índice entomológico foi confrontado com os dados da vigilância epidemiológica para casos de dengue na cidade entre a 36a semana de 2012 e a 19a semana de 2013.

“Ao obter todos os casos notificados, fizemos uma modelagem para verificar se haveria uma relação entre o número de casos e a quantidade maior ou menor de fêmeas", disse Chiaravalloti-Neto.

Mais de 2,5 mil casos suspeitos de dengue foram relatados na área de estudo. Destes, 1.137 casos foram registrados como confirmados. Houve 820 casos que testaram positivo para DENV (72,1%) e 317 que combinaram com critérios epidemiológicos clínicos (27,9%). Como controle, foram usados 1.450 casos que testaram negativo para DENV.

Segundo Chiaravalloti-Neto, o resultado da modelagem não poderia ter sido melhor. “Quando aumentou o número de fêmeas, observou-se um correspondente aumento no risco de incidência de dengue”, contou.

“Nosso índice entomológico correlaciona-se positivamente com a incidência de dengue, particularmente durante os intervalos em que as medidas de controle de vetores foram aplicadas de forma menos intensiva”, disse Nogueira.

Os pesquisadores estão agora repetindo o experimento em uma outra vizinhança com o objetivo de validar os resultados do primeiro trabalho e mostrar que, de fato, o novo método é uma alternativa confiável ao Índice de Breteau.

“O estudo atual é mais amplo que o primeiro. Além de dengue, estamos testando o novo método para medir o risco de transmissão de Zika e chikungunya. Mas os resultados ainda devem demorar”, disse Nogueira.

O artigo Using adult Aedes aegypti females to predict areas at risk for dengue transmission: A spatial case-control study, de Maisa Carla Pereira Parra, Eliane Aparecida Fávaro, Margareth Regina Dibo, Adriano Mondini, Álvaro Eduardo Eiras, Erna Geessien Kroon, Mauro Martins Teixeira, Mauricio Lacerda Nogueira e Francisco Chiaravalloti-Neto, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001706X17312020?via%3Dihub.

por Peter Moon - Agência FAPESP
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Como proteger sua casa do mosquito da dengue enquanto você estiver viajando

Na água parada, a fêmea deposita seus ovos, que demoram entre cinco e 10 dias para se tornarem mosquitos adultos. Veja como deixar a casa segura desse problema nas férias.

O mosquito Aedes aegypti, popularmente conhecido como mosquito da dengue, é responsável pela transmissão não só dessa doença, mas também da febre amarela e de outros dois problemas de saúde que têm afetado milhares de pessoas no Brasil: a febre chikungunya e a zika. Todas essas enfermidades podem afetar qualquer indivíduo, independente da idade ou sexo. Por isso, para evitar que essas doenças atormentem sua família, busque tomar atitudes preventivas contra o mosquito.

E quando as férias chegam, o que fazer? Antes de viajar e deixar a casa sozinha, é preciso tomar algumas atitudes para evitar o desenvolvimento do mosquito. Afinal, as doenças transmitidas pelo o Aedes são sérias, principalmente quando atingem crianças, idosos ou grávidas.

Como o mosquito se desenvolve?
Água parada é o foco do Aedes aegypti. Nela, a fêmea deposita seus ovos, que demoram entre cinco e 10 dias para se tornarem mosquitos adultos prontos para picarem e transmitirem doenças. Portanto, é bem provável que, se você não tomar as medidas cabíveis antes de viajar, ao retornar para casa, existam vários insetos com a capacidade de infectar a todos.

Foto: Pixabay

Medidas preventivas
Atenção para os recipientes de bebidas
É preciso ter bastante cuidado ao decidir o fim destes recipientes. O ideal é levá-los diretamente para reciclagem, mas, caso isso não seja possível, ao menos esvazie as garrafas e guarde-as de cabeça para baixo, de preferência em um local coberto.

Cuidados com o destino das embalagens
Uma regra básica pode facilitar a vida das pessoas e ainda evitar o desenvolvimento do mosquito da dengue, isto é, jogar o lixo no lixo. As embalagens de produtos ou de presentes, se descartadas de forma inadequada, podem ser potenciais focos do Aedes. Por exemplo, uma sacola que é arremessada no quintal, pode acumular água de chuva e ser um local ideal para o mosquito depositar seus ovos. Portanto, o que for lixo coloque na lixeira, já o que der para reutilizar, armazene em um local apropriado.

Responsabilidade com o lixo
Antes de colocar o pé na estrada e ter seus merecidos dias de folga e lazer, é necessário atenção com o lixo armazenado na lixeira. Isso porque, assim como a água parada pode ser um foco para o mosquito, o lixo também é. Sendo assim, é preciso recolher todo o lixo e descartar no local de coleta. Os materiais destinados à reciclagem devem ser higienizados, secados com cuidado e armazenados em um lugar apropriado.

Zelar pelos ambientes do quintal
Esse cuidado envolve caixas d’água, bacias e baldes, que, quando cheios, precisam estar devidamente tampados. Além disso, calhas também necessitam de atenção, pois precisam estar limpas. Pratinhos de planta não devem acumular água e outros recipientes precisam ser armazenados em um local seco e coberto. E para garantir que sua casa esteja livre dos mosquitos, faça uma faxina completa. Para isso, limpe as laterais de todos os recipientes de água, tendo em vista que os ovos do Aedes grudam nesses locais, mesmo sem água, e quando entram em contato com esse elemento podem se desenvolver.

por Katharyne Bezerra
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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

País tem ao menos 357 cidades sob risco de novo surto ligado ao Aedes

© iStock Outros 1.139 municípios estão em situação de alerta para novos surtos

Levantamento do Ministério da Saúde aponta que ao menos 357 municípios brasileiros estão em situação de maior risco de novo surto de dengue, zika e chikungunya. Isso indica que mais de 4% dos imóveis visitados nestas cidades tinham larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite essas três doenças.

Outros 1.139 municípios estão em situação de alerta para novos surtos, o que ocorre quando esse índica fica entre 1% e 3,9%.

Os dados, que trazem um panorama dos riscos para o próximo verão, momento em que o clima fica ainda mais propício à infestação de Aedes, são do último LirAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti).

Ao todo, 3.946 municípios participaram do levantamento -um aumento de 73% em relação à análise feita no mesmo período do ano anterior, quando 2.282 municípios enviaram informações.

O crescimento ocorre após o governo determinar o bloqueio do envio de recursos federais de vigilância aos municípios que não enviarem tais dados. As vistorias foram realizadas entre outubro e a primeira quinzena deste mês.

Somados, os dados de risco e alerta indicam que cerca de quatro em cada dez cidades avaliadas apresentam maiores chances de desenvolver surtos de dengue, zika e chikungunya -o equivalente a 38%.

O percentual é semelhante ao encontrado em balanço realizado no mesmo período do ano anterior, quando 855 das 2.282 cidades estavam com quadro de risco ou alerta.

Entre as cidades nessa classificação neste ano, estão nove capitais: Maceió, Manaus, Salvador, Vitória, Recife, Natal, Porto Velho, Aracaju e São Luís.

Outros 2.450 municípios apresentaram situação satisfatória, ou seja, tinham menos de 1% dos imóveis analisados com focos de Aedes.

DADOS POR REGIÃO
De acordo com o levantamento, o Nordeste é a região com maior número de cidades analisadas em situação de risco ou alerta: 18,8% estavam nesse primeiro grupo na e 41% no segundo.

Em seguida, está o Norte, com 9,3% em situação de risco 40,4% em alerta.

Já o Sudeste tem cerca de 20% dos municípios analisados nessas duas categorias, percentual semelhante ao do Centro-Oeste e Sul.

Doenças transmitidas pelo Aedes aegypti
Diante dos dados, o Ministério da Saúde lançou uma nova campanha para incentivar a população a combater focos do mosquito. Já o dia de mobilização nacional contra o Aedes aegypti está marcado para 8 de dezembro.

"Estamos muito preocupados. O fato de ter diminuído a intensidade do problema [neste ano] provoca descuido das pessoas", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Neste ano, o país teve redução no número de casos de dengue, zika e chikungunya, um cenário que pode estar associado tanto à forte epidemia vivida nos últimos anos quanto ao aumento das ações de controle após a declaração de emergência ligada ao zika e à microcefalia.

Dados do último boletim epidemiológico apontam 239 mil casos prováveis de dengue notificados entre janeiro até novembro deste ano, uma redução de 84% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já os casos de chikungunya somaram 184 mil, com queda de apenas 32%. A doença também levou a 149 mortes.

Também foram registrados 16.870 casos prováveis de zika, uma queda de 92% em relação ao ano anterior.

Segundo Barros, a menor redução de casos de chikungunya indica que a doença pode continuar a circular com intensidade. "Mas sabemos que o mosquito é um transmissor universal. Por isso temos que combatê-lo", completa. Com informações da Folhapress.

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Novo chip para detectar vírus da dengue é desenvolvido

Sensor identifica presença de moléculas de antígeno em soro sanguíneo, fornecendo rapidamente resultado positivo ou negativo (foto: Cleverton Pirich)

Peter Moon | Agência FAPESP – Estatísticas epidemiológicas de doenças transmitidas por mosquitos impressionam. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em 2016 foram notificados cerca de 1,5 milhão de casos de dengue, 272 mil de febre chikungunya e 215 mil de febre Zika. Em 2015, foram 143 mil casos de malária.

Estratégias de combate a essas epidemias incluem prevenção – por meio do combate às diversas espécies de mosquitos transmissores –, desenvolvimento de vacinas, vigilância epidemiológica com rápido diagnóstico dos doentes e tratamento clínico e ambulatorial.

No quesito da vigilância epidemiológica, grupos em universidades brasileiras pesquisam o desenvolvimento de biossensores de baixo custo para acelerar o diagnóstico. Um exemplo é o imunochip para detecção de doença da dengue que está em desenvolvimento no grupo BioPol dos Departamentos de Química e de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

“No nosso sensor, a detecção da doença da dengue é indireta. O que se detecta não é o vírus, mas um antígeno característico da infecção. Essa detecção se dá através de anticorpos ancorados no biossensor, que detectam rapidamente a presença do antígeno no soro e, indiretamente, nos dá a resposta de infecção”, disse o doutorando em bioquímica Cleverton Pirich, um dos autores do estudo.

O imunochip é capaz de detectar a presença de moléculas do antígeno (NS1) para a dengue em soro sanguíneo, fornecendo um resultado positivo ou negativo de forma rápida. Resultados do trabalho foram publicados no periódico Biosensors and Bioelectronics.

O sensor é baseado na tecnologia das microbalanças de cristal de quartzo (MCQ). O termo microbalança se refere à capacidade desses dispositivos detectarem quantidades de uma molécula, a exemplo de uma proteína, na ordem de nanogramas (bilionésimos de grama).

Isso é possível devido a uma propriedade eletroquímica chamada efeito piezoelétrico. Piezoeletricidade é a capacidade de alguns cristais gerarem tensão elétrica como resposta a uma pressão mecânica.

Os sensores piezoelétricos são dispositivos que usam o efeito piezoelétrico para medir pressão, aceleração, tensão ou força, convertendo-os em sinal elétrico.

Para validar os resultados e a eficiência do imunochip desenvolvido em Curitiba, Pirich e sua orientadora, a professora Maria Rita Sierakowski, contaram com a colaboração do professor Roberto Manuel Torresi, do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo, quanto ao funcionamento e interpretação de resultados em uma microbalança com dissipação de energia (MCQ-D).

“A microbalança utiliza o efeito piezoelétrico reverso. No caso específico do novo imunochip, um sinal elétrico é aplicado ao cristal e a frequência desse sinal muda quando algumas moléculas de antígeno (NS1) para a dengue presentes em uma amostra se depositam sobre o cristal”, disse Torresi.

No laboratório coordenado pelo professor Torresi há uma das mais sofisticadas e precisas microbalanças de cristal de quartzo em operação no Brasil. O equipamento foi adquirido com apoio da FAPESP.

Assim como o imunochip, a microbalança MCQ-D também baseia sua operação na detecção utilizando efeito piezoelétrico reverso. Só que sua precisão é de outra ordem de grandeza, além de detectar também mudanças reológicas.

“A microbalança do nosso laboratório é muito mais sofisticada que outras existentes no país”, disse Torresi, que também assina o artigo publicado na Biosensors and Bioelectronics e coordena o Projeto Temático “Otimização das propriedades físico-químicas de materiais nanoestruturados e suas aplicações em reconhecimento molecular, catálise e conversão/armazenamento de energia".

A microbalança do IQ (MCQ-D) e as do BioPol (MCQ, adquirida com apoio da Capes, e MCQ-D, com apoio da Finep) confirmaram a presença do antígeno NS1 para a doença da dengue em todas as amostras de soro que foram contaminadas por acréscimo desse antígeno, para as quais o imunochip havia sido produzido contendo o anticorpo NS1, resultando num resultado positivo de detecção.

Aplicações ambientais

“O imunochip foi desenvolvido para detectar moléculas do antígeno da doença da dengue em qualquer material em meio líquido. Mas o princípio pode ser aplicado na detecção de outras doenças, assim como em aplicações ambientais e saúde para detectar moléculas contaminantes presentes em água, alimentos e meio ambiente, por exemplo”, disse Sierakowski.

A base do imunochip é um cristal de quartzo importado, sobre a qual são depositados os demais componentes em finas camadas. A primeira, logo acima do cristal, é de ouro. Imediatamente acima está uma película de um polímero chamado polietilenimina.

Por fim, sobre o polímero é colocado um nanofilme de nanocristais de celulose, oriundo de tratamento químico de resíduos industriais de celulose bacteriana, preparado para reagir quimicamente na presença do antígeno da dengue. A reação química acarreta uma mudança de resposta dos nanocristais, que é refletida pela alteração dos seus padrões de frequência e de dissipação de energia.

É a mensuração precisa da mudança desses padrões de frequência e de dissipação de energia que indicará a presença ou não do antígeno para a doença da dengue e, por consequência, se o paciente de quem aquela amostra foi obtida está ou não infectado pelo vírus da dengue.

O processo pode parecer longo, mas, após o desenvolvimento do biossensor, a resposta é praticamente imediata. Pinga-se a amostra sobre o biossensor e se obtém o resultado com precisão. A presença do antígeno (NS1) para a dengue é determinada a partir de quantidades de 0,03 micrograma por mililitro.

“O mais importante para um paciente no diagnóstico não é saber quantas moléculas de antígeno há na amostra. O que interessa para ele é saber se está ou não infectado e, caso esteja, começar o mais rápido possível o tratamento correto. Visando somente um diagnóstico qualitativo, ou seja, com uma resposta positiva ou negativa, isso abre margem para o desenvolvimento de equipamentos mais simples, baratos e acessíveis que cumpram esse propósito”, disse Pirich.

“Como foi discutido e demonstrado em nosso trabalho, um imunochip desse, se desenvolvido e comercializado, poderá ser uma ferramenta de diagnóstico em tempo real, capaz de fornecer resultados em aproximadamente 15 minutos”, disse.

O artigo Piezoelectric immunochip coated with thin films of bacterial cellulose nanocrystals for dengue detection (doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.bios.2017.01.068), de Cleverton Luiz Pirich, Rilton Alves de Freitas, Roberto Manuel Torresi, Guilherme Fadel Picheth e Maria Rita Sierakowski, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0956566317300684.

fonte
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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Programa prevê risco de epidemia de zika em tempo real

Um programa de computador desenvolvido nos EUA consegue prever, em tempo real, o risco de epidemia de zika no estado do Texas

Zika: emergência mundial (VEJA.com/VEJA/VEJA)

A ideia de prever o risco de uma epidemia em tempo real, em determinada região, parece ficção científica para você? Pois saiba que isso já é uma realidade, pelo menos no que diz respeito ao zika, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Um programa de computador desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin é capaz de calcular a probabilidade de que a presença de dois casos da doença em uma determinada área conduza a uma epidemia.

“Nosso modelo foi projetado para quantificar o risco de surtos zika local como casos se acumulam em todo Texas, levando em conta padrões de viagens internacionais, habitat de mosquito e a baixa taxa de detecção de infecções zika. Sua estrutura flexível pode ser facilmente aplicada a outros estados dos EUA e adaptado para avaliações de risco de outros arbovírus emergentes, incluindo chikungunya, dengue e febre amarela.”, disse Spencer Fox, coautor do estudo.

Baseada em simulações em tempo real de todos os condados – subdivisão administrativa dos estados americanos – do estado do Texas, a ideia veio após os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendarem, no ano passado, que as autoridades de saúde pública desencadeassem uma intervenção epidêmica quando dois casos de zika não-familiares adquiridos localmente fossem relatados na mesma área. O problema é que as taxas de importação e transmissão de zika variam amplamente, o que significa que dois desses casos podem representar ameaças muito diferentes em locais diferentes.

O modelo
O novo modelo busca, justamente, solucionar essa lacuna. Publicado nesta quarta-feira no periódico científico BMC Infectious Diseases, o modelo de simulação de computador tem uma base de dados que inclui dinâmica populacional, taxas históricas de infecção, socioeconomia e densidade de mosquitos nos 254 condados no estado de Texas.

Ao combinar todos os dados, os pesquisadores descobriram que o risco de uma epidemia zika varia muito entre os condados do Texas. Por exemplo, mesmo que dois casos sejam relatados no mesmo local, a maioria dos condados do estado não terá quase nenhum risco de uma epidemia, enquanto alguns terão um risco superior a 50%.

O modelo conseguiu prever, por exemplo, que o condado de Harris, no qual está a cidade de Houston – uma das principais do Estado -, e o condado de Travis, que inclui a cidade de Austin, têm as taxas as mais elevadas de introduções de zika por viajantes infectados. Descobriu-se também que os condados localizados na região sudeste do Texas correm maior risco de transmissão zika de uma pessoa para outra.

“A recomendação do CDC de intervir após dois casos relatados zika deve garantir ação antecipada em qualquer lugar, mesmo que o risco risco epidêmico possa variar enormemente dentro de um único estado. Nosso modelo quantifica essa variação no risco e pode ajudar as autoridades a priorizar áreas de alto risco para monitoramento e recursos de intervenção”, afirmou Lauren Castro, coautora do estudo.

Duas variáveis
Este é o primeiro estudo a avaliar tanto o risco da chegada do zika a uma área quanto o risco de disseminação local por mosquitos. A flexibilidade do design do modelo significa que à medida que novas informações se tornam disponíveis sobre a dinâmica Zika, epidemiologia e biologia podem ser atualizadas para ajudar as autoridades de saúde pública a avaliarem a consciência situacional, de acordo com os pesquisadores.

Lauren Ancel Meyers, coautora do estudo, acrescentou: “Surtos de Zika exigem a importação da doença por viajantes infectados seguido de transmissão local mosquito. Nosso modelo combina esses processos para estimar o risco de emergência local. Isso permite que os formuladores de políticas pensem cuidadosamente sobre a tolerância ao risco – a certeza necessária antes de intervir e as conseqüências potenciais de intervenções prematuras ou atrasadas”.

fonte
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sexta-feira, 24 de março de 2017

Estudo: contágio de dengue ocorre a até 200 metros de casa

Pesquisa publicada na revista 'Science' revela que infecção do vírus costuma acontecer em uma distância de até dois quarteirões da residência

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre amarela urbana. (VEJA/Dedoc)

A maioria das transmissões de dengue ocorre dentro ou perto de casa. Além disso, casos inter-relacionados acometem pessoas que moram a 200 metros umas das outras, distância equivalente a dois quarteirões. As descobertas foram publicadas nesta quinta-feira na revista científica Science.

Pesquisadores da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, sequenciaram os vírus de 640 infecções de dengue ocorridas entre 1994 e 2010, em Bangcoc, na Tailândia, em áreas com diferentes densidades populacionais. Eles, então, cruzaram as informações com um mapa da residência dos indivíduos afetados.

O resultado foi revelador. Entre as pessoas que viviam a até 200 metros de distância entre elas, 60% foram contaminadas pela mesma corrente de transmissão, isto é, por um vírus recentemente introduzido na área. Já entre aquelas que moravam a 5 quilômetros de distância, a corrente era semelhante em apenas 3% dos casos.

Combate ao Aedes aegypti
De acordo com os estudiosos, em uma mesma temporada de contágio, 160 correntes de transmissão diferentes circulam simultaneamente em Bangcoc. A diversidade é menor em áreas com maior densidade populacional.

Entender o processo de transmissão da doença pode ajudar a elaborar estratégias de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de dengue, chikungunya, febre amarela e zika vírus. Algumas medidas possíveis são monitorar focos do inseto em locais de alta contaminação e vacinar os moradores nessas áreas. Em 2016, a dengue infectou cerca de 1,5 milhão de brasileiros e provocou mais de 600 mortes.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O futuro das arboviroses

Devemos conviver por muitos anos com a tríplice epidemia de arboviroses; reflexo de um complexo contexto de ineficácias do poder público e da sociedade

O mosquito transmissor da dengue, Aedes Aegypti (Paulo Whitaker/Reuters)

Há uma vasta experiência acerca do comportamento epidemiológico da circulação dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV); o grande questionamento que se tem atualmente prende-se aos seguintes fatores:

Qual é o efeito da circulação concomitante em praticamente todo continente americano do vírus chikungunya?
Qual é o efeito da circulação concomitante em praticamente todo continente americano do vírus zika?

O impacto global trazido pela circulação do vírus da dengue é enorme. Há estimativa de 50 milhões de infecções por esse vírus por ano abrangendo aproximadamente 100 países do mundo. As condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor observadas em vários locais do mundo fazem com que as perspectivas quanto à uma disseminação ainda mais ampla sejam preocupantes.

À medida que o Aedes aegypti evoluiu e passou a se tornar intimamente associado aos habitats dos seres humanos, preferencialmente neles se alimentando e compartilhando seus domicílios, essa espécie se tornou vetor extremamente eficiente do vírus da dengue, quando o mesmo foi introduzido, inicialmente nas cidades portuárias. Essas foram as condições que consubstanciaram as grandes pandemias de dengue relatadas durante os séculos XVIII, XIX e início do século XX, quando nos recordamos que essa foi uma época de forte desenvolvimento da indústria naval, que se deu paralelamente à grande urbanização das cidades portuárias, em resposta ao amplo incremento no tráfego oceânico.

Enquanto na década de 1960, mais da metade da população que habitava o Brasil residia em zonas rurais, os números observados em 2010 mostram que 84,4% da população reside em regiões urbanas. Essa inversão se deu sem que toda a necessária infra-estrutura de saneamento básico requerida fosse implementada. A falta no abastecimento de água e de coleta de lixo está relacionada ao alto número de casos de dengue nas cidades. Dos 48 municípios com risco de surto da doença no verão de 2012, 62,5% tinham menos da metade das casas com acesso ao saneamento adequado.

A situação atual e preocupante das arboviroses no Brasil reflete um complexo contexto, no qual interagem entre si ineficácias gerais de atuação do poder público e da sociedade em geral. Assim, deve-se buscar soluções para essas epidemias e também manter planos de combate eficientes contra a febre amarela, cuja transmissão igualmente ocorre pelo Aedes aegypti, sendo que sua migração em massa para o ambiente urbano não deve ser descartada, principalmente porque já houve constatações de casos esporádicos de febre amarela em centros urbanos brasileiros.

Os condicionantes da expansão das arboviroses nas Américas e no Brasil são similares e referem-se, em grande parte, ao modelo de crescimento econômico implementado na região, caracterizado pelo crescimento desordenado dos centros urbanos.

O Brasil concentra mais de 80% de sua população em áreas urbanas, com importantes lacunas no setor de infra-estrutura, tais como dificuldades para garantir o abastecimento regular e contínuo de água, assim como também é deficiente a coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos. Outros fatores, tais como a acelerada expansão da indústria de materiais não biodegradáveis, além de condições climáticas favoráveis, agravadas pelo aquecimento global, conduzem a um cenário que impede, pelo menos a curto prazo, a proposição de ações visando à erradicação do vetor transmissor.

Some-se a esse já sombrio panorama, o modelo de urbanização implementado em nosso país, assim como em muitas outras cidades que compõem essas sociedades do “capitalismo periférico”:

redução progressiva das áreas verdes das cidades às custas de empreendimentos imobiliários que tentam imitar o que se verifica nos países capitalistas “centrais”; empreendimentos estes situados em locais onde não há a menor infraestrutura de saneamento básico que os comporte.
nossas cidades estão cada vez mais impermeabilizadas: quando chove, não há onde a água ser drenada, constituindo-se drama frequentemente observado, as enchentes de nossas grandes cidades.

Temos sido bombardeados por informações, muitas vezes desencontradas, sobre diferentes métodos para combater a presença do mosquito Aedes aegypti em nossas cidades. Especial ênfase vem sendo dada ao combate domiciliar do mesmo, sobressaindo-se as informações acerca de como evitar a eclosão de larvas dos mosquitos que estiverem presentes nos vasinhos de plantas presentes dentro das casas e apartamentos da população.

Considero essa atitude uma maneira pela qual desviamos de uma abordagem mais objetiva do problema. Dentro desse panorama, onde se situaria a ênfase no combate domiciliar ao mosquito ? Em minha opinião, serve apenas para que retardemos o debate sobre a importância do saneamento básico no controle e possível futura erradicação do vetor. Creio, portanto, que dengue, chikungunya e zika estão intimamente correlacionados à problemática do saneamento básico. Encaremos isso de frente, não escamoteando a realidade através da valorização dos vasinhos de plantas presentes nas casas das pessoas.

Isso posto, esperamos expressiva circulação do vírus zika a partir do mês de novembro, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Nossas mulheres devem permanecer atentas a essa situação e deve ser enfatizado os cuidados para evitar a picada do Aedes, através do uso de repelentes de forma correta.

Em relação à epidemia de infecções pelo vírus chikungunya, o comportamento epidemiológico se mostrou semelhante àquele observado inicialmente com o vírus da dengue:

Inicialmente, predomínio nas regiões Norte e Nordeste;
Após um ou dois anos, disseminação por todas regiões do Brasil.

Devemos ainda conviver por muitos anos com essa tríplice epidemia; a interação entre elas deve ser objeto de estudos aprofundados. Um dos aspectos a ser abordado diz respeito à dificuldade de melhor avaliação de vacinas, que devem abordar o questionamento quanto à imunidade cruzada.

Como exemplo, podemos levantar a seguinte dúvida, ainda longe de ser esclarecida: a presença de anticorpos contra dengue em uma pessoa leva à maior proteção ou ao aumento do percentual de casos graves quando essa pessoa for infectada pelos vírus zika ou chikungunya?



Por Artur Timerman
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sábado, 21 de janeiro de 2017

Os efeitos do zika: por que o assunto não pode ser esquecido

Muito se tem falado de febre amarela. Não há dúvidas de que o assunto é de muita importância. Mas não devemos esquecer dos efeitos dramáticos do zika vírus

(VEJA.com/VEJA/VEJA)

Muito se tem falado do crescimento de casos de febre amarela. Não há dúvidas de que o assunto é de extrema importância. Não devemos esquecer, no entanto, dos efeitos dos outros vírus transmitidos por mosquito, sobretudo o zika, com seus dramáticos efeitos.

O vírus zika, transmitido por mosquitos, apresenta sintomas em apenas 20% dos casos, destacando-se febre baixa, vermelhidão pelo corpo (principalmente no rosto), dor nas pequena articulações e conjuntivite.

O vírus tem preferência pelo sistema nervoso central, podendo causar microcefalia congênita, meningite, encefalite e, ainda, a síndrome de Guillain-Barré – paralisia que pode atingir todos os músculos.

Os primeiros casos em humanos foram detectados no ano de 1952, em Uganda e na Tanzânia. No Brasil, a primeira ocorrência foi registrada em maio de 2015.

O vírus zika é transmitido através da picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, por vias materno-fetal, sexual (vaginal, anal e oral), transfusional, sangue e produtos utilizados em transplantes de órgãos e exposição laboratorial.

O vírus é detectado na urina em até 91 dias, no sangue de mulheres grávidas, em até dez semanas e no sêmen em até 188 dias após o período da doença.

Existe o risco de transmissão do vírus zika durante toda a gravidez, tendo a mãe apresentado ou não sintomas da doença. No entanto, em recém-nascidos, o risco de que herdem as formas graves da doença, com sequelas, é maior no primeiro trimestre, embora haja descrições na literatura médica de ocorrências no segundo trimestre.

Não exite tratamento específico para o vírus zika. Utilizam-se medidas de suporte de vida, incluindo uma hidratação adequada medicamentos para a solução ou diminuição da dor e da febre.

Vários centros no Brasil e no mundo já iniciaram as pesquisas da vacina individual do vírus zika ou associada aos quatro sorotipos do vírus da dengue.

Por David Uip
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sábado, 14 de janeiro de 2017

Aedes resistente ao vírus da dengue é criado nos EUA

Uma alteração feita no 'fígado' do mosquito fez com ele aumentasse radicalmente a produção de fatores antivirais em seu organismo, bloqueando a infecção

Nova técnica estimula a habilidade natural do mosquito para combater a dengue (Army Medicine/Flickr/Divulgação)

Uma técnica para barrar a transmissão de doenças do Aedes aegypti foi divulgada por pesquisadores americanos. Os cientistas da Escola de Saúde Pública de Johns Hopkins criaram mosquitos geneticamente modificados que utilizam seu próprio sistema imunológico para combater o vírus da dengue. Uma alteração feita no que seria o fígado do Aedes fez com ele aumentasse radicalmente a produção de fatores antivirais em seu organismo, bloqueando a infecção.

Os testes não funcionaram para zika e chikungunya, mas os pesquisadores acreditam que a técnica possa ser aprimorada para trazer resistência também contra esses outros tipos de arboviroses.

O Aedes se infecta com o vírus da dengue toda vez que suga o sangue de um ser humano que está com a doença, e, dessa forma, pode transmiti-la para as próximas pessoas que forem picadas por ele. O novo estudo, publicado na revista científica Plos One, mostra que esse mosquito produz naturalmente antivirais contra a dengue, mas em um nível tão baixo que não são capazes de eliminar o vírus. O que a nova técnica faz, de forma inédita, é estimular essa habilidade natural a partir da interferência em determinados genes que atuam no “fígado” do inseto.

Depois dessa alteração, foi observado que a maioria dos mosquitos eliminou completamente o vírus, e que os poucos insetos que ainda se mantinham infectados registraram um nível viral baixo nas glândulas salivares, que é a via por onde eles transmitem doenças.

“Se você puder substituir uma população natural de mosquitos transmissores de dengue por organismos geneticamente modificados que sejam resistentes ao vírus, você pode parar a transmissão. Este é um primeiro passo rumo a esse objetivo” , disse o líder do estudo, George Dimopoulos, professor do Departamento de Microbiologia e Imunologia Molecular da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

A equipe de Dimopoulos está trabalhando para, a partir de agora, testar modificações genéticas no que equivaleria ao intestino dos mosquitos. A hipótese é de que seja possível produzir fatores antivirais também neste órgão, tornando mais forte a resposta imune. Uma das apostas é de que isso possa, ainda, impedir a infecção por zika e chicungunha.

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Especialistas não descartam novo surto de dengue e zika com a chegada do verão

Eles também alertaram para novas doenças que também podem ser transmitidas pelo mosquito


Rio - A falta de saneamento básico e de infraestrutura urbana foram mais uma vez apontadas entre as causas da proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, do chikungunya e zika – relacionada a danos neurológicos irreparáveis. Com a chegada das chuvas e do verão, especialistas reunidos no Rio de Janeiro reafirmaram que novos surtos não estão descartados e alertaram para novas doenças que também podem ser transmitidas pelo mosquito.

O epidemiologista Mauricio Barreto, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia, que estuda a zika e outras doenças relacionadas à pobreza, destacou que o problema começou a se desenhar há cinco anos, quando a dengue atingiu picos de infecção.

“A dengue já era, em 2011, um claro insucesso, reflexo de nossa falta de capacidade de resolver problemas estruturais, de saneamento etc. Daí se desdobra, dois anos depois, na chikungunya e na zika e pode se desdobrar em outras, porque o Aedes aegypti pode transportar outros vírus”, disse o especialista durante o simpósio The Zika menace in Americas: challenges and perspectives. Barreto citou o vírus West Nile, que hoje circula nos Estados Unidos mas que, um dia, pode vir para o Brasil.

Verão
Com a chegada do verão e o aumento da infestação de mosquitos, o vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rodrigo Stabeli, que coordena uma rede de 300 pesquisadores do país também está preocupado com a incidência das doenças ligadas ao Aedes aegypti. Segundo ele, apesar dos esforços científicos e que relacionaram a microcefalia à zika, não é possível saber se quem já teve a doença uma vez ficou imune.

“A gente viu um arrefecimento da doença por causa da condição do vetor, mas, agora, chegando chuvas, temperaturas mais altas, estamos alertando, a todo momento, que lidaremos com a alta do vetor e podemos ter os mesmos casos acontecendo”, disse Stabeli sobre a crise da zika em 2015, que levou o país a decretar situação de emergência por causa da microcefalia.

No simpósio, ao apresentar a situação epidemiológica no Brasil, onde a zika já chegou a quase todos os estados, o epidemiologista Maurício Barreto cobrou também mais recursos internacionais para a pesquisa e flexibilidade de órgãos reguladores para destravar os estudos.

“Muitos laboratórios precisam importar e exportar material, como amostra. É comum que uma parte das pesquisas seja feita fora do país e o pesquisador precise mandar sua amostra para Alemanha ou trazer material [desse país]. Esse processo de ida e vinda às vezes leva meses e acontece no caminho de o material se deteriorar, não prestar ou estar envelhecido”, criticou.

Pesquisas brasileiras
Do ponto de vista positivo, Stabeli destacou a organização dos cientistas brasileiros que investiram esforços pessoais contra a zika e chegaram a importantes resultados. “A partir de uma força mútua, com motivação pessoal, conseguiram publicar trabalhos-chave que mostraram as relações da zika congênita não só com a microcefalia, mas com as demais doenças do sistema nervoso central que acometem na gestação e a Guillain-Barré”, citou.

Para o futuro, o pesquisador espera colocar em uso o kit de teste rápido elaborado pela Fiocruz e recentemente aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para identificar a zika de forma mais rápida.

O seminário no Rio, que faz um balanço dos avanços científicos e lança desafios para controlar a doença vai até quinta-feira, na Academia Nacional de Medicina.

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Brasil registra aumento de 62% nos casos de dengue em menos de um mês

O Sudeste segue como a região com maior número de registros


O Brasil registrou um aumento de 62% no número de casos de dengue em menos de um mês. Até o dia 2 de abril, foram contabilizados no país 802.429 casos da doença, enquanto em 5 de março a marca era de 495.266 infecções.

O Sudeste segue como a região com maior número de registros, 463.807 - o equivalente a 57,8% da marca nacional. O número também é expressivamente maior do que o indicado no boletim anterior, quando eram contabilizados 280.118 casos. Em seguida, vem o Nordeste, 158.235 casos, 71% mais do que no informe de março. No Centro-Oeste, foram 94.672 notificações, um aumento de 50,7% em relação ao mês de março. No Sul, o aumento foi de 55%. Com isso, a região atinge agora a marca de 57.282 casos. No Norte, o aumento foi pouco expressivo, quando comparado com o restante do país: 3,5%.O número de óbitos por dengue também apresentou um aumento bastante expressivo. Até dia 2 de abril, o país identificou 140 mortes por dengue, mais do dobro do que havia sido contabilizado no mês de março, quando 67 casos fatais foram informados.

Como o jornal O Estado de S. Paulo revelou na edição de hoje, o Brasil registrou ainda um aumento significativo de registros de casos de chikungunya. No país, a marca chegou a 39.017 casos, cinco vezes mais do que o identificado no mesmo período do ano passado e quase três vezes a marca do boletim de março, quando havia, 13.676 registros. O número de mortes confirmadas também aumentou de forma expressiva, de 2 para 15 em menos de um mês.

fonte:epocanegocios.globo.com
imagem:jaimebruning.com.br
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terça-feira, 12 de abril de 2016

O que é o Zika vírus?

Causador de uma doença conhecida como febre Kiza, o Zika vírus é uma espécie de vírus pertencente à família Flaviviridae e ao gênero Flavivirus. O Zika vírus é da mesma família dos vírus que provocam a dengue e a febre amarela, tendo sido identificado pela primeira vez no Brasil recentemente, no estado da Bahia, provavelmente trazido por turistas que frequentaram a Copa do Mundo no país, em 2014.


O Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre chikungunya, é também um dos principais meios de transmissão do Zika vírus. Descoberto em 1947 por cientistas quando de uma pesquisa com macacos rhesus das florestas da Uganda, na África, o contágio em humanos ocorreu somente em 1968 na Nigéria. Foi, no entanto, em 2007, que os primeiros casos de febre Zika foram identificados fora da África e da Ásia, sendo que, no Brasil, o vírus chegou provavelmente da América Central.

Até agora a febre Zika tem se demonstrado relativamente suave e de tratamento efetivo, entretanto, não se sabe ainda o verdadeiro potencial do vírus, já que é praticamente uma doença desconhecida por aqui. Diante dos sintomas da condição, recomenda-se procurar imediatamente por ajuda médica, tanto para o tratamento como para a prevenção de transmissão.

Como se dá a transmissão?
A febre zika, provocada pelo Zika vírus, é provocada quando da picada de um mosquito infetado com o vírus. A transmissão é, portanto, vetorial, através da picada de mosquitos pertencentes ao gênero Aedes. O mosquito transmissor da dengue pode transmitir também a febre zika, por isso, mais do que nunca, é preciso um combate efetivo à multiplicação destes mosquitos.

Recentemente comprovou-se que o Zika vírus pode também ser transmitido sexualmente entre seres humanos. O tempo entre a picada e os primeiros sintomas dura, em média, 10 dias, sendo de extrema importância procurar por ajuda diante dos primeiros sintomas.zika virus nos olhos vermelhos


Sintomas da febre Zika
A febre Zika é uma doença infecciosa causada pelo Zika vírus presente em mosquitos do gênero Aedes. O tempo entre a picada e o surgimento dos sintomas tende a demorar 10 dias, sendo que, os sinais são bastante parecidos com os da dengue, no entanto, mais brandos.

Os sintomas da febre Zika duram, em média, de 4 a 7 dias e envolvem dores de cabeça, pintinhas vermelhas na face e no tronco, conjuntivite e artralgia, ou seja, dores nas articulações. Geralmente, os primeiros sintomas são de uma leve dor de cabeça acompanhada de febre, machas vermelhas e dor nas costas. Passados 2 ou 3 dias, a febre desaparece, assim como as erupções cutâneas. Não existe ainda vacina ou qualquer droga preventiva com relação à febre Zika, no entanto, até agora ela tem se demonstrado bastante amena.

Sintomas zika virus

Diagnóstico
Os sintomas da febre Zika são bastante similares aos sintomas da dengue. Diante dos primeiros sinais é altamente indicado procurar por um médico, de forma a avaliar o que vem causando os sintomas e de dar início a um tratamento. Além disto, é preciso que medidas preventivas sejam tomadas, com o intuito de evitar novas transmissões.

O diagnóstico da condição é basicamente clínico e por meio de sorologia, através da identificação de anticorpos. É preciso fazer um diagnóstico diferencial da dengue devido às similaridades dos sintomas, de forma a tomar as providências mais cabíveis para cada caso.

Tratamento
Atualmente, o tratamento da febre Zika tem se baseado somente na amenização dos sintomas, sendo que os incômodos deixam de existir espontaneamente na grande maioria das vezes em até, no máximo, 1 semana do contato com o vírus.

Para que as dores sejam amenizadas, assim como a febre e as erupções cutâneas, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos costumam ser receitados. Importante destacar que, diante dos primeiros sintomas, é imprescindível buscar por ajuda médica e não realizar automedicação, pois o uso incorreto de certos fármacos pode piorar a condição e até mesmo colocar a vida em risco.

Prevenção
O Zika vírus é transmitido para seres humanos através da picada do mosquito contaminado. O mosquito da dengue é o transmissor da condição e, evitar a sua proliferação, é o meio mais eficaz de prevenir novos casos da doença.

A prevenção pode ser feita evitando deixar água parada em locais que possam ser propícios para a multiplicação dos mosquitos como latas, copos plásticos, pneus, vasos de plantas, garrafas ou caixa d’água, por exemplo. Portanto, é de extrema importância não deixa a água da chuva acumular nestes locais. Além disto, lixos devem ficar bem tampados e o uso de repelente faz-se ótima medida preventiva. Instalar redes de proteção nas portas e janelas da residência também pode ajudar a prevenir a presença do mosquito transmissor. Diante dos primeiros sintomas não deixe de procurar ajuda médica e fique atento ao seu entorno, de forma a evitar a multiplicação do mosquito causador da dengue e da febre Zika.

fonte:saudemedicina.com
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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Finalmente, temos a primeira vacina contra a dengue do mundo, nas Filipinas


A dengue infecta 390 milhões de pessoas a cada ano, matando cerca de 25.000, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Só no Brasil, em 2015, batemos recordes de infecções, com mais de 1,6 milhões de casos prováveis.

Logo, fica claro que alguma coisa precisa ser feita para combater essa doença perigosa. E finalmente temos uma poderosa arma a nossa disposição, para ajudar nessa batalha.

As Filipinas começaram a administrar a primeira vacina contra a dengue do mundo, para crianças de alto risco.

Imunização
A vacina levou 20 anos e US$ 1,8 bilhões (cerca R$ 6,5 bi) para ser desenvolvida. O Departamento de Saúde das Filipinas lançou um programa de imunização nas escolas em áreas altamente afetadas, tornando-se o primeiro país em que a vacina está disponível comercialmente.

Cerca de 70% dos casos de dengue ocorrem na Ásia, sendo que as Filipinas somaram 200.000 casos em 2013.

Os fabricantes da vacina dizem estar confiantes de que ela pode reduzir os casos no país em 24% nos próximos cinco anos, segundo informações do portal CNN.

Caso se torne um sucesso por lá, pode ser que a vacina se espalhe rapidamente pelo globo. Sabemos muito bem que o Brasil precisa ainda mais de uma solução como essa. [CNN, G1]

fonte:hypescience.com
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quinta-feira, 10 de março de 2016

Casos suspeitos de dengue sobem para 21.948 no estado do Rio de Janeiro

Boletim Epidemiológico de Dengue divulgado nesta quarta-feira (9) pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde revela que os casos suspeitos de dengue no estado do Rio de Janeiro, notificados entre 1º de janeiro e esta terça-feira (8), somaram 21.948. Entre 1º de janeiro e 1º de março eram 17.310 suspeitas. No período, apenas uma morte foi confirmada por dengue na cidade de Volta Redonda, no centro-sul fluminense.

Segundo informou a assessoria de imprensa da secretaria, as notificações foram feitas com base em dados inseridos no sistema pelos municípios do estado até as 16h do dia 8 de março. No mesmo período de 2015, foram registrados 8.137 casos suspeitos de dengue.

Em todo o ano passado, a secretaria contabilizou 71.791 casos suspeitos, com 23 óbitos, sendo oito em Resende, quatro em Campos dos Goytacazes, dois em Paraty, dois em Porto Real e um em Barra Mansa, Itatiaia, Miracema, Piraí, Quatis, Volta Redonda e Rio de Janeiro.

A Secretaria de Saúde lembrou que a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que transmite também o vírus Zika e a chikungunya. Conforme a secretaria, a melhor forma de prevenção contra a doença é diminuir ao máximo o número de focos. A campanha 10 Minutos Salvam Vidas, lançada pela secretaria, objetiva incentivar a população a dedicar dez minutos por semana para eliminar possíveis focos do mosquito nas residências.

Outro cuidado considerado essencial pelo órgão é a proteção de gestantes, com o uso de repelentes, entre outras providências.

A secretaria capacitou profissionais de saúde de hospitais federais, estaduais, particulares e de unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de todo o estado, com o objetivo de padronizar e facilitar o atendimento a pacientes com a doença e reduzir a incidência de complicações ou mortes causadas pela dengue.

Foram treinados ainda profissionais de saúde das Forças Armadas, Corpo de Bombeiros e polícia. Os médicos contam com um Prontuário Eletrônico implementado pela secretaria para auxiliar no atendimento a pacientes com dengue. De acordo com a secretaria, o programa avalia os sintomas e indica qual o melhor tratamento a ser seguido, além de apontar a necessidade de internação.

fonte:jb.com.br
Imagem:jaimebruning.com.br
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OMS alerta que vacina contra vírus Zika pode chegar tarde demais

O diretor do Instituto Butantan, professor Jorge Kalil, e a diretora-geral-adjunta da Organização Mundial da Saúde, Marie-Paule Kieny, participam de encontro para discutir o surto de vírus Zika, na sede da OMS, em GenebraImagem Martial Trezzini/Agência Lusa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje (9) que uma vacina contra o vírus Zika pode chegar "tarde demais" para ter um impacto real na atual epidemia na América Latina.

"O desenvolvimento das vacinas ainda está em um estágio muito precoce e as opções mais avançadas ainda vão demorar vários meses para serem testadas em humanos", disse a diretora-geral-adjunta da OMS, Marie-Paule Kieny, acrescentando que "é possível que as vacinas cheguem tarde demais para o atual surto na América Latina".

Em declarações, dadas ao fim de uma reunião de dois dias sobre a pesquisa relacionada ao vírus, a especialista disse que a vacina é um "imperativo", especialmente para mulheres grávidas e para mulheres em idade fértil.

No entanto, o diretor do instituto de pesquisa brasileiro Butantan, Jorge Kalil, disse que o processo será lento: "Talvez dentro de três anos tenhamos uma vacina. Três anos, sendo otimista".

Na reunião, que juntou especialistas e representantes dos países afetados, os cientistas definiram como prioridades o desenvolvimento de testes de diagnóstico, a produção de vacinas para mulheres em idade fértil e a criação de instrumentos de controle vetorial que permitam reduzir a população de mosquitos.

"O vírus Zika leva a uma infecção moderada e quase inofensiva na maioria dos pacientes”, recordou Marie-Paule Kieny, explicando que, por esse motivo, a produção de medicamentos para tratar a infecção "e menos prioritária nesta fase".

"A necessidade mais premente é o desenvolvimento de instrumentos de diagnóstico e prevenção para preencher a atual lacuna na investigação e para proteger as mulheres grávidas e os seus bebês", afirmou.

Pesquisa
De acordo com a OMS, 67 empresas e instituições estão atualmente empenhadas em produzir testes, vacinas, medicamentos e produtos para controlar o mosquito Aedes aegypti, que transmite o vírus Zika.

São 31 equipes trabalhando em testes de diagnóstico, 18 focadas no desenvolvimento de vacinas, oito para tratar da doença e 10 no controle do mosquito transmissor, que se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento. Até o momento, nenhuma vacina ou medicamento foi testada em humanos.

Segundo a OMS, a comunidade científica "respondeu prontamente" à necessidade de produtos médicos relacionados à infecção por Zika e de medidas inovadoras de controle vetorial.

Em comunicado, a OMS destacou também que a rapidez com que a informação está sendo divulgada entre os países é "um grande avanço em relação à resposta da comunidade científica ao surto de Ébola" que atingiu países da África em 2014 e 2015.

“Embora o desenvolvimento de produtos esteja em fase mais inicial do que o do Ébola", disse Marie-Paule Kieny, a metodologia e a coordenação entre parceiros "está muito mais avançada, graças às lições aprendidas durante a epidemia de Ébola".

Edição: Juliana Andrade
fonte:agenciabrasil.ebc.com.br
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terça-feira, 8 de março de 2016

Taxa de transmissão da dengue por transfusão é de 37,5%, aponta estudo

Um estudo publicado este mês no The Journal of Infectious Diseases mostrou que, durante uma grande epidemia de dengue, em média, 0,51% das pessoas que compareceram a hemocentros para doar sangue estavam infectadas com o vírus causador da doença (DENV), embora não apresentassem sintomas durante o procedimento.

A pesquisa revelou ainda que 37,5% dos pacientes que receberam as bolsas de sangue contaminadas e eram suscetíveis ao vírus (não tinham sido previamente infectados) contraíram dengue, mas não foi registrado nenhum caso severo da enfermidade.

Na verdade, quando comparamos os pacientes que se infectaram durante a transfusão com aqueles que não receberam sangue contaminado (grupo controle), não vimos diferença significativa em relação à mortalidade ou mesmo à gravidade de sintomas como febre, mal-estar, sangramento ou plaquetopenia [diminuição no número de plaquetas no sangue]. São sintomas comuns tanto em portadores de dengue quanto em pacientes transfusionados de maneira geral”, contou Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo.

A pesquisa foi feita com apoio da FAPESP nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de Recife (PE) durante a epidemia de dengue de 2012. O grupo pretende em breve iniciar um estudo semelhante para os vírus causadores de Zika e febre chikungunya.

Entre os meses de fevereiro e junho de 2012 – época em que ocorreu uma grande circulação do sorotipo 4 do DENV – todos os doadores do Hemorio e do Hemope foram convidados a participar do estudo e a doar uma amostra extra de sangue para análise em busca do RNA viral. Ao todo, foram coletadas amostras de 39.134 doadores. O resultado deu positivo em 0,51% dos casos.

Em Recife, houve semanas em que até 2% dos doadores estavam infectados com o vírus”, contou Sabino.

As bolsas de sangue contaminadas com o DENV-4 foram transfundidas em 22 receptores. Desses, apenas 16 eram suscetíveis à doença, pois não tinham marcadores de infecção recente por DENV-4. Ao final, seis pessoas foram efetivamente infectadas, resultando em uma taxa de transmissão transfusional de 37,5%.

Amostras sanguíneas dos receptores também haviam sido coletadas antes da transfusão para confirmar se o vírus foi adquirido durante o procedimento. Os receptores foram acompanhados nos 30 dias seguintes à transfusão para observação dos sintomas.

Este estudo mostrou que, durante grandes epidemias de dengue, ocorrem muitos casos de transmissão transfusional. Por que ninguém notava isso? Possivelmente porque o impacto clínico não é importante”, avaliou Sabino.

No entanto, a pesquisadora ponderou que o número final de pacientes contaminados no estudo foi pequeno e, portanto, não permite descartar a possibilidade de surgirem casos graves ao avaliar uma população maior.

Segundo dados do artigo, os primeiros casos de transmissão transfusional de dengue foram registrados em 2002, em três receptores de Hong Kong, na China. Em 2008, outros dois casos foram reportados em Cingapura. Mas, até o momento, apenas em Porto Rico foi identificado um caso que resultou em febre hemorrágica da dengue (FHD).

Estudo pioneiro
Realizado em parceria com Brian Custer e Michael Busch, ambos do Blood Systems Research Institute (BSRI), dos Estados Unidos, o estudo também contou com financiamento dos National Institutes of Health (NIH). Trata-se do maior levantamento sobre transmissão transfusional de dengue já feito no mundo e foi o primeiro a estimar a taxa de transmissibilidade (37,5%) nesses casos.

Por esse motivo, mereceu destaque no editorial da revista, em um texto escrito por José Eduardo Levi, chefe do Departamento de Biologia Molecular da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo.

A transmissão ocorreu independentemente da carga viral (do doador) e, interessantemente, todos os três componentes usualmente obtidos de sangue doado (plasma, hemácias e plaquetas) foram capazes de transmitir o DENV-4”, comentou Levi.

O editorialista afirmou ainda ser intrigante o fato de um pequeno volume de vírus injetado pela saliva do mosquito na pele humana ser muito mais danoso que 200 a 300 mililitros de vírus presentes em uma bolsa de sangue de um doador infectado.

Isso sugere que a quantidade de vírus é menos importante do que a forma com que o patógeno é apresentado ao sistema imunológico. Tem sido mostrado que a estrutura da partícula viral se modifica de acordo com a temperatura corporal, que é diferente em mosquitos e em humanos. Além disso, a saliva do mosquito, que é o veículo pelo qual as partículas virais são injetadas na pele, tem importantes propriedades imunomoduladoras e antigênicas, que não estão presentes na transmissão transfusional”, explicou Levi.

O pesquisador acrescentou ainda que a replicação inicial do vírus nas células da epiderme (queratinócitos e células de Langerhans) poderia oferecer acesso ao tecido linfoide e à medula óssea – locais onde ocorre replicação viral intensa.

Medidas de prevenção
No Brasil, atualmente, a rotina dos bancos de sangue inclui testes para detecção de Aids (vírus HIV), hepatite C (vírus HCV), hepatite B (vírus VHB), vírus T-linfotrópico humano (HTLV), sífilis (bactéria Treponema pallidum) e doença de Chagas (protozoário Trypanosoma cruzi).

Segundo Sabino, arbovírus como os causadores de dengue, Zika, chikungunya, atualmente, só são possíveis de serem detectados por testes moleculares do tipo PCR – mais caros do que testes sorológicos, que buscam anticorpos. Para a pesquisadora, ainda não há evidências consistentes de que seja necessário triar os doadores de sangue para a presença do DENV.

No editorial, Levi afirmou que, quando investigados mais profundamente, os casos de transmissão transfusional podem causar doença sintomática e medidas de prevenção efetiva devem ser adotadas pelo menos no caso de uma parcela de doadores mais vulneráveis.

Os pesquisadores ainda comentaram a possibilidade de adotar, no futuro, técnicas de inativação viral para tratar todo o sangue doado para fins de transfusão.

Com a popularização dos métodos de sequenciamento, tem sido mostrado que os seres humanos abrigam um verdadeiro viroma em seu organismo. Nosso plasma carrega inúmeros vírus diferentes – alguns não causam doença e alguns ainda não sabemos o que podem causar. As técnicas de inativação viral hoje disponíveis só podem ser usadas em plasma e plaquetas – não servem para hemácias. Além disso, elevam consideravelmente o custo do procedimento”, comentou Sabino.

fonte:agencia.fapesp.br
por Karina Toledo - Agência FAPESP
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