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domingo, 3 de junho de 2018

Risco de transmissão de dengue é medido com base no número de fêmeas do Aedes

Índice desenvolvido por pesquisadores da Famerp e da USP também está sendo testado para medir risco de Zika e chikungunya (foto: Muhammad Mahdi Karim / Wikipedia)

Um novo índice que permite medir o risco de transmissão de dengue em uma cidade ou região com base no nível de infestação por fêmeas adultas do mosquito Aedes aegypti foi descrito por pesquisadores brasileiros na revista Acta Tropica.

A metodologia foi desenvolvida por Maisa Carla Pereira Parra e colaboradores, sob a supervisão de Maurício Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), e Francisco Chiaravalloti-Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

O estudo faz parte do Projeto Temático “Epidemiological study of dengue (serotypes1-4) in a cohort of São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil, during 2014-2018”, apoiado pela FAPESP.

Na avaliação dos pesquisadores, o novo método seria mais prático e confiável do que o chamado Índice de Breteau – valor numérico que corresponde à razão entre o número de larvas de Aedes encontrado e a quantidade total de residências inspecionadas por agentes de saúde. Esse é o sistema atualmente usado pela vigilância epidemiológica para determinar o nível de infestação pelo mosquito transmissor da dengue.

“O Índice de Breteau calculado em São José do Rio Preto no início de 2018 foi o maior de todos os tempos. Foi superior inclusive ao índice de 2013, quando a região passou pela pior epidemia de dengue de sua história, com 18 mil casos. No entanto, em 2018 foram notificados apenas 44 casos da doença até o momento. Ou seja, pelo menos em nossa região, o Índice de Breteau não guarda mais relação com a prevenção da dengue”, disse Nogueira.

A explicação para tamanha disparidade, na avaliação do pesquisador, pode estar relacionada com a imunidade adquirida por parte da população durante as epidemias recentes.

“O problema do Índice de Breteau é que ele é uma medida da quantidade de larvas do mosquito, fase em que esse inseto vive na água. Mas o que realmente interessa é a fase adulta. Somente as fêmeas adultas transmitem o vírus após o acasalamento, quando buscam sangue humano para produzir e botar ovos”, explicou Chiaravalloti-Neto.

Foi a partir dessa constatação que surgiu a ideia de desenvolver um novo índice que levasse em conta apenas o número de fêmeas adultas. “Achávamos que seria mais fidedigno e mais fácil de calcular. A lógica por trás é que, quanto maior a quantidade de fêmeas adultas no ambiente, maior será a quantidade de pessoas infectadas”, disse Nogueira.

Metodologia
No caso do Índice de Breteau, agentes de saúde precisam visitar todas as casas da região que se quer aferir, verificar todos os reservatórios em busca de larvas de mosquito e somar o total encontrado. O trabalho tem que ser repetido com regularidade, mobilizando uma grande força de trabalho a um custo elevado.

Já para calcular o novo índice foram espalhadas em São José do Rio Preto 56 armadilhas especiais, que liberam no ambiente um odor semelhante ao da pele humana – capaz de atrair as fêmeas de mosquito sedentas por sangue. Ao entrar no dispositivo, ficam aprisionadas e morrem.

“As armadilhas eram posicionadas com um espaçamento de 200 a 400 metros, que é a metade do raio de voo do mosquito. Recolhíamos no dia seguinte para a contagem das fêmeas adultas”, contou Nogueira.

O experimento foi feito duas vezes por semana, permitindo reunir dados de até 62 residências por semana, ao longo de um ano – entre a 36ª semana de 2012 e a 19ª semana de 2013.

“Ao final do trabalho de campo, reunimos dados de mais de 1,5 mil armadilhas. Além de coletar as fêmeas, também verificamos via análise molecular quais eram positivas ou negativas para dengue", contou Chiaravalloti-Neto.

Com base no número de fêmeas adultas capturadas por armadilha foi calculado um índice entomológico, que corresponde ao número de fêmeas de Aedes aegypti por 100 residências (aquelas vizinhas ao local da armadilha) ao longo de uma semana.

"A quantidade de fêmeas coletadas em uma única armadilha em uma residência pode ser pequena, mas serve de amostragem para calcularmos o tamanho da infestação na vizinhança", disse Chiaravalloti-Neto.

Desse modo, o grupo construiu um mapa da região de São José do Rio Preto, com índices da quantidade de fêmeas adultas por bairro durante as 52 semanas do ano. Ao todo, as armadilhas capturaram 1.333 mosquitos do gênero Aedes (536 machos e 797 fêmeas) e 4.691 do gênero Culex (3.325 machos e 1.366 fêmeas) – somando 6.024 insetos.

Os espécimes de Aedes foram agrupados em 893 tubos e testados para a presença do vírus da dengue. O sorotipo 4 do patógeno (DENV-4) foi encontrado em 25 mosquitos (ou 2,8% dos tubos), dos quais 19 eram fêmeas e seis machos.

“Criamos bancos de dados com informações sobre a armadilha e sobre os casos de dengue: endereço, data de instalação, data de coleta, número de espécimes, espécies de mosquitos e resultado da análise molecular. O banco de dados de casos de dengue incluiu os endereços das notificações de dengue, a data de início dos sintomas, tipo e resultados de análises laboratoriais”, explicou Nogueira.

Por fim, o resultado do índice entomológico foi confrontado com os dados da vigilância epidemiológica para casos de dengue na cidade entre a 36a semana de 2012 e a 19a semana de 2013.

“Ao obter todos os casos notificados, fizemos uma modelagem para verificar se haveria uma relação entre o número de casos e a quantidade maior ou menor de fêmeas", disse Chiaravalloti-Neto.

Mais de 2,5 mil casos suspeitos de dengue foram relatados na área de estudo. Destes, 1.137 casos foram registrados como confirmados. Houve 820 casos que testaram positivo para DENV (72,1%) e 317 que combinaram com critérios epidemiológicos clínicos (27,9%). Como controle, foram usados 1.450 casos que testaram negativo para DENV.

Segundo Chiaravalloti-Neto, o resultado da modelagem não poderia ter sido melhor. “Quando aumentou o número de fêmeas, observou-se um correspondente aumento no risco de incidência de dengue”, contou.

“Nosso índice entomológico correlaciona-se positivamente com a incidência de dengue, particularmente durante os intervalos em que as medidas de controle de vetores foram aplicadas de forma menos intensiva”, disse Nogueira.

Os pesquisadores estão agora repetindo o experimento em uma outra vizinhança com o objetivo de validar os resultados do primeiro trabalho e mostrar que, de fato, o novo método é uma alternativa confiável ao Índice de Breteau.

“O estudo atual é mais amplo que o primeiro. Além de dengue, estamos testando o novo método para medir o risco de transmissão de Zika e chikungunya. Mas os resultados ainda devem demorar”, disse Nogueira.

O artigo Using adult Aedes aegypti females to predict areas at risk for dengue transmission: A spatial case-control study, de Maisa Carla Pereira Parra, Eliane Aparecida Fávaro, Margareth Regina Dibo, Adriano Mondini, Álvaro Eduardo Eiras, Erna Geessien Kroon, Mauro Martins Teixeira, Mauricio Lacerda Nogueira e Francisco Chiaravalloti-Neto, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001706X17312020?via%3Dihub.

por Peter Moon - Agência FAPESP
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Como proteger sua casa do mosquito da dengue enquanto você estiver viajando

Na água parada, a fêmea deposita seus ovos, que demoram entre cinco e 10 dias para se tornarem mosquitos adultos. Veja como deixar a casa segura desse problema nas férias.

O mosquito Aedes aegypti, popularmente conhecido como mosquito da dengue, é responsável pela transmissão não só dessa doença, mas também da febre amarela e de outros dois problemas de saúde que têm afetado milhares de pessoas no Brasil: a febre chikungunya e a zika. Todas essas enfermidades podem afetar qualquer indivíduo, independente da idade ou sexo. Por isso, para evitar que essas doenças atormentem sua família, busque tomar atitudes preventivas contra o mosquito.

E quando as férias chegam, o que fazer? Antes de viajar e deixar a casa sozinha, é preciso tomar algumas atitudes para evitar o desenvolvimento do mosquito. Afinal, as doenças transmitidas pelo o Aedes são sérias, principalmente quando atingem crianças, idosos ou grávidas.

Como o mosquito se desenvolve?
Água parada é o foco do Aedes aegypti. Nela, a fêmea deposita seus ovos, que demoram entre cinco e 10 dias para se tornarem mosquitos adultos prontos para picarem e transmitirem doenças. Portanto, é bem provável que, se você não tomar as medidas cabíveis antes de viajar, ao retornar para casa, existam vários insetos com a capacidade de infectar a todos.

Foto: Pixabay

Medidas preventivas
Atenção para os recipientes de bebidas
É preciso ter bastante cuidado ao decidir o fim destes recipientes. O ideal é levá-los diretamente para reciclagem, mas, caso isso não seja possível, ao menos esvazie as garrafas e guarde-as de cabeça para baixo, de preferência em um local coberto.

Cuidados com o destino das embalagens
Uma regra básica pode facilitar a vida das pessoas e ainda evitar o desenvolvimento do mosquito da dengue, isto é, jogar o lixo no lixo. As embalagens de produtos ou de presentes, se descartadas de forma inadequada, podem ser potenciais focos do Aedes. Por exemplo, uma sacola que é arremessada no quintal, pode acumular água de chuva e ser um local ideal para o mosquito depositar seus ovos. Portanto, o que for lixo coloque na lixeira, já o que der para reutilizar, armazene em um local apropriado.

Responsabilidade com o lixo
Antes de colocar o pé na estrada e ter seus merecidos dias de folga e lazer, é necessário atenção com o lixo armazenado na lixeira. Isso porque, assim como a água parada pode ser um foco para o mosquito, o lixo também é. Sendo assim, é preciso recolher todo o lixo e descartar no local de coleta. Os materiais destinados à reciclagem devem ser higienizados, secados com cuidado e armazenados em um lugar apropriado.

Zelar pelos ambientes do quintal
Esse cuidado envolve caixas d’água, bacias e baldes, que, quando cheios, precisam estar devidamente tampados. Além disso, calhas também necessitam de atenção, pois precisam estar limpas. Pratinhos de planta não devem acumular água e outros recipientes precisam ser armazenados em um local seco e coberto. E para garantir que sua casa esteja livre dos mosquitos, faça uma faxina completa. Para isso, limpe as laterais de todos os recipientes de água, tendo em vista que os ovos do Aedes grudam nesses locais, mesmo sem água, e quando entram em contato com esse elemento podem se desenvolver.

por Katharyne Bezerra
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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

País tem ao menos 357 cidades sob risco de novo surto ligado ao Aedes

© iStock Outros 1.139 municípios estão em situação de alerta para novos surtos

Levantamento do Ministério da Saúde aponta que ao menos 357 municípios brasileiros estão em situação de maior risco de novo surto de dengue, zika e chikungunya. Isso indica que mais de 4% dos imóveis visitados nestas cidades tinham larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite essas três doenças.

Outros 1.139 municípios estão em situação de alerta para novos surtos, o que ocorre quando esse índica fica entre 1% e 3,9%.

Os dados, que trazem um panorama dos riscos para o próximo verão, momento em que o clima fica ainda mais propício à infestação de Aedes, são do último LirAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti).

Ao todo, 3.946 municípios participaram do levantamento -um aumento de 73% em relação à análise feita no mesmo período do ano anterior, quando 2.282 municípios enviaram informações.

O crescimento ocorre após o governo determinar o bloqueio do envio de recursos federais de vigilância aos municípios que não enviarem tais dados. As vistorias foram realizadas entre outubro e a primeira quinzena deste mês.

Somados, os dados de risco e alerta indicam que cerca de quatro em cada dez cidades avaliadas apresentam maiores chances de desenvolver surtos de dengue, zika e chikungunya -o equivalente a 38%.

O percentual é semelhante ao encontrado em balanço realizado no mesmo período do ano anterior, quando 855 das 2.282 cidades estavam com quadro de risco ou alerta.

Entre as cidades nessa classificação neste ano, estão nove capitais: Maceió, Manaus, Salvador, Vitória, Recife, Natal, Porto Velho, Aracaju e São Luís.

Outros 2.450 municípios apresentaram situação satisfatória, ou seja, tinham menos de 1% dos imóveis analisados com focos de Aedes.

DADOS POR REGIÃO
De acordo com o levantamento, o Nordeste é a região com maior número de cidades analisadas em situação de risco ou alerta: 18,8% estavam nesse primeiro grupo na e 41% no segundo.

Em seguida, está o Norte, com 9,3% em situação de risco 40,4% em alerta.

Já o Sudeste tem cerca de 20% dos municípios analisados nessas duas categorias, percentual semelhante ao do Centro-Oeste e Sul.

Doenças transmitidas pelo Aedes aegypti
Diante dos dados, o Ministério da Saúde lançou uma nova campanha para incentivar a população a combater focos do mosquito. Já o dia de mobilização nacional contra o Aedes aegypti está marcado para 8 de dezembro.

"Estamos muito preocupados. O fato de ter diminuído a intensidade do problema [neste ano] provoca descuido das pessoas", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Neste ano, o país teve redução no número de casos de dengue, zika e chikungunya, um cenário que pode estar associado tanto à forte epidemia vivida nos últimos anos quanto ao aumento das ações de controle após a declaração de emergência ligada ao zika e à microcefalia.

Dados do último boletim epidemiológico apontam 239 mil casos prováveis de dengue notificados entre janeiro até novembro deste ano, uma redução de 84% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já os casos de chikungunya somaram 184 mil, com queda de apenas 32%. A doença também levou a 149 mortes.

Também foram registrados 16.870 casos prováveis de zika, uma queda de 92% em relação ao ano anterior.

Segundo Barros, a menor redução de casos de chikungunya indica que a doença pode continuar a circular com intensidade. "Mas sabemos que o mosquito é um transmissor universal. Por isso temos que combatê-lo", completa. Com informações da Folhapress.

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Pernilongo pode transmitir o vírus zika, revela novo estudo

Em estudo publicado na Nature, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz encontraram vírus zika na saliva dos pernilongos, o que aumentaria risco de transmissão

Os mosquitos do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca, foram colhidos em Pernambuco já infectados (iStockphoto/Getty Images)

Em um novo estudo, publicado nesta quarta-feira na revista científica Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelaram que o pernilongo comum pode ser um dos transmissores do vírus zika. De acordo com a instituição, os testes feitos em mosquitos infectados, colhidos em Recife, indicam que eles podem, sim, ser vetores do vírus.

Os mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongo ou muriçoca, foram colhidos em Pernambuco já infectados. A partir do sequenciamento do genoma do zika, presente no organismo desses insetos, os pesquisadores do Departamento de Entomologia da Fiocruz perceberam que o vírus é capaz de alcançar a glândula salivar dos mosquitos – o que indicaria a probabilidade de infecção com a picada.

Segundo os pesquisadores, se a espécie não fosse um vetor do vírus, em determinado momento seu desenvolvimento seria bloqueado pelo organismo do mosquito. No entanto, a partir de testes em laboratório e microscopia eletrônica, a equipe de pesquisa comprovou que o vírus zika consegue se replicar nos pernilongos e que a saliva expelida pelos mosquitos coletados continha as partículas virais.

Aedes: principal transmissor
De acordo com Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, faz um tempo que existe essa hipótese sobre a importância do pernilongo na transmissão do vírus. Segundo os dados de notificação e de diagnóstico, os casos de zika têm uma correlação estreita à presença do Aedes aegypti, enquanto o mosquito comum nunca foi considerado um vetor relevante de arboviroses, as doenças transmitidas por insetos.

Para Timerman, o Aedes aegypti – que transmite também a dengue e a chikungunya – continua sendo o principal vetor. “O pernilongo tem um comportamento totalmente diferente do Aedes e é muito menos relevante, quando se diz respeito a arboviroses. É preciso tomar as mesmas precauções de sempre de saneamento e combate dos focos de criação.”

Mapeamento do vírus
O sequenciamento do genoma é uma espécie de mapeamento dos genes no DNA do vírus. Em 2016, em parceria com pesquisadores britânicos, o Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz havia sequenciado o genoma do vírus em amostra humana. Agora, pela primeira vez, esse sequenciamento foi feito a partir do pernilongo.

O próximo passo, segundo a instituição, é analisar o conjunto de características fisiológicas e comportamentais do Culex, em ambiente natural, para entender o papel e a importância da espécie na transmissão do vírus zika.

Por Marina Felix
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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Vacina contra a zika é criada nos EUA com produção em folhas de tabaco

Pesquisadores fizeram testes em camundongos e tiveram uma resposta imune de 100%, de acordo com o artigo.

Qiang 'Shawn' Chen liderou sua equipe de pesquisa para desenvolver a primeira vacina da zika com uma planta como base (Foto: Jason Drees, Biodesign Institute, Arizona State University)

Como uma estratégia para uma produção mais barata, um grupo de pesquisadores conseguiu criar uma vacina contra o vírus da zika que usa como base as folhas de tabaco. Os resultados foram publicados no periódico "Scientific Reports", ligado à revista "Nature", nesta quarta-feira (9).
O cientista Qiang "Shawn" Chen liderou a equipe da Universidade do Estado do Arizona. Em parceria com outros pesquisadores, ele trabalhou na última década em vários projetos para usar plantas como base de vacinas e terapias no combate aos flavivírus, como a febre do Nilo e a dengue.

Qiang "Shawn" Chen e Gary Morris mostram plantas de tabaco usadas para produzir reagentes de detecção e diagnóstico do vírus da febre do Nilo (Foto: The Biodesign Institiute at Arizona State University)

Essa primeira vacina contra a zika com base em tabaco usa uma proteína-chave que "envelopa" o vírus, chamada DIII. Ela tem uma parte que é exclusiva do vírus da zika. A ideia é inserir esta parte em uma vacina que seja aplicada e gere os anticorpos contra a doença.
Para isso, os pesquisadores desenvolveram a proteína DIII em bactérias e depois a inseriram nas folhas de tabaco. Mas por que isso? Com o crescimento das folhas, a extração é maior e mais barata.

Os resultados
Depois de ter material suficiente, eles usaram as plantas e produziram uma vacina. Os testes foram feitos em camundongos, que receberam uma dose e apresentaram uma proteção de 100% contra vários tipos do vírus da zika, de acordo com o artigo.

"Nossa vacina oferece uma segurança aprimorada e reduz potencialmente os custos de produção mais que qualquer outra alternativa atual, com uma eficácia equivalente", disse Chen.

Planta é infectada com vírus para produzir alto rendimento de componentes da proteína da vacina em suas folhas (Foto: Jason Drees, Biodesign Institute, Arizona State University)

O mecanismo utilizado por Chen para a criação de uma vacina que usa como base de produção uma planta é o mesmo criado por outro cientista pioneiro em pesquisas do tipo, Charles Arntzen, também da Universidade do Estado do Arizona.
Arntzen incluiu plantas-base no desenvolvimento do ZMapp, tratamento experimental usado durante o último surto do Ebola. Em 2011, ele já havia desenvolvido uma vacina do mesmo tipo contra a doença que afetou a África, com folhas de tabaco.
Há uma corrida para a fabricação de uma vacina contra o vírus da zika, que já atingiu milhares de pessoas ao redor do mundo e causou mais de 4 mil notificações de malformações em bebês no Brasil. Atualmente, no entanto, não há o registro de uma vacina licenciada disponível para o combate do vírus.

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sábado, 15 de julho de 2017

Problemas que causaram a zika no Brasil persistem, diz pesquisador

Documento elaborado pela Human Rights Watch diz que população está vulnerável a outras epidemias e ameaças sérias à saúde pública.

Vírus da zika causa microcefalia em bebês, entre outras malformações (Foto: AP Photo/Felipe Dana)

Os problemas que permitiram que a epidemia de zika atingisse há dois anos o Brasil persistem, advertiu nesta quinta-feira (13) João Guilherme Bieber, pesquisador da Human Rights Watch (HRW).
"É preciso que hajam investimentos e políticas governamentais que resolvam estes problemas. Não basta considerar que porque a emergência acabou o perigo desapareceu. Ele continua, a qualquer momento pode surgir uma nova epidemia", destacou Bieber, durante a apresentação do relatório "Abandonadas e desprotegidas: O impacto da epidemia de zika em mulheres e jovens no nordeste do Brasil".

Segundo o documento de 103 páginas, não responder aos problemas que contribuíram para a escalada da zika no Brasil "deixa a população vulnerável a futuras epidemias e a ameaças sérias à saúde pública".

Entre 2015 e abril de 2017, o total de 2.753 casos de zika foram registrados no Brasil, e mais de 3 mil estão sendo investigados.

"Descobrimos que o surto do vírus no Brasil impactou desproporcionalmente as mulheres e as meninas e agravou antigos problemas de direitos humanos, incluindo o acesso inadequado à água e ao saneamento, as disparidades raciais e socioeconômicas no acesso à saúde e as restrições aos direitos sexuais e reprodutivos", destaca o relatório.

A Human Rights Watch analisou a questão dos direitos humanos através da lente do surto da zika.
"Nossa pesquisa encontrou lacunas nas respostas das autoridades brasileiras que têm impactos particularmente prejudiciais sobre mulheres e meninas e deixam a população em geral vulnerável a surtos contínuos de doenças graves causadas por mosquitos".

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terça-feira, 11 de julho de 2017

Em estudo, droga para tratar malária protegeu fetos de camundongo contra vírus da zika

Quando grávida é infectada, zika chega até o feto e eleva risco de microcefalia. Cientistas descobriram que ação de hidroxicloroquina inibe passagem de vírus por placenta.

Células da placenta humana (azul) infectadas pelo vírus da zika (verde). Na imagem da esquerda, as células foram protegidas pela droga hidroxicloroquina (contra malária) que inibe a autofagia. Na imagem da direita, células tratadas com droga que estimula a autofagia são infectadas pelo vírus (Foto: Bin Cao/Divulgação)

Desde que se descobriu que o súbito aumento de casos de microcefalia no Brasil - identificado no fim de 2015 - estava relacionado ao vírus da zika, cientistas têm buscado maneiras de proteger o feto da ação desse agente infeccioso. Agora, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington descobriram que a resposta a esse problema de saúde pública pode estar em um remédio que já existe e já está aprovado para o uso em gestantes: a hidroxicloroquina, utilizada contra malária e reumatismo.

Os resultados do estudo foram publicados nesta segunda-feira (10) na revista "The Journal of Experimental Medicine".
A placenta funciona como uma barreira contra agentes tóxicos e infecciosos. Mas quando uma mulher grávida é infectada por zika, o vírus consegue ultrapassar a barreira da placenta e chegar até o feto, provocando danos neurológicos e afetando o desenvolvimento do bebê.
Um dos mecanismos que a placenta usa para servir como barreira é a autofagia, o processo pelo qual a célula "digere" seus próprios componentes com o objetivo de eliminar organelas envelhecidas, micróbios invasores e outros resíduos nocivos.

Driblando a placenta
Para descobrir como o vírus da zika reage ao mecanismo da autofagia, cientistas infectaram células de placenta humana com o vírus e as trataram com uma droga que estimula a realização da autofagia. Para a surpresa dos pesquisadores, a ação da droga fez com que mais células fossem infectadas pelo vírus.

Ou seja, o mecanismo de autofagia, que deveria tornar a placenta uma barreira mais forte para proteger o feto, na verdade favorece a infecção pelo vírus da zika. "Parece que o vírus da zika tira vantagem do processo de autofagia na placenta para promover sua sobrevivência e infecção das células da placenta", diz Bin Cao, um dos autores do estudo.

O grupo de pesquisadores resolveu, então, testar essa teoria em dois grupos de fêmeas de camundongos grávidas: o primeiro apresentava mecanismo de autofagia normal e o segundo tinha um mecanismo de autofagia falho. Os dois grupos foram infectados pelo vírus da zika. Cinco dias depois, o grupo que tinha o mecanismo falho de autofagia apresentou uma quantidade muito menor de vírus na placenta do que o grupo controle.

Inibindo a autofagia
Em seguida, a equipe resolveu testar a droga hidroxicloroquina - que inibe a autofagia - nas fêmeas grávidas infectadas por zika. Desta vez, um grupo recebeu a droga e outro grupo recebeu placebo durante cinco dias após a infecção.

O resultado foi que as roedoras tratadas com a droga apresentaram menos vírus no feto e na placenta. As placentas estavam menos danificadas e os fetos tiveram crescimento normal, diferentemente do que ocorreu nos animais tratados com placebo.

"Pedimos cautela, no entanto sentimos que nosso estudo fornece novos caminhos para intervenções terapêuticas viáveis", diz Indira Mysorekar, autora sênior do estudo e professora de ginecologia e obstetrícia da Escola de Medicina da Universidade de Washington.

Apesar de o uso de hidroxicloroquina ser considerado seguro em gestantes, mais estudos são necessários para indicar se o uso seria seguro para o propósito de proteger os fetos contra zika. Uma possível estratégia para o futuro, segundo os pesquisadores, seria indicar o uso contínuo da droga para mulheres que vivem em áreas intensamente afetadas pelo zika.

Por Mariana Lenharo, G1
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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Novo chip para detectar vírus da dengue é desenvolvido

Sensor identifica presença de moléculas de antígeno em soro sanguíneo, fornecendo rapidamente resultado positivo ou negativo (foto: Cleverton Pirich)

Peter Moon | Agência FAPESP – Estatísticas epidemiológicas de doenças transmitidas por mosquitos impressionam. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em 2016 foram notificados cerca de 1,5 milhão de casos de dengue, 272 mil de febre chikungunya e 215 mil de febre Zika. Em 2015, foram 143 mil casos de malária.

Estratégias de combate a essas epidemias incluem prevenção – por meio do combate às diversas espécies de mosquitos transmissores –, desenvolvimento de vacinas, vigilância epidemiológica com rápido diagnóstico dos doentes e tratamento clínico e ambulatorial.

No quesito da vigilância epidemiológica, grupos em universidades brasileiras pesquisam o desenvolvimento de biossensores de baixo custo para acelerar o diagnóstico. Um exemplo é o imunochip para detecção de doença da dengue que está em desenvolvimento no grupo BioPol dos Departamentos de Química e de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.

“No nosso sensor, a detecção da doença da dengue é indireta. O que se detecta não é o vírus, mas um antígeno característico da infecção. Essa detecção se dá através de anticorpos ancorados no biossensor, que detectam rapidamente a presença do antígeno no soro e, indiretamente, nos dá a resposta de infecção”, disse o doutorando em bioquímica Cleverton Pirich, um dos autores do estudo.

O imunochip é capaz de detectar a presença de moléculas do antígeno (NS1) para a dengue em soro sanguíneo, fornecendo um resultado positivo ou negativo de forma rápida. Resultados do trabalho foram publicados no periódico Biosensors and Bioelectronics.

O sensor é baseado na tecnologia das microbalanças de cristal de quartzo (MCQ). O termo microbalança se refere à capacidade desses dispositivos detectarem quantidades de uma molécula, a exemplo de uma proteína, na ordem de nanogramas (bilionésimos de grama).

Isso é possível devido a uma propriedade eletroquímica chamada efeito piezoelétrico. Piezoeletricidade é a capacidade de alguns cristais gerarem tensão elétrica como resposta a uma pressão mecânica.

Os sensores piezoelétricos são dispositivos que usam o efeito piezoelétrico para medir pressão, aceleração, tensão ou força, convertendo-os em sinal elétrico.

Para validar os resultados e a eficiência do imunochip desenvolvido em Curitiba, Pirich e sua orientadora, a professora Maria Rita Sierakowski, contaram com a colaboração do professor Roberto Manuel Torresi, do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo, quanto ao funcionamento e interpretação de resultados em uma microbalança com dissipação de energia (MCQ-D).

“A microbalança utiliza o efeito piezoelétrico reverso. No caso específico do novo imunochip, um sinal elétrico é aplicado ao cristal e a frequência desse sinal muda quando algumas moléculas de antígeno (NS1) para a dengue presentes em uma amostra se depositam sobre o cristal”, disse Torresi.

No laboratório coordenado pelo professor Torresi há uma das mais sofisticadas e precisas microbalanças de cristal de quartzo em operação no Brasil. O equipamento foi adquirido com apoio da FAPESP.

Assim como o imunochip, a microbalança MCQ-D também baseia sua operação na detecção utilizando efeito piezoelétrico reverso. Só que sua precisão é de outra ordem de grandeza, além de detectar também mudanças reológicas.

“A microbalança do nosso laboratório é muito mais sofisticada que outras existentes no país”, disse Torresi, que também assina o artigo publicado na Biosensors and Bioelectronics e coordena o Projeto Temático “Otimização das propriedades físico-químicas de materiais nanoestruturados e suas aplicações em reconhecimento molecular, catálise e conversão/armazenamento de energia".

A microbalança do IQ (MCQ-D) e as do BioPol (MCQ, adquirida com apoio da Capes, e MCQ-D, com apoio da Finep) confirmaram a presença do antígeno NS1 para a doença da dengue em todas as amostras de soro que foram contaminadas por acréscimo desse antígeno, para as quais o imunochip havia sido produzido contendo o anticorpo NS1, resultando num resultado positivo de detecção.

Aplicações ambientais

“O imunochip foi desenvolvido para detectar moléculas do antígeno da doença da dengue em qualquer material em meio líquido. Mas o princípio pode ser aplicado na detecção de outras doenças, assim como em aplicações ambientais e saúde para detectar moléculas contaminantes presentes em água, alimentos e meio ambiente, por exemplo”, disse Sierakowski.

A base do imunochip é um cristal de quartzo importado, sobre a qual são depositados os demais componentes em finas camadas. A primeira, logo acima do cristal, é de ouro. Imediatamente acima está uma película de um polímero chamado polietilenimina.

Por fim, sobre o polímero é colocado um nanofilme de nanocristais de celulose, oriundo de tratamento químico de resíduos industriais de celulose bacteriana, preparado para reagir quimicamente na presença do antígeno da dengue. A reação química acarreta uma mudança de resposta dos nanocristais, que é refletida pela alteração dos seus padrões de frequência e de dissipação de energia.

É a mensuração precisa da mudança desses padrões de frequência e de dissipação de energia que indicará a presença ou não do antígeno para a doença da dengue e, por consequência, se o paciente de quem aquela amostra foi obtida está ou não infectado pelo vírus da dengue.

O processo pode parecer longo, mas, após o desenvolvimento do biossensor, a resposta é praticamente imediata. Pinga-se a amostra sobre o biossensor e se obtém o resultado com precisão. A presença do antígeno (NS1) para a dengue é determinada a partir de quantidades de 0,03 micrograma por mililitro.

“O mais importante para um paciente no diagnóstico não é saber quantas moléculas de antígeno há na amostra. O que interessa para ele é saber se está ou não infectado e, caso esteja, começar o mais rápido possível o tratamento correto. Visando somente um diagnóstico qualitativo, ou seja, com uma resposta positiva ou negativa, isso abre margem para o desenvolvimento de equipamentos mais simples, baratos e acessíveis que cumpram esse propósito”, disse Pirich.

“Como foi discutido e demonstrado em nosso trabalho, um imunochip desse, se desenvolvido e comercializado, poderá ser uma ferramenta de diagnóstico em tempo real, capaz de fornecer resultados em aproximadamente 15 minutos”, disse.

O artigo Piezoelectric immunochip coated with thin films of bacterial cellulose nanocrystals for dengue detection (doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.bios.2017.01.068), de Cleverton Luiz Pirich, Rilton Alves de Freitas, Roberto Manuel Torresi, Guilherme Fadel Picheth e Maria Rita Sierakowski, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0956566317300684.

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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Programa prevê risco de epidemia de zika em tempo real

Um programa de computador desenvolvido nos EUA consegue prever, em tempo real, o risco de epidemia de zika no estado do Texas

Zika: emergência mundial (VEJA.com/VEJA/VEJA)

A ideia de prever o risco de uma epidemia em tempo real, em determinada região, parece ficção científica para você? Pois saiba que isso já é uma realidade, pelo menos no que diz respeito ao zika, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Um programa de computador desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin é capaz de calcular a probabilidade de que a presença de dois casos da doença em uma determinada área conduza a uma epidemia.

“Nosso modelo foi projetado para quantificar o risco de surtos zika local como casos se acumulam em todo Texas, levando em conta padrões de viagens internacionais, habitat de mosquito e a baixa taxa de detecção de infecções zika. Sua estrutura flexível pode ser facilmente aplicada a outros estados dos EUA e adaptado para avaliações de risco de outros arbovírus emergentes, incluindo chikungunya, dengue e febre amarela.”, disse Spencer Fox, coautor do estudo.

Baseada em simulações em tempo real de todos os condados – subdivisão administrativa dos estados americanos – do estado do Texas, a ideia veio após os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendarem, no ano passado, que as autoridades de saúde pública desencadeassem uma intervenção epidêmica quando dois casos de zika não-familiares adquiridos localmente fossem relatados na mesma área. O problema é que as taxas de importação e transmissão de zika variam amplamente, o que significa que dois desses casos podem representar ameaças muito diferentes em locais diferentes.

O modelo
O novo modelo busca, justamente, solucionar essa lacuna. Publicado nesta quarta-feira no periódico científico BMC Infectious Diseases, o modelo de simulação de computador tem uma base de dados que inclui dinâmica populacional, taxas históricas de infecção, socioeconomia e densidade de mosquitos nos 254 condados no estado de Texas.

Ao combinar todos os dados, os pesquisadores descobriram que o risco de uma epidemia zika varia muito entre os condados do Texas. Por exemplo, mesmo que dois casos sejam relatados no mesmo local, a maioria dos condados do estado não terá quase nenhum risco de uma epidemia, enquanto alguns terão um risco superior a 50%.

O modelo conseguiu prever, por exemplo, que o condado de Harris, no qual está a cidade de Houston – uma das principais do Estado -, e o condado de Travis, que inclui a cidade de Austin, têm as taxas as mais elevadas de introduções de zika por viajantes infectados. Descobriu-se também que os condados localizados na região sudeste do Texas correm maior risco de transmissão zika de uma pessoa para outra.

“A recomendação do CDC de intervir após dois casos relatados zika deve garantir ação antecipada em qualquer lugar, mesmo que o risco risco epidêmico possa variar enormemente dentro de um único estado. Nosso modelo quantifica essa variação no risco e pode ajudar as autoridades a priorizar áreas de alto risco para monitoramento e recursos de intervenção”, afirmou Lauren Castro, coautora do estudo.

Duas variáveis
Este é o primeiro estudo a avaliar tanto o risco da chegada do zika a uma área quanto o risco de disseminação local por mosquitos. A flexibilidade do design do modelo significa que à medida que novas informações se tornam disponíveis sobre a dinâmica Zika, epidemiologia e biologia podem ser atualizadas para ajudar as autoridades de saúde pública a avaliarem a consciência situacional, de acordo com os pesquisadores.

Lauren Ancel Meyers, coautora do estudo, acrescentou: “Surtos de Zika exigem a importação da doença por viajantes infectados seguido de transmissão local mosquito. Nosso modelo combina esses processos para estimar o risco de emergência local. Isso permite que os formuladores de políticas pensem cuidadosamente sobre a tolerância ao risco – a certeza necessária antes de intervir e as conseqüências potenciais de intervenções prematuras ou atrasadas”.

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domingo, 16 de abril de 2017

Vacina contra a zika: resultados positivos nos primeiros testes

Pesquisa é resultado de parceria entre instituições americanas e Instituto Evandro Chagas, ligado ao Ministério da Saúde

(ThinkStock/Reprodução)

Uma candidata a vacina contra o vírus zika, desenvolvida na Universidade do Texas em parceria com o Instituto Evandro Chagas, órgão ligado ao Ministério da Saúde brasileiro, se mostrou eficaz em proteger camundongos contra a infecção.

Para criar a vacina, os pesquisadores modificaram geneticamente o vírus da zika, removendo uma parte de seu genoma. O resultado da modificação é um vírus atenuado, ou seja, incapaz de provocar infecção. Uma técnica parecida com essa está sendo utilizada no desenvolvimento de uma vacina contra a dengue, atualmente em fase de testes clínicos.

Testes
A vacina contra a zika foi testada em camundongos. Nos testes, os animais foram divididos em dois grupos: um deles recebeu o vírus selvagem da zika e o outro recebeu o vírus atenuado, como na vacina em desenvolvimento.

Após exposição ao vírus, os animais do primeiro grupo apresentaram alta carga viral e cerca de metade morreu. No segundo grupo, nenhum animal morreu. Além disso, 30 dias depois, os animais vacinados foram novamente expostos ao vírus selvagem e não apresentaram sinais de vírus no sangue. Isso indica que a vacina cumpriu sua missão de imunizar os animais. Os resultados foram publicados no periódico científico Nature.

“Para uma vacina ser considerada bem sucedida, é preciso que ela equilibre eficácia e segurança. Vacinas feitas a partir de vírus vivos atenuados geralmente apresentam imunidade rápida e duradoura, enquanto outros tipos de vacinas podem requerer várias doses e reforços periódicos. Portanto, uma vacina viva atenuada segura será ideal na prevenção da infecção por vírus Zika, especialmente em países em desenvolvimento”, disse a pesquisadora envolvida nos testes, Pei-Yong Shi.

“Segurança é o maior obstáculo no desenvolvimento de uma vacina com vírus vivo atenuado e a nossa vacina mostrou-se segura nos camundongos em que foram testadas”, disse Shi.

Segundo o G1, atualmente, a vacina está sendo testada em macacos e os experimentos devem ser concluídos até o início de maio.

“As vacinas são uma ferramenta importante para a prevenção da transmissão do vírus Zika e microcefalia”, disse Pedro F. C. Vasconcelos, virologista médico e atual diretor do Instituto Evandro Chagas. “Esta vacina, a primeira desse tipo para zika, irá melhorar os esforços de saúde pública para evitar as doenças causadas por zika em países onde o vírus é comumente encontrado”.

Segundo nota de divulgação à imprensa, o alvo inicial da vacina são as mulheres em idade fértil, seus parceiros sexuais e crianças com menos de 10 anos de idade.

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vacina de zika desenvolvida em parceria entre EUA e Brasil é eficaz em roedor

Esta é a primeira candidata bem-sucedida a vacina de zika feita com vírus vivo atenuado. Pesquisa é resultado de parceria entre instituições americanas e Instituto Evandro Chagas.

Ilustração mostra a estrutura do vírus da zika (Foto: Kateryna Kon / Science Photo Libra / KKO / Science Photo Library)

Uma candidata a vacina de zika feita com vírus vivo atenuado foi eficaz em proteger camundongos contra a infecção associada recentemente ao nascimento de bebês com microcefalia. Os resultados, publicados na revista especializada “Nature Medicine” nesta segunda-feira (10), indicam que a vacina é promissora e testes em humanos podem começar ainda este ano.

O produto foi desenvolvido em uma parceria que envolve o Instituto Evandro Chagas do Pará, órgão ligado ao Ministério da Saúde, a Universidade do Texas e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

Na vacina de vírus vivo atenuado, altera-se o vírus sem matá-lo para que ele continue sendo capaz de gerar uma resposta do sistema imunológico, porém sem levar à doença. É o que ocorre na vacina de febre amarela, por exemplo. No caso desta candidata a vacina de zika, os pesquisadores retiraram parte do material genético do vírus, uma região que não codifica proteínas, mas é muito importante para a replicação do vírus.

“Subtraímos 10 nucleotídeos dessa região, o que foi suficiente para atenuar o vírus. O candidato vacinal ficou com 10 nucleotídeos a menos do que o vírus selvagem”, explica o médico virologista Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas.

Como foram os testes?
Os camundongos testados no estudo eram deficientes em uma proteína chamada interferon, que atua na proteção do organismo contra infecções virais. Eles eram, portanto, especialmente suscetíveis à infecção do vírus da zika.

Em um dos testes realizados, os animais foram divididos em dois grupos: um dos grupos recebeu o vírus selvagem da zika e o outro recebeu o vírus vivo atenuado que constitui o candidato vacinal. Os animais do primeiro grupo apresentaram alta carga viral e cerca de metade morreu. Já no segundo grupo nenhum animal morreu.

Depois de 30 dias, os animais vacinados foram expostos ao vírus selvagem e não apresentaram viremia, ou seja, a presença do vírus no sangue. Isso indica que a vacina cumpriu sua missão de imunizar os animais.

Os testes também demonstraram que mosquitos Aedes aegypti que se alimentaram de sangue infectado com o vírus vivo atenuado da vacina não desenvolveram a infecção e mesmo a inoculação direta do vírus vacinal no mosquito não foi capaz de infectá-lo.

Vantagens e desvantagens
Já existem outras candidatas a vacina de zika em fases mais avançadas de pesquisa, como a vacina de DNA do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte do NIH, que está na segunda fase de testes em humanos.

Porém, segundo Vasconcelos, a vantagem da vacina de vírus vivo atenuado é o fato de ela ser eficaz com apenas uma dose, enquanto outras necessitam de até três doses para completarem a imunização. “Vacinas que têm mais de uma dose são difíceis por causa da falta de adesão. É o que ocorre com a vacinação contra HPV em adolescentes, por exemplo. Por isso neste caso se optou pelo vírus vivo atenuado”, diz o diretor.

A desvantagem da vacina é que ela não poderá ser usada em gestantes. O púbico-alvo deve incluir mulheres em idade fértil e crianças entre 8 e 10 anos, segundo Vasconcelos

Próximos passos
Atualmente, a vacina está sendo testada em macacos e os experimentos devem ser concluídos até o início de maio. Os testes estão sendo feitos simultaneamente no Instituto Evandro Chagas, no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro e em um laboratório do NIH, nos Estados Unidos. "A gente espera que os resultados sejam similares aos observados em camundongos", diz Vasconcelos.

Os macacos estão recebendo tanto a vacina feita com o vírus que teve os 10 nucleotídeos removidos de seu material genético quanto um segundo candidato vacinal que, além de ter os 10 nucleotídeos removidos, ainda tem uma mutação em uma proteína chamada NS1, importante para a patogenia do vírus.

Por Mariana Lenharo, G1
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domingo, 26 de março de 2017

Rio confirma mais dois casos de febre amarela

A secretaria municipal de Casimiro de Abreu, no interior do Rio, confirmou o quinto caso de febre amarela na cidade

Já são cinco casos de febre amarela no Estado do Rio, todos em Casimiro de Abreu. Uma pessoa morreu, três já receberam alta e uma permanece internada. (Fio Cruz/Divulgação)

A secretaria municipal de Casimiro de Abreu, na Baixada Litorânea fluminense, confirmou mais dois casos de febre amarela na cidade. O primeiro, um paciente de 68 anos, residente da área urbana, que ia com frequência para cachoeiras. Ele está internado no Hospital dos Servidores, no Rio, e seu estado de saúde é estável. O segundo paciente não teve a idade divulgada e, de acordo com a prefeitura de Casimiro de Abreu, se tratou na cidade e já teve alta.

Com esses já são cinco casos de febre amarela no Estado do Rio, todos em Casimiro de Abreu. Uma pessoa morreu, três já receberam alta e uma permanece internada.

Vacinação em massa
Diante do inesperado surto de febre amarela, o Rio de Janeiro decidiu que, até o final do ano, irá vacinar toda a população do Estado contra a doença.

(Com Estadão Conteúdo)

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Estudo: contágio de dengue ocorre a até 200 metros de casa

Pesquisa publicada na revista 'Science' revela que infecção do vírus costuma acontecer em uma distância de até dois quarteirões da residência

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre amarela urbana. (VEJA/Dedoc)

A maioria das transmissões de dengue ocorre dentro ou perto de casa. Além disso, casos inter-relacionados acometem pessoas que moram a 200 metros umas das outras, distância equivalente a dois quarteirões. As descobertas foram publicadas nesta quinta-feira na revista científica Science.

Pesquisadores da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, sequenciaram os vírus de 640 infecções de dengue ocorridas entre 1994 e 2010, em Bangcoc, na Tailândia, em áreas com diferentes densidades populacionais. Eles, então, cruzaram as informações com um mapa da residência dos indivíduos afetados.

O resultado foi revelador. Entre as pessoas que viviam a até 200 metros de distância entre elas, 60% foram contaminadas pela mesma corrente de transmissão, isto é, por um vírus recentemente introduzido na área. Já entre aquelas que moravam a 5 quilômetros de distância, a corrente era semelhante em apenas 3% dos casos.

Combate ao Aedes aegypti
De acordo com os estudiosos, em uma mesma temporada de contágio, 160 correntes de transmissão diferentes circulam simultaneamente em Bangcoc. A diversidade é menor em áreas com maior densidade populacional.

Entender o processo de transmissão da doença pode ajudar a elaborar estratégias de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de dengue, chikungunya, febre amarela e zika vírus. Algumas medidas possíveis são monitorar focos do inseto em locais de alta contaminação e vacinar os moradores nessas áreas. Em 2016, a dengue infectou cerca de 1,5 milhão de brasileiros e provocou mais de 600 mortes.

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sábado, 4 de março de 2017

Febre amarela saiba mais sobre o assunto.

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por vetores artrópodes, que possui dois ciclos epidemiológicos distintos de transmissão: silvestre e urbano. Reveste-se da maior importância epidemiológica por sua gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas urbanas infestadas por Aedes aegypti.





por Aída Továr
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O futuro das arboviroses

Devemos conviver por muitos anos com a tríplice epidemia de arboviroses; reflexo de um complexo contexto de ineficácias do poder público e da sociedade

O mosquito transmissor da dengue, Aedes Aegypti (Paulo Whitaker/Reuters)

Há uma vasta experiência acerca do comportamento epidemiológico da circulação dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV); o grande questionamento que se tem atualmente prende-se aos seguintes fatores:

Qual é o efeito da circulação concomitante em praticamente todo continente americano do vírus chikungunya?
Qual é o efeito da circulação concomitante em praticamente todo continente americano do vírus zika?

O impacto global trazido pela circulação do vírus da dengue é enorme. Há estimativa de 50 milhões de infecções por esse vírus por ano abrangendo aproximadamente 100 países do mundo. As condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor observadas em vários locais do mundo fazem com que as perspectivas quanto à uma disseminação ainda mais ampla sejam preocupantes.

À medida que o Aedes aegypti evoluiu e passou a se tornar intimamente associado aos habitats dos seres humanos, preferencialmente neles se alimentando e compartilhando seus domicílios, essa espécie se tornou vetor extremamente eficiente do vírus da dengue, quando o mesmo foi introduzido, inicialmente nas cidades portuárias. Essas foram as condições que consubstanciaram as grandes pandemias de dengue relatadas durante os séculos XVIII, XIX e início do século XX, quando nos recordamos que essa foi uma época de forte desenvolvimento da indústria naval, que se deu paralelamente à grande urbanização das cidades portuárias, em resposta ao amplo incremento no tráfego oceânico.

Enquanto na década de 1960, mais da metade da população que habitava o Brasil residia em zonas rurais, os números observados em 2010 mostram que 84,4% da população reside em regiões urbanas. Essa inversão se deu sem que toda a necessária infra-estrutura de saneamento básico requerida fosse implementada. A falta no abastecimento de água e de coleta de lixo está relacionada ao alto número de casos de dengue nas cidades. Dos 48 municípios com risco de surto da doença no verão de 2012, 62,5% tinham menos da metade das casas com acesso ao saneamento adequado.

A situação atual e preocupante das arboviroses no Brasil reflete um complexo contexto, no qual interagem entre si ineficácias gerais de atuação do poder público e da sociedade em geral. Assim, deve-se buscar soluções para essas epidemias e também manter planos de combate eficientes contra a febre amarela, cuja transmissão igualmente ocorre pelo Aedes aegypti, sendo que sua migração em massa para o ambiente urbano não deve ser descartada, principalmente porque já houve constatações de casos esporádicos de febre amarela em centros urbanos brasileiros.

Os condicionantes da expansão das arboviroses nas Américas e no Brasil são similares e referem-se, em grande parte, ao modelo de crescimento econômico implementado na região, caracterizado pelo crescimento desordenado dos centros urbanos.

O Brasil concentra mais de 80% de sua população em áreas urbanas, com importantes lacunas no setor de infra-estrutura, tais como dificuldades para garantir o abastecimento regular e contínuo de água, assim como também é deficiente a coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos. Outros fatores, tais como a acelerada expansão da indústria de materiais não biodegradáveis, além de condições climáticas favoráveis, agravadas pelo aquecimento global, conduzem a um cenário que impede, pelo menos a curto prazo, a proposição de ações visando à erradicação do vetor transmissor.

Some-se a esse já sombrio panorama, o modelo de urbanização implementado em nosso país, assim como em muitas outras cidades que compõem essas sociedades do “capitalismo periférico”:

redução progressiva das áreas verdes das cidades às custas de empreendimentos imobiliários que tentam imitar o que se verifica nos países capitalistas “centrais”; empreendimentos estes situados em locais onde não há a menor infraestrutura de saneamento básico que os comporte.
nossas cidades estão cada vez mais impermeabilizadas: quando chove, não há onde a água ser drenada, constituindo-se drama frequentemente observado, as enchentes de nossas grandes cidades.

Temos sido bombardeados por informações, muitas vezes desencontradas, sobre diferentes métodos para combater a presença do mosquito Aedes aegypti em nossas cidades. Especial ênfase vem sendo dada ao combate domiciliar do mesmo, sobressaindo-se as informações acerca de como evitar a eclosão de larvas dos mosquitos que estiverem presentes nos vasinhos de plantas presentes dentro das casas e apartamentos da população.

Considero essa atitude uma maneira pela qual desviamos de uma abordagem mais objetiva do problema. Dentro desse panorama, onde se situaria a ênfase no combate domiciliar ao mosquito ? Em minha opinião, serve apenas para que retardemos o debate sobre a importância do saneamento básico no controle e possível futura erradicação do vetor. Creio, portanto, que dengue, chikungunya e zika estão intimamente correlacionados à problemática do saneamento básico. Encaremos isso de frente, não escamoteando a realidade através da valorização dos vasinhos de plantas presentes nas casas das pessoas.

Isso posto, esperamos expressiva circulação do vírus zika a partir do mês de novembro, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Nossas mulheres devem permanecer atentas a essa situação e deve ser enfatizado os cuidados para evitar a picada do Aedes, através do uso de repelentes de forma correta.

Em relação à epidemia de infecções pelo vírus chikungunya, o comportamento epidemiológico se mostrou semelhante àquele observado inicialmente com o vírus da dengue:

Inicialmente, predomínio nas regiões Norte e Nordeste;
Após um ou dois anos, disseminação por todas regiões do Brasil.

Devemos ainda conviver por muitos anos com essa tríplice epidemia; a interação entre elas deve ser objeto de estudos aprofundados. Um dos aspectos a ser abordado diz respeito à dificuldade de melhor avaliação de vacinas, que devem abordar o questionamento quanto à imunidade cruzada.

Como exemplo, podemos levantar a seguinte dúvida, ainda longe de ser esclarecida: a presença de anticorpos contra dengue em uma pessoa leva à maior proteção ou ao aumento do percentual de casos graves quando essa pessoa for infectada pelos vírus zika ou chikungunya?



Por Artur Timerman
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sábado, 21 de janeiro de 2017

Os efeitos do zika: por que o assunto não pode ser esquecido

Muito se tem falado de febre amarela. Não há dúvidas de que o assunto é de muita importância. Mas não devemos esquecer dos efeitos dramáticos do zika vírus

(VEJA.com/VEJA/VEJA)

Muito se tem falado do crescimento de casos de febre amarela. Não há dúvidas de que o assunto é de extrema importância. Não devemos esquecer, no entanto, dos efeitos dos outros vírus transmitidos por mosquito, sobretudo o zika, com seus dramáticos efeitos.

O vírus zika, transmitido por mosquitos, apresenta sintomas em apenas 20% dos casos, destacando-se febre baixa, vermelhidão pelo corpo (principalmente no rosto), dor nas pequena articulações e conjuntivite.

O vírus tem preferência pelo sistema nervoso central, podendo causar microcefalia congênita, meningite, encefalite e, ainda, a síndrome de Guillain-Barré – paralisia que pode atingir todos os músculos.

Os primeiros casos em humanos foram detectados no ano de 1952, em Uganda e na Tanzânia. No Brasil, a primeira ocorrência foi registrada em maio de 2015.

O vírus zika é transmitido através da picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, por vias materno-fetal, sexual (vaginal, anal e oral), transfusional, sangue e produtos utilizados em transplantes de órgãos e exposição laboratorial.

O vírus é detectado na urina em até 91 dias, no sangue de mulheres grávidas, em até dez semanas e no sêmen em até 188 dias após o período da doença.

Existe o risco de transmissão do vírus zika durante toda a gravidez, tendo a mãe apresentado ou não sintomas da doença. No entanto, em recém-nascidos, o risco de que herdem as formas graves da doença, com sequelas, é maior no primeiro trimestre, embora haja descrições na literatura médica de ocorrências no segundo trimestre.

Não exite tratamento específico para o vírus zika. Utilizam-se medidas de suporte de vida, incluindo uma hidratação adequada medicamentos para a solução ou diminuição da dor e da febre.

Vários centros no Brasil e no mundo já iniciaram as pesquisas da vacina individual do vírus zika ou associada aos quatro sorotipos do vírus da dengue.

Por David Uip
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