sábado, 5 de julho de 2008

ARTERIOSCLEROSE

O Primeiro sinal da arteriosclerose pode ser a morte. Melhor que tratar é eviar o aparecimento da doença

A arteriosclerose, termo genérico para espessamento e endurecimento da parede arterial, é a principal causa de morte no mundo ocidental.

Um tipo de arteriosclerose é a aterosclerose, doença que atinge artérias de grande e médio calibre, como as artérias coronárias, as artérias carótidas e as artérias dos membros inferiores. É caracterizada pelo depósito de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias, reduzindo seu calibre e trazendo um déficit sanguíneo aos tecidos irrigados por elas. Manifesta-se clinicamente em 10% da população acima de 50 anos, sendo isso apenas a ponta do iceberg, pois seu desenvolvimento é lento e progressivo, e é necessário haver uma obstrução arterial significativa, de cerca de 75% do calibre de uma artéria, para que surjam os primeiros sintomas isquêmicos (sintomas derivados da falta de sangue).

A superfície interna irregular da artéria com arteriosclerose predispõe à coagulação sanguínea neste local, com oclusão (entupimento) arterial aguda - trombose - levando subitamente à falta de sangue para todos os tecidos nutridos por aquela artéria, que podem entrar em isquemia (sofrimento) ou necrose (morte). Por esta razão, o primeiro sinal de arteriosclerose pode ser a morte. Com risco tão elevado, é importante diagnosticar precocemente a doença para detê-la e impedir suas manifestações.

Estudos epidemiológicos mostraram que a arteriosclerose incide com maior frequência e intensidade em indivíduos que têm algumas características, que foram denominadas "fatores de risco":

Idade - Predominante na faixa de 50 a 70 anos.

Sexo - Predominante no sexo masculino, pois as mulheres são "protegidas"desviando suas gorduras sanguíneas para a produção de hormônio feminino (estrogênio). Após a menopausa a "proteção"desaparece.

Hiperlipidemia - Indivíduos que têm altos níveis de gorduras circulantes no sangue, sendo o colesterol a principal delas, depositam este excesso nas artérias obstruindo-as progressivamente.

Tabagismo - Os indivíduos que fumam têm um risco nove vezes maior de desenvolver a arteriosclerose que a população não fumante. A decisão de parar de fumar modifica favoravelmente a evolução dos pacientes sintomáticos.

Hipertensão - A hipertensão arterial provoca alterações na superfície interna das artérias, facilitando a penetração das gorduras na parede arterial.

Sedentarismo - A atividade física reduz os níveis de colesterol e favorece a circulação.

História familiar - Assim como a idade e o sexo, não podemos mudar nossa herança genética, e este é um fator também importante, não devendo ser negligenciado. Há famílias que, por diversos desvios metabólicos, estão mais sujeitos à doença.

A arteriosclerose é uma doença sistêmica, acometendo simultaneamente diversas artérias do ser humano. O quadro clínico apresentado pelo paciente vai depender de qual artéria está mais significativamente obstruída:

• Caso sejam as coronárias (artérias do coração), se produzirá a dor cardíaca durante o esforço - angina de peito - na evolução crônica ou o enfarte na evolução aguda.

• Caso sejam as carótidas (artérias do pescoço) se produzirão perturbações visuais, paralisias transitórias e desmaios na evolução crônica ou o derrame (acidente vascular encefálico) na evolução aguda.

• Caso sejam as artérias ilíacas e femorais (artérias de membros inferiores) se produzirão claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar), queda de pêlos, atrofias da pele, unhas e musculares, e até mesmo impotência coeundi (dificuldade de ereção peniana) nos casos crónicos e gangrena nos casos agudos.

O diagnóstico da arteriosclerose é dado pela história clínica do paciente, pelo exame físico com a palpação dos pulsos arteriais e por exames laboratoriais, eletrocardiograma, ultra-sonografia, exame Doppler e arteriografia. O angiologista e/ou cirurgião vascular é o médico indicado para este tipo de avaliação. Para cada fase evolutiva da arteriosclerose e para cada órgão acometido pela doença há uma forma diferente de terapia, mas todas passam por um tratamento básico de controle da hiperlipidemia, do tabagismo, da hipertensão, do diabetes e da obesidade.

Melhor que tratar é evitar o aparecimento da doença. Isso pode ser alcançado com uma dieta alimentar equilibrada, não fumando e praticando regularmente exercícios físicos.

Abortamento Habitual

O termo abortamento habitual é utilizado para designar aqueles casos nos quais a paciente é vitima de três ou mais abortos espontâneos consecutivos, quando a mesma deverá sofrer uma investigação diagnostica. A ocorrência de aborto espontâneo na espécie humana é fato bastante comum, não justificando abordagem diagnostica diante de um caso isolado. Para pacientes acima de 35 anos, alguns autores já preconizam investigação apartir do segundo caso.

Várias são as causas desta dramática condição, sendo que uma investigação completa é capaz de apontar o fator determinante em aproximadamente 60% dos casos. As principais causas são:

1 - CAUSAS UTERINAS:

São constituídas por algumas condições nas quais ocorrem alterações na anatomia (forma) uterina:

MALFORMAÇÕES: Algumas mulheres apresentam ,já ao nascimento, malformações uterinas variadas, como o chamados útero septado e útero infantil . Os dois casos são de fácil diagnóstico, sendo que no primeiro, o tratamento cirúrgico é a opção de escolha. Já o caso de útero infantil apresenta tratamento mais complicado e longo, utilizando-se de medicamentos variados.

MIOMAS: Miomas uterinos podem determinar abortamento de repetição, quando deformam significativamente o útero ou apresenta localização "caprichosa", a impedir a adequada implantação do embrião e seu conseqüente desenvolvimento. A cirurgia representa o principal tratamento nos casos bem caracterizados.

INSUFICIÊNCIA DO COLO UTERINO: O colo uterino é a porção do útero que o conecta à vagina. Normalmente, ele permanece fechado(ou quase) durante toda a gestação, vindo a se dilatar somente por ocasião do parto.Algumas paciente, geralmente com história prévea de manipulação sobre este órgão(curetagem, cirurgia), exibem perdas gestacionais de repetição pela sua dilatação prematura. São perdas que geralmente ocorrem apartir do quarto mês de gravidez, na ausência de dor ou sangramento importantes, freqüentemente com eliminação de feto vivo.

2-INSUFICIÊNCIA LÚTEA: O corpo lúteo é uma estrutura normalmente formada no ovário após a ovulação e que se responsabiliza pela secreção do hormônio progesterona. É este hormônio, que atuando no útero , vai criar condições adequadas para a fixação do embrião e manutenção da gravidez na sua fase inicial. São variadas as condições que fazem com que o corpo lúteo não desempenhe bem o seu papel, favorecendo abortamento precoce, geralmente precedido por morte intra útero do embrião , fato que pode ser documentado através do ultra som. Existem testes específicos para este diagnóstico que, quando adequadamente tratado, apresenta excelentes resultados.

3-CAUSAS GENÉTICAS: Doenças genéticas variadas podem determinar abortos repetitivos e morte fetal tardia na gestação. Alterações dos cromossomos , na forma ou no número, são os achados mais freqüentes, justificando pois, o estudo dos restos ovulares obtidos após completado o aborto ou realizado curetagem uterina. O cariótipo(estudo citogenético) também deve ser feito no casal para este fim.Infelizmente, nem todas causas genéticas de abortamento podem ser diagnosticadas, e cariótipo normal não exclui perda por alterações genéticas.

4-CAUSAS IMUNOLÓGICAS: O nosso sistema imunológico é o responsável pela produção de anticorpos, os quais nos protegem de infecções variadas. Este sistema esta preparado para produzir anticorpos sempre que uma proteína estranha invade o nosso organismo. Entretanto, um feto no interior do útero representa uma carga genética estranha ,a qual deveria ser atacada por anticorpos e finalmente eliminada, mas que é tolerada pelo sistema imune. Em condições normais, a gravidez bem sucedida parece representar um estado de "tolerância imunológica", a qual não é bem compreendida pela medicina. Em caso de descontrole nesta "tolerância", anticorpos maternos atuam contra o embrião a determinar sua morte e conseqüente eliminação, à maneira do que ocorre com órgãos transplantados. Atualmente dispomos de testes específicos para estes anticorpos, criando perspectivas razoáveis a boas de tratamento.

5-DISFUNÇÕES GLANDULARES: Várias glândula interferem na evolução da gravidez, como a Tireóide e a Hipófise. Distúrbios nestes órgãos devem ser pesquisados, objetivando pronta correção.

6-DOENÇAS CRÔNICAS: Algumas doenças crônicas, como o Lupus e Diabetes avançados, representam causas de aborto de repetição bem documentadas. Outras condições que interfiram com a saúde geral da grávida também podem ser responsabilizadas por tais perdas. A reprodução é colocada em segundo plano por um organismo cuja integridade está ameaçada com o aborto espontâneo representando um mecanismo de auto-proteção.

7-INFECÇÕES: É questionável o papel de infecções no abortamento de repetição porém, algumas infecções específicas devem ser investigadas e prontamente tratadas, em especial quando acomete o colo do útero e o endométrio(membrana que reveste o útero internamente).

8-ALTERAÇÕES OVULATÓRIAS: Como explicado na página INFERTILIDADE, para que ocorra gravidez é necessário ovulação(liberação do óvulo). Quanto um folículo se desenvolve no sentido de liberar o óvulo , ele o faz secretando um hormônio chamado Estradiol, o qual proporciona a preparação do endométrio para a fixação do embrião. Um endométrio bem preparado é resultante de adequado processo de maturação folicular e secreção hormonal, além de traduzir uma higidez própria(ausência de doença primária do endométrio).Sendo assim, no estudo do abortamento habitual é imprescindível um bom estudo do função ovulatória pois, esta pode esta comprometida, seja por causas próprias do ovário ou secundárias ao mal funcionamento de outras glândulas.

Aborto Retido ou Incompleto

Definição

Aborto incompleto, ou aborto retido, é quando o corpo expele apenas uma parte do tecido fetal.

O que está acontecendo com o organismo?

O aborto incompleto é muito comum no início da gravidez. Ocorre freqüentementedevido a anormalidades cromossômicas fetais ou defeitos genéticos, que impedemseu desenvolvimento.

Quando o feto e a placenta param de se desenvolver, os níveis hormonais caem eos sinais e sintomas gravídicos como: desenvolvimento das mamas, náuseas ecansaço, podem desaparecer.

Na maioria dos casos, o útero começa a sofrer contrações, causando cólicas,desconforto e sangramentos vaginais contendo restos fetais. Se restosgravídicos permanecerem no útero, o colo uterino ficará aberto. Isto aumentaráriscos de infecções e continuação do sangramento.

Quais são os sinais e sintomas da doença?

A mulher grávida pode apresentar: sangramento vaginal, cólica ou desconfortopélvico e saída de restos ovulares e coágulos pela vagina.

Quais são as causas e os fatores de risco da doença?

A mulher pode ter problemas na implantação do ovo, aumentando o risco deaborto se: apresentar malformação uterina, houver cicatrizes uterinas outumores benignos como miomas.

Outros fatores que aumentam os riscos de aborto são: infecções virais noprimeiro trimestre de gestação como: herpes, rubéola, infecção por parvovírus;infertilidade por mais de um ano; idade acima de 35 anos; e, problemashormonais.

Acima de três abortos consecutivos, chama-se abortamento habitual. Estacondição requer pesquisa detalhada das possíveis causas que estão levando amulher a abortar.

O que fazer para prevenir?

Nem todos os abortos podem ser evitados, mas algumas medidas sendo tomadasmeses antes e durante a gestação diminuem as chances de ocorrer. Uma dietarica em ácido fólico, e uso de polivitamínicos ajudam a prevenir defeitos naformação do tubo neural, levando a um bom desenvolvimento nutricional doembrião.

Outras medidas que também devem ser tomadas são: parar de fumar, não usardrogas, sendo elas ilegais ou não, mulheres diabéticas devem fazer controlesde glicemia durante a gestação.

Muitas vezes a mulher apresenta alterações hormonais que podem ser a causa doaborto. Se isso for detectado, deve-se fazer uma terapia hormonal para queposteriormente a mulher tente engravidar novamente.

Como é feito o diagnóstico?

Exames de sangue e de urina podem detectar o hormônio da gravidez HCG. Ocontrole periódico dos níveis hormonais ajudam a fazer o diagnóstico. Atravésdestes exames pode-se avaliar se o feto está se desenvolvendo. Níveis de HCGestáveis ou diminuídos sugerem malformação ou morte fetal. Se os níveishormonais estiverem aumentando, significa que o feto está crescendo.

Outros exames como: hemograma podem avaliar se está havendo sangramento alémde controlar riscos de infecção; nível de progesterona é importante paramanter o curso da gestação; ultra-som avalia movimentos fetais, batimentoscardíacos, além de diagnosticar gravidez ectópica que é a implantação doembrião fora do útero; exame especular que visualiza se o colo uterino estáaberto ou se há restos embrionários no interior da vagina.

Quais são os efeitos crônicos da doença?

Os efeitos são variáveis. Existem muitos mitos que levam a mulher ficaransiosa e se sentir culpada pelo ocorrido. Arrastar móveis pesados, seexercitar demasiadamente e fazer sexo durante a gravidez não impedem que amulher tenha uma gestação saudável. Ela deve conversar com seu médico sobreseus sentimentos, preocupações e dúvidas que houverem sobre o assunto.

Atraso no diagnóstico e tratamento pode aumentar os riscos de infecção,sangramentos, desenvolver sensibilidade do sistema Rh, infertilidade por lesãoda trompa de Falópio, prejudicando outra futura gestação.

Quais são os tratamentos?

Dilatar o colo uterino e curetagem devem ser feitas para retirar os restosfetais ainda presentes no interior do útero. Antibióticos e drogas queaumentam a contratilidade uterina podem ajudar a parar o sangramento, podendoser usados por 24 à 48 horas após curetagem.

Se a mulher for Rh negativo, ela deverá tomar uma vacina de imunoglobulinasque impedirá sua sensibilização, prevenindo incompatibilidade sangüínea entreela e o feto nas futuras gestações.

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Efeitos colaterais da anestesia para realização da curetagem: sonolência,cansaço, náusea e vômitos. Os antibióticos e a drogas que ajudam o útero a secontrair podem causar: rush cutâneo, diarréia, alergias, dor de estômago ecólica abdominal.

O que acontece após o tratamento?

Algumas horas após a curetagem, a mulher pode voltar para casa, devendopermanecer em repouso por 1 a 2 dias. Ela deverá procurar o médico se: tiverfebre, a cólica abdominal tornar-se mais intensa ou duradoura, o sangramento vaginal continuar intenso.

O uso de métodos anticoncepcionais estão indicados se a mulher não quiserengravidar novamente. Se a mulher deseja engravidar, ela só poderá após dois atrês meses do ocorrido. O casal terá 85% de chance de sucesso na gravidez apósum ano do abortamento.

Como a doença pode ser acompanhada?

Controle dos níveis hormonais de HCG ajudam a prevenir os riscos depermanência de restos embrionários ou de gravidez ectópica se o sangramento ouas cólicas continuarem.

Fonte: Da Redação do agenda SAÚDE

Aborto Terapêutico

Para a maioria (totalidade?) dos pró-aborto a sua entrada nesse caminho medonho deu-se pela porta do aborto terapêutico. Grosso modo, parece-lhes que se uma mulher estiver em perigo de vida, por causa da gravidez, é lícito matar o bebê e ponto final. Mas se se pedir a um pró-aborto para explicar qual é a posição dos pró-vida neste ponto, ele não sabe explicar.

É uma pena que na base de uma decisão tão horrorosa esteja não a opção entre duas posições diferentes que se conheciam, mas a simples ADESÃO à única possibilidade que se vislumbrou.

Segue-se uma exposição da filosofia pró-vida no caso do chamado "aborto terapêutico"."Analisando o problema da gravidez com intercorrência de enfermidade de natureza grave na gestante, sob o ponto de vista terapêutico, deparamo-nos, EMBORA NÃO FREQÜENTEMENTE, com casos difíceis, que constituem verdadeiro desafio à formação científica e moral do médico.

Outrora ocorriam em maior número os casos obstétricos em que o agravamento do mau estado de saúde da gestante colocava o médico na constrangedora situação de ver esvaírem-se duas vidas humanas, sem dispor de recursos eficazes para tentar a salvação de ambas.

Na época atual, porém, aquela desconcertante situação de "expectativa com os braços cruzados" NÃO MAIS PREVALECE. Os extraordinários recursos de que dispõe atualmente a Medicina oferecem ao médico meios para prosseguir na luta em busca do fim almejado, isto é, a salvação do binômio mãe-filho.

Observa-se que, no concernente ao aspecto estritamente médico, as opiniões convergem cada vez mais na aceitação do fato de que se tornam CADA VEZ MAIS RARAS as situações patológicas em que se poderia concluir pela impossibilidade de evolução de gravidez até à viabilidade fetal. Em tais casos é difícil, se não impossível, afirmar que o aborto salvará a mãe. (...)

É comum e correto afirmar que a gestante portadora da enfermidade de natureza grave pode ser tratada como se não estivesse grávida. Não quer isto dizer, obviamente, que não se envidem esforços para impedir que o feto venha a sofrer as conseqüências do tratamento materno. Para melhor segurança do concepto deve adiar-se, sempre que possível, os tratamentos mais drásticos até ao terceiro ou quarto mês de gravidez ou mesmo, sobretudo se houver necessidade de condutas radicais, até à viabilidade fetal, o que, infelizmente, nem sempre o processo patológico permite. (...)

É importante atentar bem na DIFERENÇA que existe entre a prática do aborto direto (atentado voluntário, deliberado e direto contra a vida fetal com o fim de salvar a mãe) e a prática terapêutica, clínica ou cirúrgica, aplicada à mãe como se esta não estivesse grávida, mas que, paralelamente, colocará em risco a vida fetal. Enquanto esta conduta é lícita, aquela NÃO o é. (...)

É evidente que os fins não justificam os meios. Interferir direta ou deliberadamente para tirar a vida do feto (ato mau) como meio de obter a cura da mãe (fim bom) é procedimento condenável, posto que direitos iguais - no caso, direito à vida - de duas pessoas diferentes não podem subordinar-se um ao outro. Ambas merecem o mesmo respeito aos seus direitos humanos inalienáveis, independentemente da maior fragilidade ou da maior força de um sobre o outro. (...)

Uma agressão direta contra a vida do concepto não se justifica, embora com o fim de melhorar as precárias condições de saúde da mãe; aceitar como justo tal procedimento implicaria legitimar a agressão a um ser humano indefeso em favor de outro mais forte ou mais influente. (...)

Todavia, a morte do concepto pode ocorrer como conseqüência não visada, embora prevista, do ato médico realizado para curar uma gestante portadora de enfermidade, cuja natureza grave não permita adiar o tratamento até à viabilidade fetal.

Assim, por exemplo, em uma gestante cardiopatia, no primeiro trimestre da gravidez, com indicação de tratamento cirúrgico cardiovascular inadiável, o risco de [que ocorra um] aborto existe, mas não invalida a conduta cirúrgica que é legítima, pois visa a salvação da mãe e não constitui agressão direta ao feto. Se ocorrer, o aborto será indireto, acidental, não visado nem desejado pelo ato médico, embora previsto. (...)

Até mesmo no carcinoma do colo uterino, o tratamento da mãe (histerectomia radical ou radioterapia intra-uterina) é lícito e pode ser efetuado, não obstante implicar a morte certa do conceto. Conseqüência esta indireta, não visada, embora inevitável. A conseqüente morte do conceto constitui aqui o que se chama, em moral, "ato indireto", isto é, o que não foi aceite, nem desejado, nem visado, quer como fim quer como meio de obter um fim, mas foi previsto como conseqüência possível ou certa, porém inevitável, de um ato diretamente desejado (no caso, a destruição do câncer uterino pela retirada do órgão ou pela irradiação).

Nessas circunstâncias, a morte do feto ocorre "contra as intenções do médico, ainda que não contra as suas previsões". Fundamenta-se a licitude do ato no princípio do duplo efeito, assim compreendido: a) à pratica de um ato, moralmente bom ou indiferente, seguem-se dois efeitos paralelos, um bom e outro mau; b) apenas o efeito bom é visado pelo ato praticado; c) o efeito mau, embora inevitável, não é desejado nem visado pelo ato, sendo apenas previsto e tolerado; d) o efeito mau não se constitui no meio de se obter o efeito bom; e) o efeito bom é conseqüência direta do ato praticado, não sendo, portanto, secundário nem conseqüente do efeito mau; f) o efeito bom visado é suficientemente importante para tolerar-se o efeito nocivo previsto.

Assim, em mulher portadora de câncer do colo uterino, a conduta terapêutica acima referida (ato bom) visa a cura da doente (fim bom). O fato de a paciente (...) estar grávida não lhe tira o direito ao tratamento adequado, ainda que, paralelamente à conseqüência boa (cura da mãe), se preveja como inseparável uma conseqüência má (morte do feto).Como vemos, o direito ao tratamento não é postergado na mulher grávida, podendo esta ser sempre tratada, desde que não se atente diretamente contra a vida do conceto e se envidem todos os esforços para preservá-lo, sempre que seja possível.

A morte do feto, se ainda assim ocorrer, não infringe neste caso nenhum princípio deontológico, nem constitui objeto de atenção de nenhum Código de Ética Médica ou Código Penal, sendo pacífica e universal a sua aceitação do ponto de vista moral e legal. (...)

Vemos, pelo exposto, que a moral de modo algum impede que seja a gestante enferma tratada adequadamente.O apelo ao chamado "aborto terapêutico" como meio de salvar a vida da gestante NÃO CONSTITUI RECURSO CIENTÍFICO, sobretudo nos dias atuais, em face das modernas conquistas da Medicina. "(Cf. João Evangelista Alves, Dernival Brandão, Carlos Tortlly Rodrigues Costa e Waldenir de Bragança, "Considerações em torno do problema da gravidez com intercorrência de enfermidade grave na gestante e o chamado abortamento terapêutico", Revista da Associação Médica Brasileira, vol 22, n1, Janeiro de 1976, p.21-28.)

Como se viu, atentar direta e intencionalmente contra a vida do conceto, mesmo quando está em perigo a vida da mãe, é inaceitável. O que é aceitável já foi explicado. Contudo, na base da fé pró-aborto de muitas pessoas está a idéia de que em caso de estar em causa o direito à vida, da mãe, pode-se matar DELIBERADA E INTENCIONALMENTE o filho.Daqui é fácil saltar para: "No caso de estar em causa UM direito IMPORTANTE da mãe, pode-se matar deliberadamente o filho". Mas direito "importante" é muito vago e por isso cada pró-aborto cada sentença!

Depois, os pró-aborto não conseguem defender o seu conceito de "importante" (nem sequer uns perante os outros) pelo que saltam para: "No caso de estar em causa UM (qualquer) direito da mãe, pode-se matar deliberadamente o filho." Não é que quisessem algumas vez defender isto, nem é que isto pareça acertado à maioria: aceitam isto porque é necessário para manter uma posição defensável.

Mas estão enganados: a posição continua completamente indefensável e por isso, os filósofos pró-aborto - que já descobriram a indefensibilidade da posição - avançam na justificação do infanticídio. Tempo perdido! Também aí não conseguirão encontrar a estabilidade desejada, e venham as crianças!...

Mas como foi possível chegar a esta confusão toda? Por um erro inicial, um "pequeníssimo" erro: a idéia de que em caso de perigo para a vida da mãe, pode-se matar deliberadamente o filho.(Juntos pela Vida)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Infecções da mama e abcessos


As infecções mamárias (mastite) são pouco frequentes, excepto em períodos próximos de dar à luz ou após uma lesão. Por vezes, o cancro da mama provoca sintomas semelhantes aos de uma infecção mamária. Uma mama infectada tem um aspecto avermelhado e inchado, é dolorosa ao tacto e sente-se quente. O tratamento adequado é a administração de antibióticos.

Um abcesso mamário, que é mais raro, é uma acumulação de pus na mama e pode aparecer quando uma infecção mamária não é tratada. Trata-se com antibióticos e, em geral, drena-se cirurgicamente.

Atividade vulcânica teve papel importante na história de Mercúrio



WASHINGTON (AFP) — A atividade vulcânica, e não o impacto de asteróides, desempenhou um papel central na história do planeta Mercúrio, para moldar a sua superfície, segundo estudos de astrônomos americanos, publicados nesta quinta-feira.

A conclusão é baseada na análise de numerosas imagens transmitidas pela sonda americana Messenger durante um vôo muito próximo, no dia 14 de janeiro de 2008, do menor planeta do sistema solar e também o mais próximo do sol.

Isso permitiu revelar a face oculta de Mercúrio; até então, 55% de sua superfície não havia sido jamais observada.

Os astrônomos estimam que Mercúrio conheceu abalos em sua topografia há entre três a quatro bilhões de anos sob o efeito de uma intensa atividade vulcânica como o demosntram espessas camadas de lava em imensas crateras.

"Essas imagens nos dizem que Mercúrio nem sempre foi um planeta inativo", explicou James Head, um cientista da Universidade Brown (Rhode Island, leste), principal autor de um dos onze estudos divulgados na revista americana Science datada de 4 de julho.

"Agora, queremos saber quando e porque Mercúrio cessou de ter atividades vulcânicas", acrescentou.

As origens das numerosas crateras na superfície de Mercúrio, que à primeira vista se parece com a Lua, foram objeto de polêmica após as imagens transmitidas pela sonda Mariner 10, a primeira a se aproximar de Mercúrio durante três vezes, em 1974 e 1975. Messenger foi a segunda.

Numerosos estudiosos pensavam que as crateras haviam sido resultado de impactos de asteróides, não de vulcões.

Os pesquisadores descobriram um grande número de fossas, de dobras geológicas, falésias de várias centenas de quilômetros de comprimento formadas aparentemente pelo movimento de placas tectônicas no início de sua história.

O conjunto dessas características geológicas indicam que a compressão gravitacional de Mercúrio é um terço maior que o estimado anteriormente.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Novo teste facilitará tratamento de tuberculose

GENEBRA (Reuters) - Um novo teste de diagnóstico de tuberculose, divulgado nesta segunda-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS), vai permitir aos médicos de países pobres descobrirem em poucas horas, em vez de meses, se o paciente tem tuberculose multirresistente a medicamentos.

O diretor do departamento relacionado à tuberculose, Mario Raviglione, disse que o teste molecular realizado pelo Hain Lifescience and Innogenetics significou um grande acontecimento na luta contra a tuberculose, doença respiratória contagiosa que anualmente mata 1,5 milhão de pessoas.

"Somos capazes agora de fazer o diagnóstico da MDR-TB em questão de horas" disse ele, referindo-se à sigla em inglês pela qual é conhecida a tuberculose multirresistente a medicamentos. A MDR-TB não pode ser curada com o uso dos antibióticos usados normalmente.

O novo teste pode verificar pela análise da saliva do paciente se a bactéria da tuberculose pode ser tratada com os dois principais antibióticos, isoniazida e rifampicina, o que facilita a prescrição do medicamento para curar a doença e evitar que se espalhe.

Os testes em uso requerem que as amostras de saliva sejam incubadas por cerca de 60 dias para que a microbactéria cresça e seja testada sua reação a diferentes misturas de antibióticos.

Cepas de tuberculose resistentes a medicamentos são especialmente letais para portadores de HIV/Aids e pessoas com sistema imunológico fraco. Por isso, erros na prescrição de antibióticos podem piorar o problema da resistência a remédios e conduzir à XDR-TB, uma forma sem tratamento da tuberculose que já apareceu em 49 países, incluindo Estados Unidos, França, Rússia, África do Sul, Brasil e Austrália.

O Lesoto será o primeiro país a receber o treinamento e equipamento laboratorial para o uso do novo teste diagnóstico, como parte de um programa apoiado pela Unitaid (entidade que financia e distribui medicamentos a países pobres) e a Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores, órgãos parceiros da OMC, disse Raviglione à imprensa. .

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