Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia San Diego (UCSD), Universidade de Chicago e da Nanjing Medical School, na China, descobriram um processo celular que pode ajudar na elaboração de melhores imunoterapias para pacientes com câncer. O estudo foi publicado no periódico Cell Reports no último dia 10.
Normalmente, o sistema imune identifica tumores como uma ameaça e emprega células T para encontrá-los e matá-los. No entanto, explica o portal Medical Xpress, as células tumorais evoluíram para burlar essa defesa. Elas usam a proteína PD-L1 para impedir que as células T executem suas funções, evitando, assim, as defesas imunológicas. A PD-L1 protege os tumores ativando um “freio molecular” conhecido como PD-1, expresso nas células T, que as detém – e existe para evitar doenças autoimunes.
Como esse é um dos principais mecanismos de evasão do tumor, imunoterapias foram desenvolvidas usando anticorpos desenvolvidos para bloquear a interação PD-L1/PD-1 e já foi clinicamente comprovado que elas beneficiam certos pacientes com câncer. Porém, o motivo para que alguns pacientes não respondessem a esse tratamento era um mistério, que começou a ser desvendado agora.
Um passo adiante
Os pesquisadores descobriram que alguns tumores têm não apenas a arma PD-L1, mas também o “freio” PD-1. Esta expressão simultânea leva a PD-1 a ligar-se e neutralizar a PD-L1 na mesma célula tumoral. Assim, o PD-L1 nessas células tumorais não pode mais ativar o freio PD-1 nas células T.
“É uma descoberta muito empolgante”, declarou o pesquisador da UCSD Enfu Hui em comunicado à imprensa. “Nosso estudo descobriu um papel inesperado da PD-1 e outra dimensão da regulação da PD-1 com importantes implicações terapêuticas”.
O que o estudo sugere é que pacientes com altos níveis de PD-1 nas células tumorais podem não responder bem aos anticorpos bloqueadores porque a via metabólica da PD-1 é autoanulada. Nesses pacientes, os tumores provavelmente usam outros mecanismos além do PD-L1/PD-1 para escapar da destruição imunológica.
O próximo passo de Hui e seus colegas é determinar outros possíveis mecanismos de “autocancelamento” na interface do tumor e das células imunes. “Achamos que nossa descoberta é a ponta do iceberg”, disse. “Nós especulamos que o autocancelamento é um mecanismo geral para regular a função das células imunes. Entender esses processos com mais clareza ajudará a desenvolver melhores estratégias de imunoterapia e prever com maior confiabilidade se um paciente responderá a elas ou não”. [Medical Xpress, UCSD, Cell Reports]
fonte
Por Jéssica Maes
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